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Santa Catarina tem 96 acessos fixos por 100 casas e o Maranhão, 33

Pelo painel da Anatel, a banda larga fixa saiu de 23 para 72 acessos por 100 domicílios entre 2010 e 2024, e a distância entre estados ficou.

Gráfico dos acessos de banda larga fixa por 100 domicílios em 2024: SC 96, DF 91, SP 87, Brasil 72, PA 41, MA 33.

Banda larga fixa por 100 domicílios, 2024

▼
 

33 acessos por 100 domicílios. Foi a densidade da banda larga fixa no Maranhão em 2024, pela conta desta edição com o painel de dados da Anatel e os domicílios contados pelo Censo 2022 do IBGE.

Densidade, no vocabulário da Agência Nacional de Telecomunicações, é a divisão do número de contratos ativos pelo número de casas. Cada contrato de internet por cabo ou fibra conta como um acesso, seja de família, seja de loja.

Do outro lado do mapa, Santa Catarina chega a 96 acessos por 100 domicílios pela mesma conta. Quase toda casa catarinense tem um ponto de internet fixa ligado na parede.

A distância entre os dois estados passa de 60 pontos. Lida de outro jeito, em cada cem casas maranhenses perto de 67 seguem sem contrato fixo, contra 4 em Santa Catarina.

O país inteiro andou rápido. Em 2010, a Anatel registrava perto de 13 milhões de acessos fixos para 57 milhões de domicílios do Censo daquele ano, o que dá 23 por 100.

Em 2024, o painel passou de 50 milhões de acessos. Divididos pelos 72 milhões de domicílios do Censo 2022, a média nacional sobe para perto de 72 por 100, pela conta desta edição.

A média triplicou em catorze anos, e a ordem dos estados quase não mudou. Sul, Sudeste e Distrito Federal seguem no alto da lista; Norte e Nordeste, embaixo.

Sem conexão fixa não quer dizer sem internet. A PNAD Contínua do IBGE de 2023 encontrou internet em 92,5% dos domicílios do país, e na maior parte das casas do Norte e do Nordeste o acesso chega pelo celular, com franquia de dados que acaba antes do mês.

A diferença aparece no uso. Pelo celular dá para mandar mensagem e ver vídeo curto; aula online de duas horas, declaração de imposto e trabalho remoto pedem cabo ou fibra, com velocidade estável e sem cota.

A seção I põe os seis recortes lado a lado na mesma unidade, acessos por 100 domicílios, e mostra de onde veio o salto da média nacional.

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I  O Gráfico do Dia

Seis recortes na mesma unidade

Pela conta desta edição com o painel da Anatel de 2024, Santa Catarina tem 96 acessos fixos por 100 domicílios, o Distrito Federal 91, São Paulo 87, o Brasil 72, o Pará 41 e o Maranhão 33.

O painel de dados da Anatel publica todo mês o número de acessos de cada prestadora, por município, por tecnologia e por velocidade contratada. As empresas mandam os números à agência, e a série nacional começa antes de 2010.

A obrigação de levar o serviço a todos tem base em lei federal. A Lei Geral de Telecomunicações, de 1997, abriu o setor à iniciativa privada e escreveu, logo no começo, o dever do poder público.

“O Poder Público tem o dever de: I, garantir, a toda a população, o acesso às telecomunicações, a tarifas e preços razoáveis, em condições adequadas.”

Congresso Nacional, Lei 9.472, artigo 2º, 1997

A frase de 1997 pensava no telefone fixo. A banda larga só entrou nos planos federais em 2010, com o Programa Nacional de Banda Larga, e a lei nunca a tratou como serviço de obrigação universal, com meta de cobertura imposta às empresas.

Sem essa meta, a rede segue a renda. Santa Catarina tem renda domiciliar acima da média nacional pela PNAD Contínua do IBGE e cidades médias espalhadas pelo território, onde vale a pena puxar cabo.

O Distrito Federal concentra servidores públicos com salário alto numa área pequena. São Paulo soma a maior economia do país e a rede mais antiga das grandes operadoras.

No Pará e no Maranhão, a distância entre as cidades e a renda mais baixa encarecem cada metro de fibra por cliente. Em parte do interior paraense, o cabo chega por rio ou nem chega.

O salto da média nacional veio da fibra óptica, o cabo de vidro que leva o sinal por luz. Pelo painel da Anatel, a fibra até a casa responde hoje por perto de três quartos dos acessos fixos do país.

Quem estendeu boa fatia dessa fibra não foram as grandes operadoras. Foram os provedores regionais, empresas pequenas de uma cidade ou de uma região, que a Anatel chama de prestadoras de pequeno porte e que somam perto de metade dos acessos fixos do país.

