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O Brasil registra 48 divórcios por hora

Pelo Registro Civil do IBGE, os divórcios saíram de 30,8 mil em 1984 para 420 mil em 2022, e o casamento desfeito dura perto de 14 anos.

Gráfico dos divórcios no Brasil pelo Registro Civil do IBGE: 30,8 mil em 1984, 179 mil em 2007, 351 mil em 2011 e 420 mil em 2022.

Divórcios no Brasil, 1984 a 2022

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420 mil divórcios. Foi o total que as Estatísticas do Registro Civil, do IBGE, contaram no Brasil em 2022, o maior da série publicada desde 1984.

Dividido pelas 8.760 horas do ano, o número dá perto de 48 divórcios por hora. Enquanto a água de um café passa pelo filtro, algum casal encerra o casamento num cartório ou numa vara de família do país.

Em 1984, o mesmo levantamento contou perto de 30,8 mil divórcios. Eram 3,5 por hora. O total de 2022 ficou perto de 14 vezes maior, num país cuja população não chegou a dobrar no período.

O salto acompanha mudanças na lei, uma atrás da outra, e cada mudança tirou um degrau do caminho até a separação. Em 1984, o divórcio tinha só sete anos de existência legal no Brasil e exigia, antes dele, anos de separação comprovada.

No mesmo intervalo, o trâmite mudou de endereço. Boa parte dos casais sem filhos menores deixou o fórum e passou a assinar o divórcio no cartório, com advogado e escritura, em poucas semanas.

Os casamentos contam outra parte da história. Em 2022, o Registro Civil anotou perto de 970 mil casamentos civis. Para cada 100 casamentos do ano, saíram perto de 43 divórcios.

Os dois grupos não são as mesmas pessoas. Quem se divorciou em 2022 tinha casado, em média, mais de uma década antes, e quem casou em 2022 só aparece na estatística de divórcio daqui a muitos anos, se aparecer.

A duração média também encolheu. Em 2010, o casamento desfeito tinha durado perto de 16 anos até a sentença ou a escritura. Em 2022, perto de 14 anos. A segunda faixa abre esse cálculo e mostra o alcance real dele.

O gráfico de hoje acompanha os divórcios em quatro anos escolhidos, todos logo depois de uma mudança da lei. A faixa abaixo conta qual regra mudou em cada degrau da curva.

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Cities Are Running Out of Salt Before Winter Even Starts

Road salt is one of those things nobody thinks about until plow trucks come back empty, and this year that's happening before the first snowfall. Some cities haven't gotten a single bid for winter supply, while others are paying nearly double last year's price. 

North America doesn't mine enough of its own, which is why it ships in 8 to 10 million tonnes from places like Egypt and Chile, two weeks away by boat.

Atlas Salt (TSXV: SALT | OTCQX: SALQF) is building a mine in Newfoundland near a deepwater port where ships can reach Boston in three days. With salt, the real cost is in shipping, and CEO Nolan Peterson says the difference is so big that overseas producers could give their salt away and still come out more expensive than Atlas. The project is shovel-ready and projected to generate roughly C$188 million a year in free cash flow.

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I  O Gráfico do Dia

Quatro mudanças na lei, quatro saltos na curva

A resposta de ontem

Qual país pôs imagens no maço antes do Brasil?

O Canadá. Em dezembro de 2000, o governo canadense passou a exigir fotos de advertência cobrindo metade da frente e do verso do maço, a primeira regra do tipo no mundo. O Brasil veio em seguida, com a Resolução 104 da Anvisa, de 2001, e os maços com imagem chegaram às prateleiras em 2002.

Pelo Registro Civil do IBGE, os divórcios foram perto de 30,8 mil em 1984, 179 mil em 2007, 351 mil em 2011 e 420 mil em 2022.

As Estatísticas do Registro Civil reúnem, todo ano, os registros enviados pelos cartórios e pelas varas de família do país inteiro: nascimentos, casamentos e divórcios, entre outros atos.

O primeiro degrau é de 1977. A Emenda Constitucional 9 e a Lei 6.515, conhecida como Lei do Divórcio, permitiram dissolver o casamento no Brasil. Até então, o casal só podia recorrer ao desquite (separação de corpos e de bens, sem direito a novo casamento civil).

O autor do projeto foi o senador baiano Nelson Carneiro, que defendia o divórcio no Congresso desde a década de 1950 e enfrentou a oposição da Igreja Católica por mais de vinte anos até a aprovação.

A lei de 1977 cobrava espera: três anos de separação judicial antes do divórcio, ou cinco anos de separação de fato. E permitia a cada pessoa um divórcio só na vida. Por esse motivo a série começa baixa, com 30,8 mil em 1984.

A Constituição de 1988 encurtou os prazos para um ano de separação judicial ou dois de separação de fato, e o limite de um divórcio por pessoa caiu. A curva sobe devagar ao longo dos anos 1990.

O segundo salto tem lei com número. A Lei 11.441, de 2007, autorizou o divórcio por escritura pública em cartório, sem juiz, quando o casal concorda e não tem filhos menores. Pelo Registro Civil, 2007 fechou com perto de 179 mil divórcios.

O terceiro salto é o maior. A Emenda Constitucional 66, promulgada em julho de 2010, apagou a exigência de separação prévia. O parágrafo 6 do artigo 226 da Constituição passou a caber numa linha:

“O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.”

Congresso Nacional, Emenda Constitucional 66, artigo 226 da Constituição Federal, 2010

Sem prazo e sem etapa intermediária, os pedidos represados chegaram juntos aos cartórios e aos fóruns. O ano de 2011 registrou perto de 351 mil divórcios, quase o dobro de 2007.

