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ED 035
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R$ 16,15 por habitante é o que o furto de celular custa em São Paulo

A taxa paulista de 950 aparelhos roubados e furtados por 100 mil habitantes vira R$ 16,15 por morador por ano ao preço de reposição.

Gráfico de barras em reais por habitante por ano: R$ 2,04 no Piauí, R$ 6,46 na Bahia, R$ 8,18 no Brasil, R$ 9,69 no Rio de Janeiro, R$ 11,90 no Distrito Federal e R$ 16,15 em São Paulo, com a fonte escrita dentro da imagem.

Furto de celular por estado, R$ por habitante/ano

 

R$ 977.163 aparelhos. Foi quanto o Fórum Brasileiro de Segurança Pública contabilizou de celulares roubados e furtados no país no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, com ano-base 2023, somando os boletins registrados nas polícias civis das 27 unidades da federação.

O total nacional impressiona e não serve para comparar estado com estado. São Paulo tem mais de 44 milhões de moradores e o Piauí não chega a 3,4 milhões: qualquer contagem bruta coloca o estado grande no topo por tamanho de população, não por risco de perder o aparelho.

O Anuário resolve metade do problema ao publicar a taxa por 100 mil habitantes. Ela põe as 27 unidades na mesma base populacional e responde a pergunta que a contagem bruta não responde, que é onde o morador tem mais chance de sair da rua sem o celular.

A outra metade do problema é a unidade. Taxa por 100 mil habitantes não é uma medida que alguém use para decidir alguma coisa: ninguém compra seguro, escolhe bairro ou tranca o aparelho pensando em ocorrências por cem mil pessoas.

A conversão para dinheiro é o que traz a taxa para o terreno da decisão. Cada aparelho registrado como roubado ou furtado precisa ser substituído, e o preço dessa substituição existe, é público e tem fonte: a IDC Brasil apurou o preço médio do smartphone vendido no país em 2024.

Multiplicar a taxa pelo preço de reposição e dividir pela população devolve um número por morador por ano. Ele não é uma conta que chega na casa de ninguém, e é exatamente por isso que funciona como escala: mede quanto o crime retira de patrimônio por cabeça, no mesmo formato de uma taxa municipal ou de uma conta mensal.

O gráfico de hoje faz essa conversão para seis linhas, cinco estados e a média nacional, todos na mesma unidade de reais por habitante por ano. O desenho separa o país em duas realidades que a taxa por 100 mil habitantes já indicava e que o dinheiro torna impossível de ignorar.

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I  O Gráfico do Dia

R$ 16,15 contra R$ 2,04 por morador

A contagem bruta premia o estado grande. A taxa por 100 mil habitantes mostra onde o aparelho some.

São Paulo aparece com R$ 16,15 por habitante por ano em celular roubado e furtado, contra R$ 2,04 do Piauí. A distância entre o topo e a base da amostra é de quase oito vezes.

O gráfico tem seis barras na mesma unidade. O Piauí para em R$ 2,04. A Bahia sobe para R$ 6,46. A média nacional fica em R$ 8,18. O Rio de Janeiro chega a R$ 9,69, o Distrito Federal a R$ 11,90 e São Paulo a R$ 16,15.

Cada barra vem de duas operações encadeadas. A taxa do estado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em aparelhos por 100 mil habitantes, é multiplicada pelo preço médio de reposição e o produto é dividido pelos mesmos 100 mil habitantes.

A barra de São Paulo mostra a conta inteira. A taxa paulista fica em torno de 950 aparelhos por 100 mil habitantes por ano; multiplicada por R$ 1.700 de preço médio, devolve R$ 1,6 milhão a cada 100 mil moradores, o que dividido por essa mesma população dá os R$ 16,15 por cabeça.

A barra do Piauí usa a mesma régua e chega em outro país. Uma taxa perto de 120 aparelhos por 100 mil habitantes, ao mesmo preço de reposição, produz R$ 2,04 por morador por ano.

A média nacional cai onde era esperado, mais perto do meio da amostra do que do topo. Os 481 aparelhos por 100 mil habitantes que o Anuário registra para o país inteiro viram R$ 8,18 por habitante, metade do valor paulista.

A ordem das barras não é a mesma da contagem bruta de ocorrências. Estados com população pequena e taxa alta sobem quando a base é por 100 mil habitantes, e estados grandes com taxa média descem, o que muda quem aparece no topo da lista.

O preço de reposição é constante em todas as barras e isso é uma escolha de método. O aparelho médio subtraído numa capital rica não é o mesmo aparelho médio de uma cidade pequena, mas usar um preço único isola a variável que o gráfico quer medir, que é a frequência do crime.

Vale registrar o que as barras não incluem. Elas não somam o dinheiro em conta acessado por aplicativo depois do roubo, não contam a hora de trabalho perdida no boletim de ocorrência e não incluem o custo do bloqueio, da segunda via do chip e da recuperação de dados.

Elas também não corrigem subnotificação. Um furto sem violência costuma virar boletim quando o dono precisa do documento para o seguro ou para o bloqueio, e a diferença de hábito de registro entre estados entra nas barras sem aviso.