Fonte e método: Anatel, painel de dados de acessos de banda larga fixa, dezembro de cada ano; domicílios particulares ocupados dos Censos 2010 e 2022 do IBGE; divisão e arredondamento desta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

820 mil contratos para alcançar a média

Para chegar aos 72 acessos por 100 domicílios da média nacional, o Maranhão precisaria somar perto de 820 mil contratos fixos aos cerca de 700 mil de hoje, pela estimativa desta edição.

A conta parte dos domicílios. O Censo 2022 do IBGE contou perto de 2,1 milhões de casas ocupadas no Maranhão; 33 acessos por 100 dão perto de 700 mil contratos.

Com 72 por 100, o estado teria perto de 1,5 milhão de acessos. A diferença entre os dois números é o tamanho da fila maranhense até a média.

Pela mesma conta, os recortes ficam assim:

Santa Catarina96
Distrito Federal91
São Paulo87
Brasil72
Pará41
Maranhão33

Santa Catarina tem perto de 2,6 milhões de domicílios pelo Censo 2022. Com 96 por 100, são perto de 2,5 milhões de acessos, para uma população pouco maior que a maranhense.

Os dois estados têm entre 6,8 e 7,6 milhões de moradores pelo Censo 2022. A diferença de contratos fixos entre eles fica perto de 1,8 milhão.

O valor do mês dá outra medida. Com um plano de R$ 100 mensais, os 820 mil contratos que faltam ao Maranhão equivalem a perto de R$ 82 milhões por mês que não circulam em internet fixa no estado, pela estimativa desta edição.

O dinheiro não aparece porque a renda não sustenta o plano. Uma família que vive com um salário mínimo gasta R$ 100 por mês em internet e perde perto de 7% do orçamento, antes de comprar comida e pagar luz.

O celular pré-pago ocupa a vaga. A recarga sai mais barata no mês e cabe no bolso de uma semana por vez, mas a franquia acaba, e a casa volta a ficar sem conexão até o próximo crédito.

O governo federal tentou empurrar o mapa pelo leilão do 5G, em 2021. O edital da Anatel trocou parte do valor das faixas por obrigações das vencedoras, como levar fibra a municípios sem rede e conectar escolas públicas.

O Fust, Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, criado em 2000, passou décadas recolhendo dinheiro das contas de telefone sem financiar banda larga. Uma lei de 2020 liberou o uso do fundo para internet, e os primeiros financiamentos a provedores saíram pelo BNDES.

O efeito no painel aparece devagar. A rede nova chega primeiro à sede do município, e o domicílio rural fica para a etapa seguinte, quando ela existe.

 

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III  Refaça a Conta

A densidade do seu estado em 4 passos

1. Os acessos: no painel de dados da Anatel, abra a página de acessos de banda larga fixa, filtre pela UF e pelo mês de dezembro do ano escolhido, e anote o total.

2. Os domicílios: no Sidra, o banco de tabelas do IBGE, busque os domicílios particulares ocupados do seu estado no Censo 2022.

3. A divisão: divida os acessos pelos domicílios e multiplique por 100. O resultado é a densidade, em acessos por 100 casas.

4. A comparação: ponha o seu número ao lado dos 72 da média nacional e dos 96 de Santa Catarina, na mesma unidade.

Com números redondos, o caminho fica assim. Um estado com 1,2 milhão de acessos e 2 milhões de domicílios tem 60 acessos por 100 casas, abaixo da média nacional.

Para saber quantas casas ficam sem contrato fixo, subtraia o resultado de 100. Num estado com 60 por 100, sobram perto de 40 casas em cada cem sem cabo nem fibra, pela leitura aproximada.

Quatro cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata das empresas. O acesso de uma loja, de um escritório ou de uma fábrica entra na mesma soma das casas, e o número de capitais com muito comércio sai inflado.

O segundo trata das casas com dois contratos. Um domicílio com fibra para a família e outra linha para o trabalho conta duas vezes, e a densidade pode passar de 100 sem que toda casa esteja ligada.

O terceiro trata do município. A capital concentra os acessos do estado; no painel da Anatel, filtre também pela cidade e veja quanto chega ao interior.

O quarto trata do domicílio que cresce. O Censo é de 2022; para anos seguintes, o número de casas sobe, e dividir pelos domicílios antigos infla um pouco a densidade.

Com os quatro cuidados anotados, o número do seu estado entra no mesmo gráfico, ao lado dos seis recortes desta edição.

96 acessos por 100 domicílios. Foi a densidade da banda larga fixa em Santa Catarina em 2024 (Anatel, painel de dados; IBGE, Censo 2022).

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Em que ano a fibra óptica passou o cabo coaxial e virou a tecnologia mais usada na banda larga fixa do país?

★ RARO

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EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

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Quiz da edição

Pela conta desta edição com o painel da Anatel, quantos acessos de banda larga fixa por 100 domicílios Santa Catarina tinha em 2024?

A72, igual à média nacional
B87, como São Paulo
C96, quase um acesso por casa
D91, como o Distrito Federal

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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