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Os 5,9 milhões do desemprego e os 14,7 da subutilização
No trimestre de abril a junho, o IBGE contou 5,9 milhões de desocupados e 14,7 milhões de subutilizados, e entre as duas séries cabem 8,8 milhões.
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Desocupados, subocupados e potenciais, IBGE, jun/2026
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Para entrar na estatística de desemprego do IBGE não basta estar sem trabalho. É preciso ter feito algo efetivo para conseguir uma vaga nos últimos trinta dias e estar disponível para começar na semana em que o entrevistador passa na casa.
Quem não procurou sai da conta. Quem procurou e não podia começar naquela semana sai da conta. Quem trabalhou uma hora que fosse, sem carteira e sem contrato, entra como ocupado e também sai da conta.
A régua não é invenção brasileira. Ela segue a definição da Organização Internacional do Trabalho, adotada pelos institutos de estatística de quase todo o mundo, e existe para que a taxa de um país possa ser comparada com a de outro.
O preço da comparação é a estreiteza. A taxa de desocupação mede uma coisa só, e mede bem: quem está fora do trabalho e batendo em portas. Ela não foi desenhada para medir quem parou de bater nem quem entrou e ficou com meio expediente.
O próprio IBGE publica, no mesmo dia e no mesmo documento, uma segunda régua. A taxa composta de subutilização soma três grupos e devolve um retrato mais largo do mesmo trimestre.
O primeiro grupo é o dos subocupados por insuficiência de horas: gente que trabalhou menos de quarenta horas na semana, queria trabalhar mais e estava disponível para assumir a hora a mais.
O segundo é a força de trabalho potencial: quem queria trabalhar e não procurou, ou quem procurou e não podia começar naquela semana.
Dentro dele mora o desalento, o nome técnico de quem desistiu de procurar por não achar vaga na região, por não ter a qualificação exigida ou por ser jovem demais ou velho demais para o que estava aberto.
O terceiro grupo é o dos desocupados, o mesmo da primeira régua. As duas taxas saem do mesmo questionário, aplicado nos mesmos domicílios, no mesmo trimestre, e a diferença entre elas não é de opinião: é de definição.
O gráfico de hoje põe os três grupos e o total lado a lado, em milhões de pessoas, com a fonte do IBGE escrita dentro da imagem. A distância entre a primeira barra e a última é o que o resto da edição transforma em reais.
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I O Gráfico do Dia
Quatro barras que somam 14,7 milhões
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Duas réguas oficiais, o mesmo trimestre e os mesmos domicílios.
No trimestre de abril a junho de 2026, o IBGE contou 5,9 milhões de desocupados e 14,7 milhões de subutilizados. A primeira série virou a taxa de desocupação de 5,4%, a menor da série histórica. A segunda virou a taxa composta de subutilização de 12,9%.
A diferença entre os dois totais é de 8,8 milhões de pessoas. É quase exatamente a população do Ceará no Censo de 2022, um estado inteiro contado numa série e ausente da outra.
Os 14,7 milhões se dividem em três grupos que não se sobrepõem. São 5,9 milhões de desocupados, 4,1 milhões de subocupados por insuficiência de horas e 4,7 milhões na força de trabalho potencial. A soma fecha no total publicado.
Dentro dos 4,7 milhões da força potencial estão 2,3 milhões de desalentados, gente que queria trabalhar e parou de procurar. O contingente encolheu 395 mil pessoas em um trimestre, queda de 14,7% sobre os 2,7 milhões de janeiro a março.
Os denominadores das duas taxas também são diferentes, e é aí que a conta costuma escapar. A desocupação divide os 5,9 milhões pela força de trabalho, 108,9 milhões de pessoas, e chega a 5,4%.
A subutilização divide os 14,7 milhões pela força de trabalho somada à força potencial, 113,6 milhões, e chega a 12,9%.
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Duas frações diferentes, calculadas sobre a mesma pesquisa.
