In partnership with

Gráfico do Dia   Gráfico do Dia
ED 014

O consignado do INSS custa 1,80% e o crédito pessoal, 6,04%

O teto mensal do consignado do INSS fica 4,24 pontos abaixo da taxa média do crédito pessoal comum medida pelo Banco Central.

Gráfico de barras comparando três taxas de juro ao mês para pessoa física: teto do consignado do INSS em 1,80%, crédito pessoal não consignado em 6,04% e cheque especial em 7,71%, com a fonte escrita dentro da imagem.

Consignado, crédito pessoal e cheque especial ao mês

 

O extrato do benefício do INSS traz uma linha que quase ninguém lê no dia do pagamento: a margem consignável. Ela informa quanto do valor mensal pode sair antes de o dinheiro chegar à conta, retido pelo próprio pagador do benefício.

Quem empresta dentro dessa margem entrega ao banco uma garantia rara no Brasil. A parcela não depende de o cliente lembrar do boleto, não depende de emprego e não desaparece quando o mês aperta, porque ela é descontada na origem.

Por causa dessa garantia, o Conselho Nacional de Previdência Social fixa um teto de juro para o consignado do INSS. É um dos poucos créditos do país com limite de taxa definido por norma, revisado periodicamente e válido para todo banco autorizado a operar a linha.

Fora dessa margem existe o crédito pessoal comum, sem desconto automático e sem teto nenhum. O banco cobre no preço o risco de não receber, e o preço aparece na série que o Banco Central publica todo mês com a taxa média praticada pelo sistema financeiro.

As duas linhas fazem a mesma operação básica: dinheiro na conta hoje, devolvido em parcelas mensais. O que muda entre elas não é o produto contratado, é o caminho pelo qual a parcela sai do bolso de quem pegou o dinheiro.

A maior parte das pessoas compara empréstimo pela parcela que cabe no mês, e não pela taxa mensal. As duas leituras levam a decisões opostas, porque parcela pequena costuma significar prazo longo, e prazo longo multiplica qualquer diferença de juro.

Quando as duas taxas entram no mesmo eixo, a distância deixa de ser uma linha escondida no contrato e vira um múltiplo. O múltiplo responde uma pergunta simples: quantas vezes o mesmo dinheiro custa mais de um lado do que do outro.

O gráfico de hoje coloca lado a lado o teto mensal do consignado do INSS, a taxa média do crédito pessoal não consignado e a taxa média do cheque especial, todas em percentual ao mês e no mesmo período.

O resto da edição transforma essa distância em reais dentro de um empréstimo de R$ 5.000,00 em 24 parcelas e devolve a divisão para você refazer com o contrato que está na sua mão.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Gráfico do Dia

1,80% ao mês contra 6,04% ao mês

Duas taxas medem a mesma operação de crédito e terminam em patamares que não se encostam.

O teto do consignado do INSS está em 1,80% ao mês, contra uma taxa média de 6,04% ao mês no crédito pessoal não consignado. A distância entre os dois números é de 4,24 pontos percentuais por mês.

Em um ano, a diferença deixa de parecer pequena. O teto de 1,80% ao mês equivale a 23,87% ao ano, e os 6,04% ao mês do crédito pessoal comum equivalem a 102,13% ao ano sobre o saldo devedor.

A terceira série do gráfico serve de fundo de escala. O cheque especial de pessoa física roda a 7,71% ao mês, ou 143,82% ao ano, e é o preço que o banco cobra de quem não contrata nada e só deixa a conta ficar negativa.

O consignado do INSS é a única das três com limite definido fora do banco. O conselho que administra a previdência fixa o teto, publica a decisão e os bancos operam abaixo dele ou não operam a linha.

O limite existe porque o risco é pequeno. O desconto acontece antes do crédito do benefício, o pagador é o próprio INSS e a inadimplência dessa carteira fica muito abaixo da média do crédito livre para pessoa física.

O que separa as duas taxas não é o perfil do cliente. A mesma pessoa, com o mesmo benefício e o mesmo histórico, paga 1,80% ou 6,04% ao mês conforme a parcela seja descontada do benefício ou cobrada por boleto e débito em conta.

A margem consignável tem tamanho definido. São 35% do valor do benefício para empréstimo, mais 5% para cartão de crédito consignado e mais 5% para cartão de benefício, o que fecha em 45% do que entra por mês.

