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No ritmo da última década, o Brasil leva perto de 42 anos para levar a coleta de esgoto de 56% a 90% da população.
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A conta desta seção usa só subtração e divisão. A diferença entre o dado de 2022 e o de 2012 dá o ganho da década. O ganho dividido por 10 dá o passo anual.
De 48,3% para 56%, o ganho foi de 7,7 pontos. Dividido por 10, dá 0,77 ponto por ano. Arredondado, 0,8.
Até a meta de 90%, faltam 34 pontos. Divididos por 0,8, dão 42,5 anos. Somados a 2022, levam a coleta a 90% por volta de 2064.
| Meta de 90% | por volta de 2064 | | Meta de 99% | por volta de 2076 | | Prazo da lei | 2033 |
Para chegar a 90% em 2033, o país teria de ganhar 34 pontos em 11 anos. Dá perto de 3,1 pontos por ano, quase quatro vezes o passo medido pelo SNIS.
Em gente, o passo de 0,8 ponto corresponde a perto de 1,7 milhão de pessoas a mais com rede por ano, com a população do Censo 2022 do IBGE, de 203 milhões. Para cumprir 2033, o número teria de subir para perto de 6,3 milhões por ano.
O tratamento conta outra parte. A parcela do esgoto gerado que passa por estação foi de 52% em 2022 no SNIS, contra perto de 39% em 2012. Ganhou perto de 13 pontos na década, um passo mais rápido que o da coleta.
Mesmo assim, faltam 38 pontos até 90%. No passo de 1,3 ponto por ano, o tratamento chegaria à meta por volta de 2051.
O dinheiro mede a distância de outro jeito. O Plano Nacional de Saneamento Básico, o Plansab do Ministério das Cidades, estimou em sua revisão de 2019 um investimento de perto de R$ 600 bilhões até 2033 para água e esgoto. O SNIS registrou investimentos anuais na casa dos R$ 20 bilhões nos últimos anos da série.
A lei de 2020 apostou na concessão (o contrato que entrega o serviço a uma empresa por décadas, com metas escritas) para acelerar o ritmo. Leilões como o da Cedae, no Rio de Janeiro, em 2021, puseram metas de 2033 em contrato.
O efeito ainda não aparece na série. Obra de esgoto leva anos entre o contrato e a primeira ligação, e o dado mais recente do SNIS é de 2022.
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