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O Brasil registrou 125 homicídios por dia em 2023

O SIM do DataSUS conta os homicídios desde 1980. A taxa bateu o pico em 2017 e caiu um terço até 2023.

Gráfico de linha com a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Brasil: 11,7 em 1980, 28,9 em 2003, 31,6 em 2017 e 21,2 em 2023.

Homicídios por 100 mil habitantes, 1980 a 2023

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45.747 homicídios em 2023. Foi o total que o Atlas da Violência 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contou no Brasil com base no SIM do DataSUS.

O SIM é o Sistema de Informações sobre Mortalidade, a base do Ministério da Saúde que reúne as declarações de óbito do país. Toda pessoa que fica sem vida em território brasileiro deveria gerar uma declaração, preenchida por um médico ou, nos casos violentos, pelo Instituto Médico Legal.

A declaração traz a causa básica codificada pela CID-10, a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. Os homicídios ficam nos códigos X85 a Y09, que a CID chama de agressões, somados aos códigos de intervenção legal, quando a vítima cai numa ação da polícia.

A série começa em 1980 porque é o primeiro ano com a base nacional organizada no formato que o DataSUS publica hoje. Quarenta e quatro anos de registro permitem ver o país inteiro numa linha só.

Dividir 45.747 pelos 365 dias de 2023 dá perto de 125 homicídios por dia. Uma escola de bairro com cinco turmas de 25 alunos tem esse tamanho.

O número de 2023 é menor que o de qualquer ano entre 2008 e 2019, pelo próprio Atlas. Ainda assim, coloca o Brasil entre os países com mais homicídios em números absolutos no mundo, segundo o Estudo Global sobre Homicídios do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, edição de 2023.

O total absoluto engana quando a população cresce. Por esse ajuste, o gráfico usa a taxa por 100 mil habitantes: o número de homicídios dividido pela população e multiplicado por 100 mil. Assim, um ano de 1980, com 119 milhões de brasileiros, pode ser comparado com um ano de 2023, com mais de 200 milhões.

A seção I percorre os quatro anos que o gráfico escolhe, a II converte o total em dias e meses, e a III mostra como baixar os dados do DataSUS e refazer a taxa do seu estado.

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I  O Gráfico do Dia

Quatro anos que desenham a curva

Pelo SIM do DataSUS, a taxa de homicídios era de 11,7 por 100 mil em 1980, chegou a 28,9 em 2003, bateu 31,6 em 2017 e desceu para 21,2 em 2023.

O gráfico escolhe quatro pontos de uma série de 44 anos. 1980 abre o registro. 2003 marca o ano do Estatuto do Desarmamento. 2017 é o pico. 2023 é o dado completo mais recente publicado pelo Atlas da Violência.

Em 1980, o Mapa da Violência, série de estudos coordenada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, contou 13.910 homicídios no SIM. A taxa de 11,7 por 100 mil já superava a de países da Europa Ocidental, que ficava abaixo de 2.

Nos 23 anos seguintes, a taxa mais que dobrou. As cidades cresceram depressa, o tráfico de drogas se organizou nas periferias das capitais e a circulação de armas de fogo aumentou. Em 2003, o Mapa da Violência registrou 51.043 homicídios e taxa de 28,9.

Em dezembro de 2003, o Congresso aprovou a Lei 10.826, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu o porte de armas e abriu campanhas de entrega voluntária. A taxa nacional recuou nos dois anos seguintes e depois voltou a subir, puxada pelo Norte e pelo Nordeste.

“É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria.”

Lei 10.826, Estatuto do Desarmamento, artigo 6º, 2003

A subida durou até 2017. Naquele ano, o Atlas da Violência 2019 contou 65.602 homicídios e taxa de 31,6 por 100 mil, a maior da série. Estados como Rio Grande do Norte, Acre e Ceará passaram de 60 por 100 mil, segundo o mesmo Atlas.

O pico coincidiu com a guerra entre as duas maiores facções do país, o Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, que romperam a aliança em 2016. O conflito se espalhou pelos presídios e pelas periferias do Norte e do Nordeste.

De 2018 a 2023, a taxa caiu quase sem parar. Em 2023, o Atlas da Violência 2025 registrou 45.747 homicídios e taxa de 21,2. A queda em relação a 2017 foi de perto de um terço.

O próprio Atlas aponta uma ressalva. Parte das mortes violentas chega ao SIM como causa indeterminada, quando o legista não consegue dizer se houve agressão, acidente ou lesão autoprovocada. O Atlas chama essa parcela de homicídios ocultos e calcula que ela cresceu nos últimos anos, o que faz a queda oficial parecer maior que a real.