Quem já ocupou a margem inteira e precisa de dinheiro cai automaticamente na taxa de fora. É por isso que a série do crédito pessoal comum importa para quem recebe do INSS, mesmo com o teto existindo no papel.

A taxa média do Banco Central também esconde uma dispersão grande. Dentro dos 6,04% cabem instituições que cobram menos de 4% ao mês de um cliente antigo e outras que passam de 9% ao mês em uma contratação feita pelo aplicativo em cinco minutos.

Fonte e método: teto de juro do empréstimo consignado do INSS fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social e vigente em julho de 2026; taxas médias mensais de crédito pessoal não consignado e cheque especial para pessoa física apuradas pelo Banco Central em julho de 2026; equivalente anual calculado por juro composto. O eixo do gráfico começa no zero.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 3.395,28 a mais em 24 parcelas

Um empréstimo de R$ 5.000,00 em 24 parcelas sai por R$ 258,40 ao mês no teto do consignado do INSS e por R$ 399,87 ao mês na taxa média do crédito pessoal comum. São R$ 141,47 a mais por mês na segunda opção.

O total pago muda de tamanho junto com a parcela. Pelo consignado, as 24 prestações somam R$ 6.201,60. Pelo crédito pessoal comum, somam R$ 9.596,88 pelo mesmo dinheiro liberado no mesmo dia.

A diferença entre os dois totais é de R$ 3.395,28. Vale mais do que a metade do valor emprestado, e ela aparece inteira dentro de dois anos de pagamento.

Isolando só o juro, a distância fica mais nítida. O consignado cobra R$ 1.201,60 de juro no período, e o crédito pessoal cobra R$ 4.596,88 pelos mesmos R$ 5.000,00 em 24 meses.

O juro do crédito pessoal comum é 3,8 vezes o do consignado no mesmo prazo. É o número que a comparação de parcela nunca mostra, porque a parcela dilui a diferença em 24 pedaços pequenos.

"O tomador de empréstimo tem direito à informação prévia e adequada sobre o custo efetivo total da operação, expresso em taxa percentual anual."

Resolução 3.517 do Conselho Monetário Nacional, artigo 1º, publicada em 6 de dezembro de 2007

O custo efetivo total existe justamente para reunir juro, tarifa, imposto e seguro em um número só. Ele está na proposta de crédito, costuma vir em corpo pequeno e é o único campo que permite comparar duas ofertas de bancos diferentes.

No cheque especial, o mesmo valor teria outro desenho. Os R$ 5.000,00 a 7,71% ao mês, em 24 parcelas, dariam R$ 463,46 por mês e R$ 11.123,04 no total, com R$ 6.123,04 de juro.

A margem consignável limita quanto dessa parcela cabe no benefício. Sobre um benefício de um salário mínimo de R$ 1.621,00, os 35% de margem para empréstimo dão R$ 567,35 por mês.

A parcela de R$ 258,40 do consignado ocupa menos da metade dessa margem. A de R$ 399,87 do crédito pessoal comum não passa pela margem coisa nenhuma, porque ela é cobrada por fora e concorre com a conta de luz, o mercado e o remédio.

Nesse benefício de R$ 1.621,00, a parcela do crédito pessoal comum come 24,7% do que entra no mês. A do consignado come 15,9%, e a diferença de 8,8 pontos é o pedaço do benefício que muda de dono só pelo tipo de contrato assinado.

O prazo trabalha contra quem paga a taxa mais alta. Esticar o mesmo empréstimo de 24 para 48 parcelas derruba a prestação do crédito pessoal para cerca de R$ 328,00, e leva o total pago para perto de R$ 15.700,00.

No consignado, o mesmo alongamento é menos violento. A prestação cai para perto de R$ 178,00 e o total pago fica em torno de R$ 8.550,00 nas 48 parcelas, quase metade do que a linha sem desconto no benefício cobraria.

Nenhuma dessas contas depende de negociação. Elas dependem do lugar onde o contrato foi assinado, e esse lugar é a única variável que quem toma o empréstimo controla antes de aceitar a proposta.

Quem banca a edição de hoje

125,000+ podcasts, transcribed and searchable in minutes.

Particle transcribes 125,000+ podcasts where executives, officials, and analysts talk candidly and publicly, transcribed and queryable within minutes of airing.

Watch a company, a person, or a theme with the Particle API and get alerts whenever they're mentioned.

