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O programa paga por família, mas a lei de entrada mede por pessoa.
O Bolsa Família entrega R$ 7,20 por integrante por dia, contra a linha de extrema pobreza do Cadastro Único, de R$ 3,63 diários. A diferença entre a transferência e a linha de corte é de R$ 3,57 por pessoa por dia.
O gráfico tem três colunas na mesma unidade. A coluna da linha de extrema pobreza para em R$ 3,63. A coluna do Bolsa Família por pessoa sobe para R$ 7,20. A coluna da linha de pobreza chega a R$ 7,27.
A coluna do meio vem de duas divisões encadeadas. O benefício médio de R$ 670 por família é dividido pelos 3,1 integrantes que a família beneficiária tem em média no Cadastro Único, o que devolve R$ 216 por pessoa por mês, e esse valor dividido por trinta dias devolve os R$ 7,20 diários.
A coluna da esquerda vem direto da lei. Os R$ 109 mensais de renda per capita que definem a extrema pobreza, divididos por trinta dias, devolvem R$ 3,63 por pessoa por dia.
A coluna da direita fecha o desenho num lugar desconfortável. Os R$ 218 mensais que marcam o teto da pobreza viram R$ 7,27 por dia, e a coluna do benefício por pessoa para sete centavos abaixo dela.
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O programa faz o que promete e para onde a lei o mandou parar. A transferência dobra a renda de quem estava no piso e empurra a pessoa para fora da extrema pobreza, mas o valor por integrante encosta no teto da pobreza sem atravessá-lo.
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A média esconde dispersão grande dos dois lados. Família com criança pequena recebe o adicional de primeira infância e sobe bem acima dos R$ 7,20 por pessoa; família de adultos sem nenhum adicional fica no piso do programa e desce abaixo disso.
O tamanho da casa é o outro fator de dispersão. O piso do programa é por família, não por pessoa, então cada integrante a mais divide o mesmo valor base por mais gente, e o benefício por pessoa cai à medida que a família cresce.
Vale registrar o que as colunas não mostram. Elas não somam nenhuma outra renda da casa, não incluem o Benefício de Prestação Continuada de quem também recebe, não descontam aluguel e não consideram diferença de preço entre uma cidade cara e uma barata.
Elas também não são renda total. O valor por pessoa aqui é só a transferência do programa, e quase toda família beneficiária tem alguma renda de trabalho, formal ou informal, que entra por cima desse piso.
Fonte e método: benefício médio da folha de pagamento do Bolsa Família divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, dividido pelo número médio de integrantes por família beneficiária registrado no Cadastro Único, com as linhas de renda fixadas pela Lei 14.601 de 2023.
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