Fonte e método: taxa de homicídios por 100 mil habitantes no SIM do DataSUS, códigos X85 a Y09 e intervenção legal da CID-10, conforme compilada no Mapa da Violência e no Atlas da Violência; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

Do total do ano ao relógio do dia

Em 2017, o Brasil teve perto de 180 homicídios por dia; em 2023, perto de 125, uma diferença de 55 por dia.

A conta desta seção é uma divisão só. O total do ano, dividido por 365, dá a média diária. Dividido por 12, dá a média mensal. Nenhuma das duas é o número de um dia real, mas as duas traduzem o total para uma escala que cabe na rotina.

Em 2017, os 65.602 homicídios divididos por 365 dão perto de 180 por dia. Divididos por 12, dão perto de 5.470 por mês.

Em 2023, os 45.747 homicídios divididos por 365 dão perto de 125 por dia. Divididos por 12, dão perto de 3.810 por mês.

2017≈ 180 por dia
2023≈ 125 por dia
Diferença≈ 55 por dia

A diferença anual entre 2017 e 2023 soma perto de 19.900 homicídios. Uma cidade como Pirenópolis, em Goiás, tem cerca de 25 mil moradores pelo Censo 2022 do IBGE.

A média diária esconde a distribuição pelo calendário. O Atlas da Violência mostra que a maior parte dos homicídios acontece à noite e nos fins de semana, e que as vítimas são, em grande maioria, homens jovens e negros.

A média nacional também esconde a geografia. Em 2023, pelo Atlas da Violência 2025, o Amapá ficou perto de 57 por 100 mil, a maior taxa do país, e São Paulo ficou perto de 7, a menor.

A diferença entre os dois estados é de oito vezes. O morador de Macapá e o de Campinas vivem sob a mesma média nacional, e nenhum dos dois mora nela.

A explicação para a queda desde 2017 divide os pesquisadores. O Atlas da Violência 2025 cita a trégua relativa entre facções, o envelhecimento da população, já que há menos jovens entre 15 e 29 anos, e programas estaduais de segurança com metas por área, como o Pacto pela Vida, de Pernambuco.

Nenhum estudo mede o peso exato de cada fator. Os autores do Atlas dizem com todas as letras que a queda tem várias causas sobrepostas e que a separação entre elas exige dados de investigação policial que o SIM não traz.

O SIM registra a causa da morte, nunca o autor nem o motivo. Quem quer saber quantos casos viraram inquérito ou condenação precisa de outra base, como os anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que usam boletins de ocorrência das polícias.

 

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III  Refaça a Conta

A taxa do seu estado em 4 passos

1. Os homicídios: abra o Tabnet, a ferramenta de consulta do DataSUS, e entre em Estatísticas Vitais, Mortalidade desde 1996 pela CID-10.

2. O filtro: escolha a linha Unidade da Federação, a coluna Ano do Óbito e, na seleção de causas, o grupo Agressões, de X85 a Y09. Anote o total do seu estado no ano mais recente.

3. A população: no portal do IBGE, abra as estimativas de população por estado do mesmo ano, ou o Censo 2022 se o ano for 2022.

4. A taxa: divida o número de homicídios pela população e multiplique por 100 mil.

Com os dados nacionais de 2023, a conta fica assim. 45.747 divididos por 203 milhões, a população do Censo 2022, multiplicados por 100 mil, dão perto de 22,5.

O Atlas publica 21,2 para o mesmo ano. A diferença vem do denominador. O Atlas usa a projeção de população do IBGE, que para 2023 ficava acima de 215 milhões, e a projeção maior derruba a taxa.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do atraso. O SIM fecha cada ano com cerca de dois anos de defasagem, porque os estados ainda corrigem declarações depois do envio. O número do ano mais recente no Tabnet costuma subir um pouco nas revisões.

O segundo trata da causa indeterminada. Some também os códigos Y10 a Y34, os eventos cuja intenção não foi determinada, e compare os dois totais. Se a parcela indeterminada do seu estado for grande, a taxa de homicídios fica subestimada.

O terceiro trata do lugar. O Tabnet permite escolher entre o município de residência da vítima e o município onde ela foi atingida. Para a taxa do seu estado, use a residência, que é o critério do Atlas.

Com a conta pronta, você sabe se o seu estado fica acima ou abaixo dos 21,2 nacionais, e quanto ele andou desde o pico de 2017.

“Quantos homicídios por dia o seu estado registrou no ano mais recente do Tabnet?”

125 homicídios por dia. Foi a média do Brasil em 2023 (Atlas da Violência 2025, Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do SIM do DataSUS).

 
 
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Segundo o gráfico da edição, em que ano a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Brasil bateu o maior valor da série?

A1980
B2003
C2017
D2023

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