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ED 034
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R$ 7,20 por dia é o que o Bolsa Família entrega por pessoa

O benefício médio dividido pelos integrantes da família fica em R$ 7,20 por dia, contra R$ 3,63 da linha de extrema pobreza do Cadastro Único.

Gráfico de colunas em reais por pessoa por dia: R$ 3,63 na linha de extrema pobreza do Cadastro Único, R$ 7,20 no Bolsa Família por integrante e R$ 7,27 na linha de pobreza, com a fonte escrita dentro da imagem.

Bolsa Família por pessoa e as linhas, R$ por dia

 

R$ 670 por família por mês. Foi o valor médio pago pelo Bolsa Família na folha divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, somando o piso do programa aos adicionais por criança, gestante e nutriz.

Esse valor médio circula em toda notícia sobre o programa e não descreve a vida de ninguém. Ele é um total por família, e família no Cadastro Único não tem tamanho fixo: existe quem recebe sozinho e existe quem divide o mesmo depósito com cinco pessoas dentro de casa.

O próprio desenho do programa admite isso. A regra de concessão não olha para o total que entra na casa, olha para a renda dividida pelo número de moradores, o que a legislação chama de renda familiar per capita e o Cadastro Único registra pessoa por pessoa.

Se a porta de entrada é per capita, a saída também precisa ser lida assim. Dividir o benefício médio pelo número médio de integrantes da família beneficiária devolve o único número que se compara direto com a linha de corte do programa, na mesma unidade em que a linha foi escrita.

A conversão para o dia é o segundo passo, e ele é o que faz a cifra parar de ser abstrata. Um valor mensal por pessoa não conversa com nada do cotidiano; o mesmo valor dividido por trinta dias vira almoço, passagem, botijão, e passa a ser comparável com preço de supermercado.

As duas linhas do Cadastro Único aguentam a mesma conversão. A Lei 14.601 de 2023 fixou a extrema pobreza em renda per capita de até R$ 109 por mês e a pobreza na faixa que vai daí até R$ 218, dois valores que também podem ser lidos por dia.

O resultado da divisão é o que o gráfico de hoje mostra. Ele coloca o benefício por integrante e as duas linhas de renda na mesma escala de reais por dia, sem intermediário, e o desenho das três colunas responde uma pergunta que o valor por família nunca responde: o programa tira a pessoa da extrema pobreza, e a deixa exatamente onde.

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I  O Gráfico do Dia

R$ 7,20 contra R$ 3,63 por dia

O programa paga por família, mas a lei de entrada mede por pessoa.

O Bolsa Família entrega R$ 7,20 por integrante por dia, contra a linha de extrema pobreza do Cadastro Único, de R$ 3,63 diários. A diferença entre a transferência e a linha de corte é de R$ 3,57 por pessoa por dia.

O gráfico tem três colunas na mesma unidade. A coluna da linha de extrema pobreza para em R$ 3,63. A coluna do Bolsa Família por pessoa sobe para R$ 7,20. A coluna da linha de pobreza chega a R$ 7,27.

A coluna do meio vem de duas divisões encadeadas. O benefício médio de R$ 670 por família é dividido pelos 3,1 integrantes que a família beneficiária tem em média no Cadastro Único, o que devolve R$ 216 por pessoa por mês, e esse valor dividido por trinta dias devolve os R$ 7,20 diários.

A coluna da esquerda vem direto da lei. Os R$ 109 mensais de renda per capita que definem a extrema pobreza, divididos por trinta dias, devolvem R$ 3,63 por pessoa por dia.

A coluna da direita fecha o desenho num lugar desconfortável. Os R$ 218 mensais que marcam o teto da pobreza viram R$ 7,27 por dia, e a coluna do benefício por pessoa para sete centavos abaixo dela.

O programa faz o que promete e para onde a lei o mandou parar. A transferência dobra a renda de quem estava no piso e empurra a pessoa para fora da extrema pobreza, mas o valor por integrante encosta no teto da pobreza sem atravessá-lo.

A média esconde dispersão grande dos dois lados. Família com criança pequena recebe o adicional de primeira infância e sobe bem acima dos R$ 7,20 por pessoa; família de adultos sem nenhum adicional fica no piso do programa e desce abaixo disso.

O tamanho da casa é o outro fator de dispersão. O piso do programa é por família, não por pessoa, então cada integrante a mais divide o mesmo valor base por mais gente, e o benefício por pessoa cai à medida que a família cresce.

Vale registrar o que as colunas não mostram. Elas não somam nenhuma outra renda da casa, não incluem o Benefício de Prestação Continuada de quem também recebe, não descontam aluguel e não consideram diferença de preço entre uma cidade cara e uma barata.

Elas também não são renda total. O valor por pessoa aqui é só a transferência do programa, e quase toda família beneficiária tem alguma renda de trabalho, formal ou informal, que entra por cima desse piso.