Fonte e método: taxas de roubo e furto de celular por 100 mil habitantes publicadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, com ano-base 2023, convertidas pelo preço médio do smartphone vendido no país apurado pela IDC Brasil em 2024.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 1,66 bilhão saindo do bolso por ano

Os 977.163 aparelhos do Anuário multiplicados pelo preço médio de reposição somam cerca de R$ 1,66 bilhão em patrimônio subtraído em um ano. Numa família de quatro pessoas em São Paulo, os R$ 16,15 por habitante viram R$ 64,60 por ano.

A leitura por morador muda o que a cifra significa. R$ 16,15 é menos que uma recarga mensal de celular pré-pago, e é essa pequenez aparente que explica por que o assunto sai da conversa pública mesmo quando a taxa sobe.

Colocados os valores na mesma unidade anual por morador, a escada fica assim:

São PauloR$ 16,15
Distrito FederalR$ 11,90
Rio de JaneiroR$ 9,69
BrasilR$ 8,18
BahiaR$ 6,46
PiauíR$ 2,04

A escada explica por que o mesmo país produz percepções tão diferentes. O morador de São Paulo convive com uma frequência de subtração quase oito vezes maior que a do morador do Piauí, e as duas experiências viram a mesma frase genérica sobre insegurança no noticiário nacional.

A concentração urbana reforça o desenho. A taxa estadual mistura capital e interior, e nas regiões metropolitanas a frequência sobe acima da média do próprio estado, o que empurra o valor por morador de quem vive na cidade grande para muito além dos R$ 16,15.

"A oportunidade não é apenas um fator menor entre muitos; a oportunidade faz o ladrão."

Marcus Felson e Ronald Clarke, Opportunity Makes the Thief, ano de 1998

A frase acima aponta o que o preço de reposição carrega por dentro. O celular concentra valor alto num objeto leve, carregado na mão, na rua, várias vezes por dia, e essa combinação de valor com exposição é o que sustenta a frequência que o gráfico mede.

O mercado de revenda entra nessa conta e o gráfico não. O aparelho subtraído vale dinheiro em peça, em desbloqueio ou em exportação, e é a existência desse mercado que transforma o crime em atividade econômica em vez de episódio isolado.

A subnotificação é a variável mais instável do sistema. Estados que facilitaram o registro por internet passaram a capturar ocorrências que antes não viravam boletim, e parte da diferença entre as barras mede burocracia, não criminalidade.

O preço médio dos aparelhos é a outra variável em movimento. Cada ano em que o preço médio do smartphone vendido no país sobe aumenta o valor por morador mesmo com a taxa parada, porque a mesma quantidade de furtos passa a custar mais para repor.

Cada real a mais por morador muda o tamanho da conta agregada. Um real adicional por habitante por ano, num país de mais de 200 milhões de pessoas, equivale a mais de R$ 200 milhões em aparelhos que precisam ser comprados de novo.

 

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III  Refaça a Conta

Calcule a perda por morador da sua cidade

1. A taxa do seu estado: abra a tabela de roubo e furto de celular do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e anote a taxa por 100 mil habitantes da sua unidade da federação.

2. O preço de reposição: pegue o preço do modelo que você usa hoje, no valor de compra de um aparelho novo equivalente. Use o seu preço, não o preço médio nacional: quem carrega aparelho de R$ 4.000 tem exposição diferente de quem carrega um de R$ 900.

3. A conta por morador: multiplique a taxa pelo seu preço de reposição e divida por 100 mil. O resultado é quanto o roubo e furto de celular subtrai por morador por ano no seu estado, medido pelo aparelho que você tem no bolso.

Com o resultado na mão, três verificações mostram de onde ele veio.

A primeira verificação é o ano-base. O Anuário publica os dados do ano anterior, e comparar a taxa de um ano com o preço de aparelho de outro infla ou desinfla o resultado sem que o crime tenha mudado.

A segunda é a separação entre roubo e furto. As duas categorias entram somadas na conta e descrevem situações diferentes: o roubo envolve ameaça ou violência e concentra-se em rua e transporte, o furto acontece sem contato e concentra-se em evento, bar e transporte lotado.

A terceira é a base populacional. A taxa por 100 mil usa a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para o ano, e estado que teve revisão populacional recente muda de posição no ranking sem que o número de ocorrências tenha se mexido.

O uso prático da conta aparece na decisão sobre seguro de aparelho. Comparar o prêmio anual cobrado pela seguradora com o valor por morador do seu estado mostra em quanto a seguradora está precificando o seu risco acima da média local.

O uso seguinte aparece na leitura de anúncio de política pública. Quando um governo divulga queda percentual em roubo de celular, a conversão para reais por morador mostra o tamanho do efeito no patrimônio, e uma queda que soa grande em porcentagem às vezes devolve poucos reais por cabeça.

O uso final aparece na comparação entre cidades. Quem cogita mudar de estado por trabalho ou estudo consegue colocar a diferença de segurança numa unidade comparável com aluguel, transporte e salário, em vez de decidir por reputação.

R$ 14,11 por morador por ano. É a distância entre São Paulo e o Piauí na conversão do roubo e furto de celular em dinheiro, com as taxas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o preço médio do smartphone apurado pela IDC Brasil em 2024.

"Quanto o roubo e furto de celular subtrai por morador no seu estado?"

 
 

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No gráfico da edição, qual valor por habitante por ano o roubo e furto de celular representa em São Paulo?

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