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O Brasil tem 9 milhões de fumantes a menos desde 1989

Pelo Vigitel, os adultos fumantes nas capitais caíram de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023. Quem estudou menos fuma mais.

Gráfico dos adultos fumantes nas capitais pelo Vigitel: 15,7% em 2006, 12,1% em 2012, 9,8% em 2019 e 9,3% em 2023.

Adultos fumantes nas capitais, 2006 a 2023

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34,8%. Foi a proporção de brasileiros adultos fumantes em 1989, pela Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição, feita pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição com o IBGE.

Era mais de um adulto em cada três. No ônibus, na fila do banco e na mesa da repartição havia cigarro aceso, e ninguém pedia licença para acender. Médico fumava no consultório, e professor fumava na sala de aula.

Trinta anos depois, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE com o Ministério da Saúde, encontrou perto de 12,8% de adultos usuários de tabaco. A proporção encolheu para pouco mais de um terço do que era.

Só que proporção engana quando a população cresce. Em 1989, o Brasil tinha perto de 84 milhões de adultos, e 34,8% deles dão perto de 29 milhões de fumantes. Em 2019, o IBGE estimou perto de 20 milhões de usuários de tabaco, num universo de perto de 160 milhões de adultos.

A diferença entre os dois totais fica perto de 9 milhões de pessoas. São 9 milhões de fumantes a menos em números absolutos, mesmo com o país somando perto de 75 milhões de adultos novos no período.

Para chegar a esse resultado, o país não tirou o cigarro da prateleira. Mexeu no preço, na propaganda, no maço e no lugar onde se pode fumar. Cada medida tem lei e ano, e as faixas abaixo mostram o efeito delas na curva.

A queda também não foi igual para todo mundo. Quem passou menos anos na escola fuma, hoje, mais que o dobro de quem chegou ao diploma universitário, e a distância entre os dois grupos não fechou com o tempo. A segunda faixa traz os números desse recorte.

O gráfico de hoje acompanha a parte mais recente da descida, pelo inquérito telefônico do Ministério da Saúde nas capitais, de 2006 a 2023.

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NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

He’s pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: farming. 

DIT AgTech is already putting AI to work with 500+ units deployed and 370,000 head on-platform.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

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I  O Gráfico do Dia

Dezessete anos de descida nas capitais

A resposta de ontem

Qual tributo arrecadou a maior fatia da carga em 2023?

O ICMS, o imposto estadual sobre a circulação de mercadorias e serviços. Pelo estudo Carga Tributária no Brasil da Receita Federal, ele rendeu perto de 7% do PIB em 2023, cerca de um quinto de toda a carga, à frente das contribuições ao INSS e do Imposto de Renda.

Pelo Vigitel, do Ministério da Saúde, os adultos fumantes nas capitais eram 15,7% em 2006, 12,1% em 2012, 9,8% em 2019 e 9,3% em 2023.

O Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) liga todo ano para dezenas de milhares de adultos nas 26 capitais e no Distrito Federal e pergunta, entre outros hábitos, se o entrevistado fuma.

Os quatro pontos mostram duas velocidades. De 2006 a 2012, a proporção perdeu 3,6 pontos em seis anos. De 2012 a 2023, perdeu 2,8 pontos em onze anos, e nos últimos quatro a linha quase parou.

A descida rápida tem lei com número. A Lei nº 12.546, de 2011, proibiu fumar em ambiente coletivo fechado em todo o país, acabou com os fumódromos e criou um preço mínimo para o maço. A regulamentação entrou em vigor em dezembro de 2014.

O preço pesou ainda mais. A mesma lei mudou a cobrança do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre o cigarro, e o imposto subiu em degraus até 2016. A Organização Mundial da Saúde, no relatório sobre a epidemia global de tabaco de 2015, aponta o aumento de impostos como a medida de maior efeito sobre o consumo.

As medidas mais antigas prepararam o terreno. A Lei nº 9.294, de 1996, começou a restringir a propaganda, e em 2000 a publicidade em TV, rádio, jornal e revista foi proibida. Em 2002, o Brasil passou a estampar imagens de advertência no maço, o segundo país do mundo a fazer a exigência.

O platô recente também tem explicação provável. Depois de 2016, o imposto parou de subir acima da inflação, e o cigarro contrabandeado do Paraguai, vendido abaixo do preço mínimo, ganhou espaço. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) acompanha o avanço do produto ilegal em estudos próprios.

Há ainda um produto novo, medido à parte. O cigarro eletrônico, com venda proibida pela Anvisa desde 2009, aparece no Vigitel em pergunta separada, e a série do gráfico acompanha só o fumante de tabaco.

Tanta lei tem um marco científico na origem. Em 1950, dois epidemiologistas britânicos, Richard Doll e Austin Bradford Hill, compararam pacientes com câncer de pulmão e pacientes com outras doenças em hospitais de Londres e concluíram:

“Fumar é um fator, e um fator importante, na produção do carcinoma do pulmão.”

Richard Doll e Austin Bradford Hill, Smoking and Carcinoma of the Lung, British Medical Journal, 1950

O carcinoma (tumor maligno que nasce no tecido de revestimento do órgão) virou o centro de uma série de pesquisas que, décadas depois, sustentou a Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, ratificada pelo Brasil em 2005.

