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US$ 7,70 por brasileiro por mês em viagens lá fora

No Banco Central, o déficit da conta de viagens foi de US$ 1,20 por brasileiro por mês em 1995 a US$ 7,70 em 2014, e caiu depois.

Gráfico do déficit da conta de viagens por brasileiro por mês: 1995 US$ 1,20, 2014 US$ 7,70, 2020 US$ 0,90, 2024 US$ 3,90.

Déficit de viagens por brasileiro, US$ por mês

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US$ 25,6 bilhões em 2014. Foi o que os brasileiros gastaram em viagens ao exterior naquele ano, pelo balanço de pagamentos do Banco Central.

O valor inclui hotel, restaurante, passeio, compra em loja e despesa de estudante e de quem viaja a trabalho. Passagem aérea fica em outra linha, a de transportes, e não entra na soma.

O registro sai todo mês no SGS, o Sistema Gerenciador de Séries Temporais, o banco de dados público do Banco Central. Ali a conta de viagens internacionais aparece em duas colunas, receita e despesa.

A despesa é o dinheiro do brasileiro gasto lá fora. A receita é o dinheiro do estrangeiro gasto aqui, do turista argentino em Florianópolis ao executivo alemão hospedado em São Paulo.

A diferença entre as duas colunas é o saldo. Quando o brasileiro gasta lá fora acima do que o estrangeiro gasta aqui, o saldo fica negativo, e o país fecha a conta em déficit.

O Brasil fecha essa conta no vermelho todos os anos da série. O tamanho do buraco, porém, mudou muito em três décadas, e acompanhou de perto o preço do dólar e a renda das famílias.

Em 1995, primeiro ano completo do Plano Real, a moeda nova valia quase o mesmo que o dólar. A viagem para Miami entrou no orçamento da classe média pela primeira vez.

Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, o país recebeu torcedores de dezenas de seleções. Mesmo assim, o gasto dos brasileiros fora bateu recorde e passou de três vezes o gasto dos estrangeiros aqui.

Em 2020, a pandemia fechou fronteiras e aeroportos. As duas colunas encolheram juntas, e o déficit caiu ao menor nível da série.

Um bilhão de dólares, sozinho, diz pouco a quem paga a conta de casa. Dividido pela população de cada ano e pelos 12 meses, o déficit vira um valor por pessoa, do tamanho de um café na padaria.

A seção I faz essa divisão para quatro anos: o começo do Real, o recorde, o fundo da pandemia e o último ano fechado.

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I  O Gráfico do Dia

De US$ 1,20 a US$ 7,70

Pelo Banco Central, o déficit da conta de viagens internacionais foi de perto de US$ 2,4 bilhões em 1995, US$ 18,7 bilhões em 2014, US$ 2,3 bilhões em 2020 e US$ 10 bilhões em 2024.

Para chegar ao valor por pessoa, a conta usa a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE: perto de 161 milhões em 1995, 203 milhões em 2014, 212 milhões em 2020 e 212,6 milhões em 2024.

O resultado, por brasileiro e por mês, sai em US$ 1,20 em 1995, US$ 7,70 em 2014, US$ 0,90 em 2020 e US$ 3,90 em 2024.

A subida até 2014 foi longa e teve pausa. Entre 1999 e 2003, depois da desvalorização do real em janeiro de 1999, o dólar dobrou de preço, e o déficit por brasileiro encolheu para perto de um terço do valor de 1995.

De 2004 a 2011, o real se valorizou ano após ano, o emprego formal cresceu e o crédito chegou ao cartão de quem nunca tinha tirado passaporte. O déficit por pessoa subiu em todos esses anos.

O pico veio em 2014. A cada mês daquele ano, cada brasileiro, do recém-nascido ao aposentado, respondeu em média por US$ 7,70 de saldo negativo na conta de viagens.

A queda começou em 2015. O dólar passou de perto de R$ 2,65 no começo do ano para perto de R$ 3,90 em dezembro, e a recessão de 2015 e 2016 cortou renda e emprego. Em dois anos, o déficit por brasileiro caiu quase pela metade.

Em 2020, o fundo da série, os voos internacionais pararam por meses. O déficit por pessoa caiu a US$ 0,90, menos que o de 1995 em dólares da época.

Os valores do gráfico são em dólares correntes, sem correção pela inflação americana. Corrigido, o US$ 1,20 de 1995 passaria de US$ 2 em dólares de 2024, e o recorde de 2014 continuaria o ponto mais alto da série.

O escritor americano Mark Twain viajou pela Europa e pelo Oriente Médio em 1867 e resumiu o efeito da viagem no livro que tirou dela:

“Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito.”

Mark Twain, A Viagem dos Inocentes (The Innocents Abroad), 1869

O gráfico mede só a parte financeira desse efeito: quanto dinheiro os brasileiros deixaram fora do país, descontado o que os estrangeiros deixaram aqui.

Fonte e método: Banco Central do Brasil, SGS, conta de viagens internacionais do balanço de pagamentos, receitas e despesas anuais de 1995, 2014, 2020 e 2024; IBGE, estimativas de população dos mesmos anos.

