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Os 86 meses do 1º gigawatt de painel solar no Brasil

A Aneel levou até 2019 para registrar 1 GW de geração distribuída. Em 2025 eram 38 GW, perto de 190 watts por brasileiro.

Gráfico de colunas com os meses que o Brasil levou para somar cada gigawatt de geração distribuída na Aneel: 86 meses até o 1º em 2019, 5 até o 5º, 2 até o 10º, 1,2 até o 20º e 1,4 até o 38º em 2025, com a fonte escrita dentro da imagem.

Meses por gigawatt de geração distribuída, 2012 a 2025

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86 meses. Foi o tempo que o Brasil levou, de abril de 2012 a junho de 2019, para somar o primeiro gigawatt (1 bilhão de watts) de geração distribuída registrado na Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Geração distribuída é o nome técnico da energia produzida perto de onde ela é consumida: o painel solar no telhado da casa, no galpão da fazenda, na cobertura do supermercado. A porta foi aberta pela Resolução Normativa 482, que a Aneel publicou em 17 de abril de 2012.

A resolução criou o sistema de compensação (a energia que sobra durante o dia vira crédito na conta de luz). Quem instalasse painéis podia mandar o excedente para a rede da distribuidora e abater o valor nas faturas dos meses seguintes.

Nos primeiros anos, pouca gente conseguiu fechar a conta. O painel era caro, o financiamento era raro e as distribuidoras demoravam para aprovar a ligação. No fim de 2015, o país inteiro tinha menos de 2 mil sistemas conectados, pelos registros da própria Aneel.

A agência revisou a regra em novembro de 2015, com a Resolução Normativa 687. O prazo para usar os créditos subiu para 60 meses, e vizinhos, condomínios e cooperativas passaram a poder dividir uma mesma usina. Os módulos, importados quase todos da China, ficavam mais baratos a cada ano.

Depois do primeiro gigawatt, o ritmo mudou de escala. Em 2022, o país chegou a somar perto de 1 gigawatt por mês, puxado pela corrida para garantir as regras antigas antes da Lei 14.300, sancionada em 6 de janeiro daquele ano.

Em meados de 2025, a potência registrada no painel de geração distribuída da Aneel passava de 38 gigawatts. A usina de Itaipu tem 14 gigawatts; a de Belo Monte, 11. Somadas, as duas cabem nos telhados e terrenos do país com folga de 13 gigawatts.

O gráfico desta edição mede a aceleração em meses por gigawatt. A conta seguinte divide a potência pela população de cada estado, em watts por habitante.

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I  O Gráfico do Dia

De 86 meses a 5 semanas por gigawatt

O primeiro gigawatt de geração distribuída levou 86 meses para aparecer nos registros da Aneel; em 2022, o país somava um gigawatt a cada 5 a 6 semanas, e o ritmo seguiu nessa faixa até 2025, pela conta desta edição com o painel da agência.

A primeira coluna marca os 86 meses entre a Resolução 482, de abril de 2012, e o primeiro gigawatt, em junho de 2019. Foram 7 anos e 2 meses de adoção lenta, concentrada em casas de renda alta e em pequenos comércios.

A segunda coluna mostra o trecho entre o primeiro e o quinto gigawatt, fechado no começo de 2021. Nesse intervalo, a média caiu para 5 meses por gigawatt: a pandemia de 2020 não parou as instalações, e a conta de luz mais cara empurrou a procura.

A terceira coluna, de 2 meses por gigawatt, cobre a chegada aos 10 gigawatts, no começo de 2022. É o período da Lei 14.300, o marco legal da geração distribuída, que fixou prazo para quem quisesse manter as regras antigas.

A lei deu 12 meses de carência. Quem pedisse a ligação até 7 de janeiro de 2023 ficaria com a compensação integral até 2045. Quem chegasse depois pagaria, aos poucos, o Fio B (a parte da tarifa que remunera o uso da rede da distribuidora).

O prazo virou corrida. Instaladores venderam o ano de 2022 inteiro com o argumento da data-limite, e as distribuidoras receberam pedidos de ligação em volume recorde nos últimos meses antes do corte.

O primeiro gigawatt pediu 86 meses. Em 2022, o país somou um gigawatt a cada 5 a 6 semanas.

A quarta coluna, de 1,2 mês por gigawatt, registra o trecho até os 20 gigawatts, alcançados em 2023. A velocidade quase não caiu depois do prazo: o preço do painel seguiu em queda e a conta ainda fechava com o Fio B parcial.

A quinta coluna, de 1,4 mês, cobre a subida até os 38 gigawatts de meados de 2025. O ritmo se manteve na casa de um gigawatt a cada mês e meio, doze anos depois da primeira regra.

Quase toda essa potência é solar. Pelo painel da Aneel, as usinas fotovoltaicas (as que transformam luz em eletricidade) somam mais de 98% da geração distribuída registrada; biogás, vento e pequenas hidrelétricas dividem o resto.

