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Pela proposta orçamentária de 2014, as sentenças judiciais da União, entre precatórios e RPVs, somavam R$ 18,5 bilhões. Para 2026, a Secretaria de Orçamento Federal informou R$ 69,7 bilhões.
A divisão de um número pelo outro dá 3,8. Em 12 orçamentos, a conta das sentenças contra a União quase quadruplicou, num período em que o IPCA acumulado ficou perto de 90%.
O caminho da curva tem degraus. Em 2016, a União pagou R$ 30,7 bilhões em sentenças, pela Fipe. Em 2021, R$ 54,9 bilhões. Em 2022, mesmo com o limite das emendas, R$ 58,7 bilhões, já somadas as RPVs, que ficaram fora do limite.
De 2023 em diante, os números vêm da lista de precatórios que os tribunais mandam ao governo a cada ano. Foram R$ 62,2 bilhões para 2023, R$ 63,3 bilhões para 2024 e R$ 74,9 bilhões para 2025, o ponto mais alto da série.
Para 2026, a lista caiu para R$ 69,7 bilhões. Uma revisão posterior da mesma secretaria falou em R$ 71,9 bilhões, sinal de um valor ainda em ajuste até a lei orçamentária sair.
A quantidade de credores subiu junto. Eram 114.211 precatórios na lista de 2023 e 164.012 na de 2026, 49.801 a mais, um acréscimo de 44% em três anos.
O valor médio fez o caminho contrário. Em 2023, cada precatório da lista valia, na média, perto de R$ 545 mil. Em 2026, perto de R$ 425 mil.
Dívida média menor com mais credores aponta para ações em massa. Revisão de benefício do INSS e diferença salarial de servidor geram milhares de precatórios parecidos, cada um de um credor diferente.
O gráfico tem um buraco proposital. O pagamento de R$ 92,4 bilhões de dezembro de 2023 não entra na barra daquele ano, porque saiu por crédito extraordinário, fora da lista de 2023, para quitar o que o limite tinha empurrado.
Somado à lista, o ano de 2023 passaria de R$ 150 bilhões em sentenças, mais que o dobro de qualquer outra barra da série.
Rui Barbosa escreveu, num discurso de formatura lido em 1921, a frase mais citada sobre o atraso da Justiça brasileira:
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“Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.”
Rui Barbosa, Oração aos Moços, 1921
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O precatório começa onde a sentença termina. A frase de Rui Barbosa vale também para o trecho depois do processo, entre a decisão final e o dinheiro na conta.
Fonte e método: proposta orçamentária de 2014 (precatórios e RPVs); valores pagos de 2016, 2021 e 2022 pela Fipe; listas de precatórios de 2023 a 2026 pela Secretaria de Orçamento Federal. Valores nominais, sem correção pela inflação.
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