O ritmo da curva mostra o peso de cada mudança. De 1984 a 2007, os divórcios subiram perto de 148 mil em 23 anos. De 2007 a 2011, subiram perto de 172 mil em quatro anos.

Depois vieram oscilações. Em 2020, os fóruns fechados pela pandemia de covid-19 derrubaram o total; em 2021 os registros voltaram a subir, e 2022 marcou o recorde de 420 mil.

Fonte e método: divórcios concedidos em primeira instância e por escritura, Estatísticas do Registro Civil, IBGE, 1984 a 2022; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

Divórcios por hora e anos de casamento

Em 2022, o Brasil registrou perto de 43 divórcios para cada 100 casamentos, e o casamento desfeito tinha durado, em média, perto de 14 anos.

O cálculo desta faixa começa no relógio. Um ano tem 365 dias de 24 horas, ou 8.760 horas. O total de divórcios dividido por 8.760 dá o ritmo por hora.

Em 1984: 30,8 mil divididos por 8.760, perto de 3,5 por hora. Em 2011: 351 mil, perto de 40 por hora. Em 2022: 420 mil, perto de 48 por hora.

19843,5 por hora
200720 por hora
201140 por hora
202248 por hora

O número bruto exagera o salto, porque a população também cresceu. O Brasil tinha perto de 132 milhões de habitantes em 1984 e 203 milhões no Censo de 2022, do IBGE. Por mil habitantes, os divórcios passaram de perto de 0,2 para perto de 2,1, um índice nove vezes maior.

Agora a razão com os casamentos. Em 1984, o Registro Civil anotou perto de 930 mil casamentos civis, o que dá perto de 3 divórcios para cada 100 casamentos. Em 2022, perto de 970 mil casamentos e 420 mil divórcios, perto de 43 para cada 100.

A razão engana se for lida como a chance de um casamento acabar. Os divórcios de 2022 vêm de casamentos celebrados em anos diferentes, e os casamentos de 2022 só vão se desfazer, se desfizerem, nas próximas décadas. Ela mede o movimento do ano, sem prever o destino de casal nenhum.

O IBGE calcula também quanto tempo passou entre o dia do casamento e o dia da sentença ou da escritura. Em 2010, a média ficava perto de 16 anos; em 2022, perto de 14 anos.

A queda tem duas leituras compatíveis. Com a Emenda 66, quem decide se separar não precisa mais cumprir a separação prévia, e esses anos de espera saíram da média. E os casais de agora chegam ao divórcio mais cedo do que a geração que casou antes de 1977.

O levantamento traz ainda um dado sobre os filhos. Nos divórcios de casais com filhos menores, a guarda compartilhada passou de perto de 7,5% em 2014 para perto de 38% em 2022, pelas mesmas Estatísticas do Registro Civil.

O salto da guarda também tem lei. A Lei 13.058, de 2014, tornou a guarda compartilhada a regra quando os dois pais têm condições de exercê-la, e o juiz passou a justificar quando decide pela guarda de um só.

 

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III  Refaça a Conta

O ritmo da sua cidade em 4 passos

1. Os divórcios: no Sidra, o banco de tabelas do IBGE, abra as Estatísticas do Registro Civil e anote os divórcios do seu município no ano mais recente.

2. As horas: divida o total por 8.760, as horas de um ano. Abaixo de 1 por hora, multiplique o resultado por 24 para ter o ritmo por dia.

3. Os casamentos: na mesma tabela, anote os casamentos civis do município naquele ano, divida os divórcios pelos casamentos e multiplique por 100.

4. A população: anote a população do município no Censo de 2022, divida os divórcios por ela e multiplique por mil.

Com números redondos, o caminho fica assim. Uma cidade de 300 mil habitantes registrou 600 divórcios e 1.500 casamentos no ano. Divididos por 8.760, os 600 divórcios dão 0,07 por hora, ou perto de 1,6 por dia.

Na mesma cidade, a razão fica em 40 divórcios para cada 100 casamentos, e o índice em 2 por mil habitantes, perto da média nacional de 2022.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do endereço. O levantamento organiza os divórcios pelo lugar onde foram lavrados ou julgados, e em município pequeno o casal pode ter ido ao cartório ou ao fórum da cidade vizinha. Ritmo baixo pode refletir só o endereço do cartório.

O segundo trata do atraso. Processo judicial demora, e o divórcio contado em 2022 pode ter começado anos antes. O total do ano reflete também a velocidade dos fóruns, como mostrou a queda de 2020.

O terceiro trata da união estável. Casal que vive junto sem casamento civil, quando se separa, fica sem lugar na série, porque a dissolução de união estável não é contada como divórcio. No Censo de 2010, do IBGE, perto de um terço dos casais vivia em união consensual.

Com os três cuidados anotados, o número da sua cidade pode ser comparado com o nacional na mesma unidade. Se o ritmo por mil habitantes sair muito abaixo de 2, a primeira suspeita é o endereço do cartório; muito acima, vale conferir se a cidade concentra o fórum da região.

“Quantos divórcios por dia a sua cidade registra?”

48 divórcios por hora. Foi o ritmo do Brasil em 2022 (Estatísticas do Registro Civil, IBGE, 2022).

 
 
Quiz da edição

Qual mudança na lei apagou a exigência de separação prévia e provocou o maior salto da curva de divórcios, entre 2007 e 2011?

ALei 6.515, de 1977, a Lei do Divórcio
BLei 11.441, de 2007, do divórcio por escritura pública
CEmenda Constitucional 66, de 2010
DLei 13.058, de 2014, da guarda compartilhada

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