Fonte e método: benefício médio da folha de pagamento do Bolsa Família divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, dividido pelo número médio de integrantes por família beneficiária registrado no Cadastro Único, com as linhas de renda fixadas pela Lei 14.601 de 2023.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 216 por pessoa por mês

Os R$ 7,20 diários por integrante equivalem a R$ 216 por pessoa por mês e a R$ 2.592 por pessoa por ano. Numa família de quatro pessoas, o programa deposita R$ 8.640 ao longo de doze meses, contra R$ 5.232 que a linha de extrema pobreza descreve no mesmo período.

A leitura por dia muda o que a cifra significa. R$ 7,20 é o custo de um almoço simples em cidade média, de duas passagens de ônibus na maioria das capitais ou de um quilo de carne de segunda a cada três dias.

Colocados os valores na mesma unidade diária por pessoa, a escada fica assim:

A escada explica por que o mesmo programa produz experiências tão diferentes. Uma família de dois adultos com uma criança pequena e outra família de cinco adultos recebem depósitos parecidos na conta e vivem realidades de renda por pessoa que não se parecem.

A regra de proteção do piso reforça o desenho. O programa garante um valor mínimo por família independentemente do tamanho dela, e é esse piso que faz o benefício por pessoa despencar nas casas grandes enquanto sustenta as pequenas.

"A pobreza é a privação de capacidades básicas, e não meramente a renda baixa."

Amartya Sen, Desenvolvimento como Liberdade, ano de 1999

A frase acima aponta o limite da própria leitura por dia. R$ 7,20 comprando alimento numa cidade com posto de saúde, escola em tempo integral e transporte funcionando é uma coisa; os mesmos R$ 7,20 onde nada disso existe é outra.

O preço regional entra nessa conta e o programa não. O valor da transferência é o mesmo em todo o país, enquanto a cesta básica varia de forma relevante entre capitais, o que faz o mesmo benefício por pessoa render menos onde o custo de vida é mais alto.

A atualização das linhas é a variável mais lenta do sistema. Os valores de R$ 109 e R$ 218 dependem de decisão do Executivo para mudar, e cada mês em que a inflação corre e as linhas ficam paradas encolhe na prática o corte de entrada do programa.

A distância de sete centavos entre o benefício por pessoa e a linha de pobreza é o dado mais instável do gráfico. Basta um reajuste do piso do programa ou uma atualização das linhas do Cadastro Único para as duas colunas trocarem de posição.

Cada real a mais por integrante muda o tamanho da conta pública. Subir o benefício por pessoa de R$ 7,20 para R$ 8,00 diários custa cerca de R$ 24 por integrante por mês, o que numa base de mais de cinquenta milhões de pessoas atendidas se transforma em bilhões por ano no Orçamento.

 

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III  Refaça a Conta

Calcule o benefício por pessoa da sua família

1. O valor que entra: pegue o extrato do último depósito do Bolsa Família no aplicativo do programa ou no Caixa Tem e anote o valor total pago à família naquele mês, somando piso e adicionais.

2. O número de integrantes: conte quantas pessoas estão cadastradas na mesma família no Cadastro Único, não quantas moram na casa. Vizinho, parente que mora junto mas tem cadastro próprio e pessoa que saiu do domicílio mudam a conta.

3. A divisão por dia: divida o valor pago pelo número de integrantes e depois por trinta. O resultado é quanto o programa entrega por pessoa por dia na sua família, e é o número que se compara direto com os R$ 3,63 da linha de extrema pobreza.

Com o resultado na mão, três verificações mostram de onde ele veio.

A primeira verificação é a composição do benefício. Separe no extrato quanto veio do piso por família e quanto veio dos adicionais por criança, gestante ou nutriz: a parte de adicional some quando a criança muda de faixa etária, e o valor por pessoa cai sem aviso.

A segunda é a data do último cadastro. O Cadastro Único exige atualização a cada dois anos, e família que teve nascimento, mudança de endereço ou saída de morador sem atualizar está recebendo cálculo feito sobre uma composição que já não existe.

A terceira é a renda declarada. Some toda renda de trabalho da casa, divida pelo mesmo número de integrantes e compare com os R$ 218 da linha de pobreza, porque é essa soma, e não o benefício, que decide a permanência no programa.

O uso prático da conta aparece na hora de planejar o mês. Quem trabalha com o valor por pessoa por dia enxerga rápido quanto da alimentação diária o programa cobre e quanto precisa vir de outra fonte.

O uso seguinte aparece na leitura de anúncio de reajuste. Quando o governo anuncia aumento do piso, a conta por integrante mostra o efeito real na sua casa, e um acréscimo que parece grande no total por família fica pequeno depois de dividido por cinco pessoas.

O uso final aparece na conversa pública sobre o programa. Discutir o benefício médio por família compara casas de tamanhos diferentes como se fossem iguais, enquanto o valor por pessoa por dia coloca a transferência na mesma unidade em que a lei escreveu a linha de corte.

R$ 3,57 por pessoa por dia. É a distância entre o Bolsa Família por integrante e a linha de extrema pobreza do Cadastro Único, com o benefício médio da folha do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e as linhas fixadas pela Lei 14.601 de 2023.

"Quanto o Bolsa Família entrega por pessoa por dia na sua família?"

 
 

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