|
Pelo Banco Central, o déficit da conta de viagens internacionais foi de perto de US$ 2,4 bilhões em 1995, US$ 18,7 bilhões em 2014, US$ 2,3 bilhões em 2020 e US$ 10 bilhões em 2024.
Para chegar ao valor por pessoa, a conta usa a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE: perto de 161 milhões em 1995, 203 milhões em 2014, 212 milhões em 2020 e 212,6 milhões em 2024.
O resultado, por brasileiro e por mês, sai em US$ 1,20 em 1995, US$ 7,70 em 2014, US$ 0,90 em 2020 e US$ 3,90 em 2024.
A subida até 2014 foi longa e teve pausa. Entre 1999 e 2003, depois da desvalorização do real em janeiro de 1999, o dólar dobrou de preço, e o déficit por brasileiro encolheu para perto de um terço do valor de 1995.
De 2004 a 2011, o real se valorizou ano após ano, o emprego formal cresceu e o crédito chegou ao cartão de quem nunca tinha tirado passaporte. O déficit por pessoa subiu em todos esses anos.
O pico veio em 2014. A cada mês daquele ano, cada brasileiro, do recém-nascido ao aposentado, respondeu em média por US$ 7,70 de saldo negativo na conta de viagens.
A queda começou em 2015. O dólar passou de perto de R$ 2,65 no começo do ano para perto de R$ 3,90 em dezembro, e a recessão de 2015 e 2016 cortou renda e emprego. Em dois anos, o déficit por brasileiro caiu quase pela metade.
Em 2020, o fundo da série, os voos internacionais pararam por meses. O déficit por pessoa caiu a US$ 0,90, menos que o de 1995 em dólares da época.
Os valores do gráfico são em dólares correntes, sem correção pela inflação americana. Corrigido, o US$ 1,20 de 1995 passaria de US$ 2 em dólares de 2024, e o recorde de 2014 continuaria o ponto mais alto da série.
O escritor americano Mark Twain viajou pela Europa e pelo Oriente Médio em 1867 e resumiu o efeito da viagem no livro que tirou dela:
|
“Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito.”
Mark Twain, A Viagem dos Inocentes (The Innocents Abroad), 1869
|
O gráfico mede só a parte financeira desse efeito: quanto dinheiro os brasileiros deixaram fora do país, descontado o que os estrangeiros deixaram aqui.
Fonte e método: Banco Central do Brasil, SGS, conta de viagens internacionais do balanço de pagamentos, receitas e despesas anuais de 1995, 2014, 2020 e 2024; IBGE, estimativas de população dos mesmos anos.
|