Fonte e método: adultos fumantes nas capitais e no Distrito Federal, Vigitel, Ministério da Saúde, edições de 2006 a 2023; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

Quem fuma, quanto fuma e onde estudou

A fatia de fumantes caiu em todas as faixas de estudo, mas quem não completou o ensino fundamental ainda fuma mais que o dobro de quem tem diploma.

O cálculo desta faixa começa nos totais. Proporção vezes população dá o número de fumantes; a diferença entre dois anos dá quantos deixaram de fumar ou nunca começaram.

Em 1989: 34,8% de perto de 84 milhões de adultos, perto de 29 milhões de fumantes. Em 2019: 12,8% de perto de 160 milhões, perto de 20 milhões. A diferença, perto de 9 milhões.

Se a proporção de 1989 tivesse ficado parada, o Brasil de 2019 teria perto de 56 milhões de fumantes. Contra esse cenário, a queda evitou perto de 36 milhões.

198934,8%, 29 milhões
200615,7%, capitais
201315%, PNS
201912,8%, 20 milhões
20239,3%, capitais

A tabela junta duas pesquisas diferentes. A PNS é domiciliar e nacional, com entrevista na casa; o Vigitel é telefônico e cobre só as capitais. Por esse motivo, os anos do Vigitel aparecem sem total absoluto.

Agora o recorte por escolaridade. Pela PNS de 2019, os usuários de tabaco eram perto de 17% entre os adultos sem instrução ou com o fundamental incompleto. Entre os que concluíram o ensino superior, perto de 7%.

O Vigitel mostra o mesmo desenho nas capitais: a fatia de fumantes cai degrau a degrau conforme sobem os anos de estudo, em todas as edições desde 2006.

A explicação mais citada junta renda e informação. O imposto alto pesa mais no bolso de quem ganha menos, mas é nessa faixa que o cigarro ilegal, mais barato, circula mais. E a campanha de saúde costuma chegar primeiro a quem lê mais.

Falta medir quanto cada fumante fuma. A Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab), feita pelo IBGE com o Inca em 2008, encontrou perto de 13 cigarros por dia em média entre os fumantes diários de cigarro industrializado.

Com essa média, a proporção vira volume. Perto de 20 milhões de fumantes vezes 13 cigarros dá perto de 260 milhões de cigarros por dia no país, ou 13 milhões de maços de 20 unidades.

É uma estimativa com teto: aplica a média de 2008 ao total de 2019, e nem todo usuário de tabaco fuma todo dia. O número real tende a sair abaixo.

Em 1989, com 29 milhões de fumantes na mesma média, o volume diário passaria de 370 milhões de cigarros.

 

Quem banca a edição de hoje

The Popcorn Brand Turning Heads and Raising Capital

What does it look like when a consumer brand starts to break out?

Popsmith generated $5.8M in revenue in 2025 and is projecting $9M in 2026, with more than 100,000 customers and $20M+ in lifetime sales.

The brand has already earned national recognition through Oprah’s Favorite Things and partnerships with Costco, Sur La Table, and Williams Sonoma, where Popsmith is rolling out nationwide this holiday season.

Now Popsmith is raising capital to accelerate its next stage of growth, and individual investors have the opportunity to become shareholders.

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III  Refaça a Conta

A sua capital em 4 passos

1. A proporção: no site do Ministério da Saúde, abra o relatório do Vigitel mais recente e anote a fatia de fumantes da sua capital.

2. A população: no Sidra, o banco de tabelas do IBGE, anote a população adulta da capital no Censo de 2022.

3. Os fumantes: multiplique a população adulta pela proporção. O resultado é o número aproximado de fumantes da cidade.

4. Os cigarros: multiplique os fumantes por 13, a média da Petab de 2008, e divida por 20 para ter os maços por dia.

Com números redondos, o caminho fica assim. Uma capital com 1 milhão de adultos e 9,3% de fumantes tem 93 mil fumantes. Vezes 13, dá 1,2 milhão de cigarros por dia. Divididos por 20, perto de 60 mil maços.

Para uma comparação grosseira com 1989, aplique 34,8% à mesma população. A cidade teria 348 mil fumantes, 255 mil a mais.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da cobertura. O Vigitel entrevista só adultos das capitais e do Distrito Federal, e o resultado não se aplica ao interior do estado. Para o estado inteiro, use a PNS, que visita domicílios do país todo.

O segundo trata do telefone. Por anos, o Vigitel ligou só para telefone fixo e corrigiu a amostra com pesos estatísticos; nas edições recentes, passou a incluir o celular. Comparar anos de métodos diferentes pede cautela.

O terceiro trata da resposta. As pesquisas perguntam, não medem. Quem fuma tende a declarar menos cigarros do que fuma, e a média de 13 por dia é um piso provável. Os totais de fumantes, por outro lado, dependem menos da memória do entrevistado.

“Quantos fumantes a sua capital perdeu desde 2006?”

9 milhões de fumantes a menos. Foi a diferença entre 1989 e 2019 (PNSN de 1989 e PNS de 2019, IBGE).

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual país estampou imagens de advertência no maço de cigarro antes do Brasil?

 
 
Quiz da edição

Pela Lei nº 12.546, o que aconteceu com os fumódromos e o preço mínimo do maço quando a regulamentação entrou em vigor em dezembro de 2014?

AOs fumódromos foram ampliados e o preço mínimo foi suspenso
BOs fumódromos acabaram e foi criado um preço mínimo para o maço
CSó a propaganda em TV e rádio foi proibida, sem mexer no preço
DO IPI caiu e os fumódromos viraram obrigatórios em prédios públicos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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