 
 

II  A Conta do Mês

O turista que vem gasta pouco

A segunda conta separa as duas colunas do saldo. O déficit pode crescer porque o brasileiro gasta mais lá fora ou porque o estrangeiro gasta menos aqui.

Em 1995, o brasileiro gastou fora perto de 3,4 vezes o que o estrangeiro gastou no Brasil; em 2014, 3,7 vezes; em 2024, perto de 2,4 vezes.

A tabela mostra as duas colunas do Banco Central, em bilhões de dólares por ano, para os mesmos quatro anos do gráfico.

AnoGasto foraGasto aqui
1995US$ 3,4 biUS$ 1 bi
2014US$ 25,6 biUS$ 6,9 bi
2020US$ 5,4 biUS$ 3 bi
2024US$ 17 biUS$ 7 bi

A receita, o gasto dos estrangeiros aqui, se mexe pouco. Ela ficou perto de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões por ano na maior parte da década de 2010 e voltou a esse patamar depois da pandemia.

A despesa, o gasto dos brasileiros fora, explica quase todo o vaivém do saldo. Ela sobe com o real forte e a renda em alta e despenca com o dólar caro e a recessão.

O número de visitantes ajuda a entender a receita. Pelo Anuário Estatístico de Turismo do Ministério do Turismo, o Brasil recebeu perto de 6,4 milhões de turistas estrangeiros em 2014. Pela Embratur e pelo mesmo ministério, foram perto de 6,6 milhões em 2024, o recorde da série.

Em dez anos, o país ganhou pouco visitante. A Argentina segue como principal origem, seguida por Estados Unidos, Paraguai, Chile e Uruguai, e boa parte do fluxo vizinho vem de carro e fica poucos dias.

A distância pesa na conta. O Brasil fica longe dos grandes emissores de turistas, a Europa e a América do Norte, e o voo longo encarece a viagem de quem vem de lá.

Pelo mesmo motivo, a conta de viagens do Brasil tende ao vermelho mesmo em ano bom para o turismo interno. Para zerar o saldo de 2024, com o mesmo gasto dos brasileiros fora, o país precisaria receber cerca de 2,4 vezes a receita de visitantes que recebeu.

A conta de viagens é uma das linhas da conta corrente, a parte do balanço de pagamentos que reúne comércio de bens, serviços e rendas. O déficit de viagens soma ao déficit de serviços, junto com aluguel de equipamentos e transporte.

Em 2014, o saldo negativo das viagens respondeu por perto de um quinto do déficit em conta corrente do país, que passou de US$ 100 bilhões naquele ano.

 

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III  Refaça a Conta

A conta em 4 passos

Quatro passos refazem o déficit por brasileiro para qualquer ano desde 1995.

1. A receita: no SGS do Banco Central, busque por viagens internacionais, abra a série de receitas e some os 12 meses do ano escolhido.

2. A despesa: na mesma busca, abra a série de despesas e some os mesmos 12 meses.

3. O saldo: subtraia a despesa da receita. O resultado negativo é o déficit do ano, em dólares.

4. A divisão: divida o déficit pela população estimada pelo IBGE naquele ano e depois por 12. O resultado diz quantos dólares, em média, cada brasileiro deixou fora por mês na conta líquida.

Um exemplo com números de teste: US$ 12 bilhões de déficit e 200 milhões de habitantes dão US$ 60 por pessoa no ano, ou US$ 5 por mês.

Para ver a proporção da seção II, divida a despesa pela receita do mesmo ano, sem passar pela população.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da média. O valor por brasileiro espalha o déficit pelo país inteiro, mas a maioria da população não viaja ao exterior em ano nenhum. O gasto real de quem viaja fica muito acima da média.

O segundo trata da moeda. A série vem em dólares, e o brasileiro paga em reais. Para ver o peso no bolso, multiplique o valor pelo dólar médio do ano, que o próprio SGS publica.

O terceiro trata da revisão. Em 2015, o Banco Central passou a seguir a sexta edição do manual de balanço de pagamentos do Fundo Monetário Internacional e reprocessou a série. Valores lidos em reportagens antigas podem diferir dos de hoje.

O SGS também permite descer ao mês. Na série mensal, o gasto dos brasileiros fora sobe em janeiro e em julho, as férias escolares, e cai em fevereiro e em maio.

O SGS fica no portal do Banco Central, com acesso livre e sem cadastro, e exporta as séries em planilha. Com a receita, a despesa e a população de um ano qualquer, os quatro passos dão a conta daquele ano.

US$ 3,90 por brasileiro por mês em 2024. Foi o déficit da conta de viagens internacionais, pelo SGS do Banco Central.

 
 
Quiz da edição

Segundo o Banco Central, qual foi o déficit da conta de viagens por brasileiro, por mês, no auge da pandemia, em 2020?

AUS$ 7,70
BUS$ 3,90
CUS$ 1,20
DUS$ 0,90

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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