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A distância entre as duas encolheu no ano. De janeiro a março a desocupação estava em 6,1% e a subutilização em 14,3%, oito pontos e dois décimos de diferença. Agora são 7,5 pontos.
O pico da série dá a escala do movimento. No trimestre encerrado em agosto de 2020, a subutilização chegou a 30,6% com a desocupação em 14,4%, uma distância de 16,2 pontos entre as duas réguas.
Do outro lado da conta está a ocupação. São 103,1 milhões de pessoas trabalhando, com nível de ocupação de 58,8%, contra 66,5 milhões fora da força de trabalho.
A composição dessa ocupação explica parte da subutilização. São 39,4 milhões de empregados com carteira no setor privado, 13,2 milhões sem carteira, 26,1 milhões por conta própria e 13 milhões no setor público.
Fonte e período: taxa de desocupação, taxa composta de subutilização e contingentes por grupo, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, trimestre móvel de abril a junho de 2026. A força potencial é o resíduo entre o total de subutilizados e a soma dos outros dois grupos. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
Os 8,8 milhões valem R$ 32,9 bilhões por mês
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Os 8,8 milhões que separam as duas séries valem R$ 32,9 bilhões por mês quando recebem o rendimento médio do trabalho no trimestre, R$ 3.738. É a mesma pesquisa, no mesmo período, com duas definições diferentes.
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A conta tem duas entradas. O contingente de cada grupo e o rendimento médio real habitual do trabalho principal, que o IBGE mediu em R$ 3.738 no trimestre, com alta de 2,8% em doze meses.
A primeira entrada é o contingente da manchete. Os 5,9 milhões de desocupados multiplicados por R$ 3.738 dão R$ 22,1 bilhões por mês, o tamanho da lacuna que a taxa de 5,4% descreve.
A segunda entrada é o resto. Os 8,8 milhões que só aparecem na régua larga, multiplicados pelo mesmo rendimento, dão R$ 32,9 bilhões por mês, uma vez e meia o valor do primeiro grupo.
Somados, os 14,7 milhões de subutilizados chegam a R$ 54,9 bilhões mensais. É o teto aritmético do que o trimestre deixou na mesa, medido pela média de quem já está trabalhando.
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"A força de trabalho potencial é composta pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade que não estavam ocupadas nem desocupadas na semana de referência, mas que possuíam potencial de se transformar em força de trabalho."
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, Notas Técnicas, 2022
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Os R$ 32,9 bilhões se abrem em duas metades desiguais. Os 4,7 milhões da força potencial não recebem rendimento do trabalho, e para eles os R$ 17,6 bilhões por mês são valor cheio, não estimativa por cima.
Os 4,1 milhões de subocupados são outro caso. Eles já recebem alguma coisa, e o que falta ali é hora trabalhada, não emprego, então os R$ 15,3 bilhões atribuídos ao grupo são um limite superior, nunca a lacuna real.
A escala aparece na comparação com a massa. O rendimento habitual de todos os ocupados somou R$ 380,3 bilhões no trimestre, com alta de 3,6% em doze meses, e os R$ 32,9 bilhões equivalem a 8,7% desse total.
O mesmo exercício com a manchete devolve número menor. Os R$ 22,1 bilhões dos desocupados representam 5,8% da massa de rendimentos, quase a metade do que a série larga aponta.
O ano multiplica o que o mês esconde. Os R$ 32,9 bilhões viram R$ 394,7 bilhões em doze meses, mantido o mesmo contingente e o mesmo rendimento médio de R$ 3.738.
A conta tem uma ressalva que muda o resultado. O rendimento médio é a média de quem já está ocupado, e quem volta ao mercado depois de um período parado costuma reentrar por vagas de remuneração mais baixa.
O número acima é, portanto, um limite superior, e não uma previsão. Ele serve para ordenar a grandeza, mostrar que a diferença entre as duas réguas não é detalhe de metodologia e cabe na casa das dezenas de bilhões por mês.
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