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R$ 73,50 de ICMS em cada tanque cheio de gasolina
O ICMS fixo de R$ 1,47 por litro definido no Confaz vira R$ 73,50 num tanque de 50 litros e R$ 147 por mês em quem roda 1.000 km.
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ICMS da gasolina por tanque de 50 litros, 2023 a 2025
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R$ 6,30 o litro. Foi em torno desse valor que o levantamento semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo encontrou a média nacional da gasolina comum nas bombas brasileiras em 2026.
O painel da bomba mostra um número só, e o número só esconde uma soma de parcelas com donos diferentes. Parte fica com quem produz o combustível, parte com o etanol anidro misturado, parte com a distribuidora e o posto, parte com a União e parte com os estados.
A parcela estadual mudou de natureza em 2023. Até então o ICMS da gasolina era percentual: uma alíquota aplicada sobre um preço médio de referência, com valor em reais que subia quando o combustível encarecia e caía quando barateava.
Desde 1º de junho de 2023 a cobrança virou monofásica e de valor fixo por litro, definida em convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz, com o mesmo número em reais valendo nas 27 unidades da federação.
A troca tem uma consequência direta no bolso de quem abastece. A parcela estadual deixou de acompanhar o preço da bomba: ela não sobe quando o litro encarece nem recua quando o litro fica mais barato, porque está travada em reais por litro até o Confaz publicar outro convênio.
Por litro, o valor parece miúdo e some no arredondamento do painel da bomba. Ninguém abastece um litro, e é por aí que a percepção se perde.
O tanque muda a escala. O carro de passeio comum leva entre 45 e 55 litros, e o motorista urbano faz esse trajeto até a bomba duas, três, quatro vezes por mês, sempre pagando a mesma parcela fixa em cada litro que entra.
O gráfico de hoje converte o valor por litro fixado em cada convênio para a unidade que aparece no visor da bomba no fim do abastecimento, os reais de um tanque cheio de 50 litros, em três datas de vigência.
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I O Gráfico do Dia
R$ 1,47 por litro, igual nas 27 unidades
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O painel da bomba entrega um preço só. O convênio do Confaz diz quanto daquele litro é cobrança estadual.
O ICMS fixo da gasolina está em R$ 1,47 por litro e cobra R$ 73,50 num tanque cheio de 50 litros. Sobre uma bomba de R$ 6,30 o litro, a parcela estadual responde por 23,3% do preço.
O gráfico tem três barras na mesma unidade. Junho de 2023 fica em R$ 61,00 por tanque cheio. Fevereiro de 2024 sobe para R$ 68,50. Fevereiro de 2025 chega a R$ 73,50.
Cada barra vem de uma multiplicação simples. O valor por litro publicado no convênio do Confaz vigente na data, R$ 1,22, depois R$ 1,37 e depois R$ 1,47, multiplicado pelos 50 litros do tanque de referência.
A escolha do tanque de 50 litros é uma convenção do desenho. Modelos populares vendidos no país trabalham numa faixa de 45 a 55 litros, e adotar um número redondo permite que qualquer leitor refaça a conversão com o volume do próprio carro sem tabela intermediária.
O valor por litro não varia por estado, e essa uniformidade é a novidade do modelo monofásico. Antes de 2023, o mesmo litro pagava parcelas estaduais diferentes conforme a alíquota local e o preço de referência de cada unidade, o que produzia distância grande entre fronteiras.
A parcela em reais também não varia com o preço do posto. Um litro vendido a R$ 5,80 e um litro vendido a R$ 7,20 carregam a mesma cobrança estadual de R$ 1,47, o que faz o peso percentual do imposto cair justamente quando o combustível encarece.
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O peso relativo é a leitura que muda com o preço. A R$ 6,30 o litro a parcela pesa 23,3% da bomba. A R$ 5,80 ela pesa 25,3%. A R$ 7,20 ela recua para 20,4%, sem que nenhum governo tenha alterado uma vírgula da cobrança.
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Vale registrar o que as barras não incluem. Elas não somam a contribuição federal de PIS/Cofins e Cide sobre o combustível, não incluem a margem da distribuidora nem a do posto e não trazem a parcela do etanol anidro misturado na gasolina C vendida ao consumidor.
Elas também não descrevem quanto o estado arrecada por motorista. O convênio define quanto entra por litro, e a repartição entre as unidades da federação segue regra própria de destino, o que não muda o valor cobrado na bomba.
Fonte e método: valor fixo por litro de gasolina definido nos convênios ICMS do Conselho Nacional de Política Fazendária vigentes em junho de 2023, fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, multiplicado por um tanque de referência de 50 litros, com o preço de bomba do levantamento semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo.
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II A Conta do Mês
R$ 147 por mês em quem roda 1.000 km
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Um carro que faz 10 km por litro e roda 1.000 km por mês consome 100 litros e paga R$ 147,00 de ICMS no período. No ano, a parcela estadual soma R$ 1.764,00 nesse mesmo perfil de uso.
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A conta mensal é o que devolve o tamanho verdadeiro da cobrança. O motorista não decide nada olhando R$ 1,47 por litro, e decide bastante quando o número aparece como despesa fixa perto da conta de luz ou da parcela do seguro.
Colocados os perfis de uso na mesma unidade mensal, a escada fica assim:
| 500 km por mês | R$ 73,50 | | 1.000 km por mês | R$ 147,00 | | 1.500 km por mês | R$ 220,50 | | 2.000 km por mês | R$ 294,00 | | 3.000 km por mês | R$ 441,00 |
A escada explica por que a mesma cobrança pesa de formas tão diferentes. Quem usa o carro no fim de semana entrega pouco mais de setenta reais por mês, e quem dirige por aplicativo entrega mais de quatrocentos, com o valor por litro sendo idêntico para os dois.
O consumo do veículo desloca a linha inteira. Um carro que faz 7 km por litro consome 143 litros para os mesmos 1.000 km e paga cerca de R$ 210,00 no mês, quase cinquenta por cento acima do carro que faz 10 km por litro.
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"Todo imposto deve ser cobrado no momento e da maneira em que seja mais provável que convenha ao contribuinte pagá-lo."
Adam Smith, A Riqueza das Nações, ano de 1776
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A frase acima descreve exatamente a vantagem administrativa do modelo fixo por litro. A cobrança acontece uma vez, no início da cadeia, embutida num preço que o consumidor paga sem transação separada, sem guia, sem boleto e sem data de vencimento.
A mesma vantagem cria a invisibilidade que o gráfico tenta desfazer. Um tributo que nunca chega como cobrança separada não disputa atenção com aluguel, mensalidade e prestação, mesmo quando o total anual supera qualquer uma dessas despesas em muitos orçamentos.
A inflação trabalha contra o valor fixo com o tempo. Enquanto o número por litro fica parado no convênio, a alta geral de preços corrói o poder de compra da cobrança, e o reajuste periódico publicado pelo Confaz recompõe o que o período parado tirou.
O etanol e o diesel seguem valores próprios. Cada combustível tem seu número por litro no convênio, e comparar a parcela da gasolina com a de outro combustível sem trocar o valor por litro produz resultado errado por construção.
Cada centavo por litro muda o tamanho da conta agregada. Um centavo adicional por litro, sobre um consumo nacional de gasolina que passa de 40 bilhões de litros por ano, equivale a mais de R$ 400 milhões cobrados em doze meses.
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