Fonte e método: potência acumulada no painel de geração distribuída da Aneel, pela data de conexão de cada sistema; meses por gigawatt calculados pela média de cada trecho entre os marcos; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

Mato Grosso tem 16 vezes os watts do Amapá

Dividida pela população do Censo 2022 do IBGE, a geração distribuída brasileira dá perto de 190 watts por habitante; Mato Grosso passa de 600, e o Amapá fica abaixo de 40, pela conta desta edição com o painel da Aneel de 2025.

Um painel solar residencial vendido no Brasil em 2025 tem, em geral, potência entre 550 e 600 watts. Na média nacional, cada brasileiro tem um terço de placa em algum telhado ou terreno do país.

A distribuição entre os estados é desigual. A potência se concentra onde há sol forte, tarifa cara e renda para pagar a instalação, e rareia onde falta uma dessas três condições.

Mato Grosso lidera a conta. O estado tem 3,66 milhões de habitantes pelo Censo 2022 e perto de 2,3 gigawatts de geração distribuída, o que dá perto de 630 watts por morador. Fazendas de grãos usam painéis para abastecer pivôs de irrigação, secadores e silos.

Minas Gerais tem a segunda maior potência absoluta do país, atrás de São Paulo. Dividida pelos 20,5 milhões de mineiros, a conta fica perto de 240 watts por habitante, acima da média nacional.

São Paulo lidera em gigawatts, e a população de 44,4 milhões de pessoas dilui o total. Na capital e na região metropolitana, a maior parte das famílias mora em prédios, sem telhado próprio para instalar painel.

Mato Grossoperto de 630 watts por habitante
Minas Geraisperto de 240 watts por habitante
Brasilperto de 190 watts por habitante
São Pauloperto de 120 watts por habitante
Amapámenos de 40 watts por habitante

O Amapá fecha a lista por dois motivos. O estado só foi ligado ao Sistema Interligado Nacional, a rede que conecta as usinas do país, em 2015, e a renda média dos moradores fica entre as menores do Brasil pelo IBGE.

“Eu apostaria o meu dinheiro no Sol e na energia solar.”

Thomas Edison, citado por James Newton em Uncommon Friends (Amigos Incomuns), 1987

Newton registrou a frase numa conversa de 1931 entre Edison, Henry Ford e Harvey Firestone. No Brasil, a aposta foi feita em milhões de telhados, e o mapa de watts por habitante mostra quem conseguiu entrar nela.

A expansão tem custo para quem ficou fora. Parte do uso da rede por quem tem painel é paga pela CDE, a Conta de Desenvolvimento Energético (o fundo de subsídios que todo consumidor financia na tarifa), e a Lei 14.300 fixou a transição que reduz esse subsídio até 2029.

Para os sistemas ligados depois de janeiro de 2023, a cobrança do Fio B começou em 15% em 2023 e sobe a cada ano, pelo cronograma da própria lei. Quem instalou antes do prazo segue com a regra antiga até o fim de 2045.

 

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III  Refaça a Conta

Os watts da sua cidade em 3 passos

1. A potência: abra o painel de geração distribuída no site da Aneel, filtre pelo seu estado ou município e anote a potência instalada, em quilowatts (1 quilowatt = 1.000 watts).

2. A população: abra a página IBGE Cidades, digite o nome do município e anote a população do Censo 2022.

3. A conta: multiplique a potência em quilowatts por 1.000 para chegar aos watts e divida pela população. O resultado é a potência de geração distribuída por morador.

Um exemplo com Mato Grosso: 2,3 gigawatts são 2,3 milhões de quilowatts, ou 2,3 bilhões de watts. Divididos por 3.658.649 habitantes, dão 629 watts por pessoa, os 630 do quadro.

Um exemplo com o país: 38 bilhões de watts divididos por 203.080.756 habitantes do Censo 2022 dão 187 watts, os perto de 190 da média nacional.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do endereço. O painel da Aneel registra o município onde a usina está; pelo autoconsumo remoto (o crédito gerado num endereço e usado em outro), uma fazenda solar no interior pode abater a conta de lojas na capital.

O segundo trata da unidade. Potência instalada é a capacidade máxima dos painéis sob sol pleno; a energia produzida no mês depende das horas de sol, da inclinação da placa e da sujeira sobre ela, e fica bem abaixo da capacidade vezes as horas do mês.

O terceiro trata da data. O painel da Aneel é atualizado com frequência, e a potência de um município cresce de um mês para outro; anote o dia da consulta junto com o número.

Com a conta pronta, compare a sua cidade com os 190 watts da média do país. O resultado mostra se os telhados da vizinhança estão à frente ou atrás do Brasil.

38 gigawatts. Foi a potência de geração distribuída registrada no Brasil em meados de 2025, treze anos depois da Resolução 482 (Aneel, painel de geração distribuída, 2025).

"Quantos watts de painel solar a sua cidade tem por morador?"

 
 
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