Particle is built by former Twitter and Tesla engineers, using an AI-native transcription pipeline that delivers high accuracy and extensive data enrichment.

O clique de apoio mantém a edição gratuita

 
 

III  Refaça a Conta

Divida o total pago pelo valor liberado

1. Os dois números: pegue o valor que caiu na sua conta e o valor da parcela multiplicado pelo número de prestações do contrato. O segundo é o total que você devolve até o fim.

2. O custo por real: divida o total que você devolve pelo valor que entrou. O resultado diz quantos reais você paga por cada real emprestado, e ele não depende de você entender taxa nenhuma.

3. A comparação: compare com 1,24. É o custo por real de um consignado do INSS no teto, em 24 parcelas, e serve de régua para qualquer proposta que chegue com prazo parecido.

No exemplo da edição, o consignado devolve R$ 6.201,60 sobre R$ 5.000,00 liberados, o que fecha em 1,24 real por real. O crédito pessoal comum devolve R$ 9.596,88, o que fecha em 1,92 real por real.

A conta funciona com qualquer valor e qualquer prazo, desde que os dois contratos comparados tenham o mesmo número de parcelas. Prazo diferente muda o resultado sem que a taxa tenha mudado.

Três avisos antes de refazer a divisão em casa. O primeiro é o valor liberado: use o que caiu na conta, não o valor escrito no alto do contrato, porque tarifa e imposto costumam entrar antes do depósito.

O segundo é o seguro prestamista. Quando ele é embutido, a parcela sobe sem que a taxa de juro mude, e o custo por real captura esse acréscimo enquanto a taxa anunciada não captura.

O terceiro é a portabilidade. Um consignado já contratado pode ser transferido para outro banco que ofereça taxa menor, com o mesmo saldo devedor e sem custo de contratação nova.

Vale medir também em salários. Os R$ 4.596,88 de juro do crédito pessoal comum, sobre um benefício de R$ 1.621,00, equivalem a 2,8 meses de benefício pagos ao banco em dois anos.

Se a proposta que está na sua mão for de refinanciamento, some o que já foi pago no contrato antigo antes de dividir. Refinanciar antes do fim costuma devolver caixa hoje e alongar o custo por real de forma que a parcela menor esconde.

Com o número na mão, a conversa com o banco muda de assunto. Você deixa de perguntar quanto fica a parcela e passa a perguntar quanto devolve no total, que é a única pergunta com uma resposta só.

Pegue o contrato agora e faça a divisão. Se o resultado passar de 1,24 com prazo parecido, você está pagando pela ausência do desconto no benefício, e o tamanho exato desse preço está no número que a divisão devolveu.

"Quantos reais você devolve por cada real que o banco liberou?"

 
 
Guia Gráfico do Dia · Novo
Capa do guia A Régua do Juro

A Régua do Juro

A tabela que ordena as linhas de crédito do seu banco e mostra qual delas custa o dobro da vizinha.

Quero o guia →
 
Quiz da edição

Quantas vezes o juro mensal do crédito pessoal não consignado supera o teto do consignado do INSS?

A1,4 vezes
B2,2 vezes
C3,4 vezes
D6,0 vezes
Veja o ranking de quem mais acerta →
 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📈📈📈📈📈  ótima 📈📈📈📈  boa 📈📈📈  ok 📈📈  ruim 📈  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Arte do Dia

Arte do Dia

Receba uma obra de arte com a história humana por trás. Dois minutos de leitura. Todo dia às 06:06, direto na sua caixa de entrada.

Quero receber 

 
Indique e destrave

Chame mais um leitor pra curva

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

    
você123

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 3}} pra próxima recompensa

 3
EDIÇÃO
Colecionador
 
DO MÊS
🥇
Edição de Colecionador do mês
 5
ebook A Régua do Juro
ebook A Régua do Juro
 10
ebook O Olho de Geógrafo
ebook O Olho de Geógrafo

Pegar meu link de indicação 

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

dias de ofensiva!

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Estreante}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
Continuar ofensiva
 
Seu ouro
{{moedas | 0}} na carteira

como ganhar mais

abrir +1 · quiz +3 · clique +5 · subir de patente +10 a +100

Troque seu ouro por prêmios digitais do acervo.

Abrir a loja
 
 
 

Refaça com o seu número.

Gráfico do Dia

GRÁFICO DO DIA

O número engana. A série mostra

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter