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ED 012

O botijão deixa a refinaria a R$ 37,57 e chega a R$ 106,42

A Petrobras vende o quilo do gás a R$ 2,89 às distribuidoras. Na revenda, o mesmo quilo sai a R$ 8,19, e o ICMS é fixo por quilo.

Gráfico de barras com o preço do botijão de 13 kg repartido em quatro parcelas: saída da refinaria a R$ 37,57, distribuição a R$ 26,84, revenda a R$ 22,90 e ICMS a R$ 19,11, somando R$ 106,42 na revenda, com a fonte escrita dentro da imagem.

Refinaria, distribuição, revenda e ICMS no botijão

 

O botijão de 13 kg é o único combustível que entra em casa carregado no ombro. Ele sobe a escada nas costas de alguém, encaixa no registro atrás do fogão e volta a ser lembrado só quando a chama cai no meio do almoço de domingo.

Quem compra não escolhe fornecedor, não compara tabela e quase nunca sabe o preço antes de ligar. A revenda diz o valor no telefone, o entregador confirma na porta, e o pagamento sai sem nota que separe o que é gás e o que é caminho até ali.

A ANP publica toda semana o preço médio do botijão em cada estado, coletado revenda por revenda. A Petrobras publica o preço que cobra das distribuidoras na saída da refinaria, em reais por quilo. As duas séries são públicas e quase nunca aparecem juntas.

Entre uma e outra existe um percurso físico. A base de engarrafamento enche o vasilhame, o caminhão leva a carga até o depósito do bairro, o depósito estoca, e alguém sobe com o botijão até a porta da cozinha.

Cada etapa cobra pelo trabalho que faz, e a cobrança some dentro de um preço só. O consumidor recebe um número redondo no telefone e não tem como saber quanto dele é gás.

Há ainda um imposto que não funciona por percentual. Desde 2023, o ICMS do gás de cozinha é cobrado em valor fixo por quilo, igual em todo o país, e ele não sobe quando o preço da revenda sobe.

O gráfico de hoje põe as duas pontas da série lado a lado, a saída da refinaria e o preço na revenda, e mostra o tamanho de cada pedaço que separa uma da outra.

O resto da edição transforma esses pedaços em gasto mensal de cozinha e devolve a divisão para você fazer com o preço que a revenda da sua rua cobra hoje.

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I  O Gráfico do Dia

R$ 2,89 o quilo na refinaria, R$ 8,19 na rua

Quatro parcelas cabem dentro do preço de um botijão, e só a primeira é gás.

A ANP registrou R$ 106,42 como preço médio do botijão de 13 kg no país na semana de 9 a 15 de agosto de 2026. O levantamento passa por revendas em todas as unidades da federação e anota o valor cobrado do consumidor final.

Na outra ponta da série, a Petrobras vendeu o quilo do gás às distribuidoras a R$ 2,89, sem tributos. Multiplicado pelos 13 quilos do botijão, o gás dentro do vasilhame sai a R$ 37,57.

O preço da rua, dividido pelos mesmos 13 quilos, dá R$ 8,19 por quilo. É a mesma mercadoria, medida na mesma unidade, valendo 2,83 vezes o que valia na saída da refinaria.

A terceira parcela do gráfico é o imposto, e ele não é percentual. O ICMS do gás de cozinha é cobrado em valor fixo por quilo, R$ 1,47, o que dá R$ 19,11 por botijão em qualquer estado.

O PIS e a Cofins não aparecem no gráfico porque estão zerados para o gás residencial em recipiente de até 13 quilos. O botijão da cozinha é o único derivado de petróleo nessa condição.

O que sobra entre a refinaria e a porta de casa é R$ 49,74, repartido em duas etapas. A distribuidora fica com R$ 26,84 e o revendedor com R$ 22,90.

O gás que queima no fogão responde por 35,3% do preço do botijão. Os outros 64,7% pagam o engarrafamento, o caminhão, o depósito, o imposto fixo e a entrega na porta.

A parcela da distribuidora cobre o que a revenda não faz. É ela que enche o vasilhame na base de engarrafamento, testa a válvula, requalifica o casco de aço e leva a carga até o depósito do bairro.

A parcela da revenda é a que muda de endereço para endereço. Ela paga o depósito, o caminhão pequeno, o estoque parado e a pessoa que sobe a escada com 27 quilos nas costas.

A distância entre estados mostra o peso do caminho. Na média estadual da semana, São Paulo ficou em R$ 96,18 e o Acre em R$ 139,05, R$ 42,87 de diferença pelo mesmo botijão.

O imposto não explica essa distância, porque ele é o mesmo R$ 19,11 nos dois lugares. O que muda é o frete até a base, a densidade de revendas e o tamanho do mercado que divide o custo fixo.

Fonte e método: preço médio ao consumidor do GLP em botijão de 13 kg no Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP, semana de 9 a 15 de agosto de 2026; preço de venda do gás da Petrobras às distribuidoras, sem tributos, vigente em agosto de 2026; ICMS pela alíquota específica por quilo em vigor; parcelas de distribuição e revenda obtidas por diferença. O eixo do gráfico começa no zero.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 64,74 por mês para cozinhar

Uma casa que troca o botijão a cada 50 dias compra 7,3 botijões por ano e gasta R$ 776,87. Dividido por doze, o gás de cozinha custa R$ 64,74 por mês.

Os 50 dias são a duração usual de um botijão numa casa com três pessoas que cozinham quase todos os dias. Quem usa o forno com frequência troca antes; quem come fora troca depois.

Dentro dos R$ 64,74 do mês, o gás que saiu da refinaria responde por R$ 22,86. O restante, R$ 41,88, é o caminho: engarrafamento, frete, depósito, imposto e entrega.

O imposto sozinho custa R$ 11,63 por mês, ou R$ 139,50 no ano. Ele é cobrado por quilo, então a parcela é a mesma em Rio Branco e em São Paulo.

A média nacional é uma referência, não um preço. Ela mistura a revenda de bairro denso com a que abastece cidade pequena a 400 quilômetros da base de engarrafamento.

O benefício federal do gás toma como referência a média nacional publicada pela ANP, e não o valor cobrado na revenda da sua esquina. Onde o preço local passa da média, a diferença sai do bolso de quem compra.

"Proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos."

Lei 9.478, artigo 1º, inciso III, promulgada em 6 de agosto de 1997

A lei que abriu o mercado deixou o preço livre na cadeia inteira. A refinaria escolhe o preço, a distribuidora escolhe o dela, a revenda escolhe a sua, e a ANP registra o resultado sem fixar valor nenhum.

Por causa da liberdade de preço, duas revendas da mesma cidade cobram números diferentes. Na mesma semana, o levantamento encontrou botijão a R$ 82,00 e a R$ 165,00 no país, uma diferença de R$ 83,00 pelo mesmo produto.

Sobre a casa de 7,3 botijões por ano, a distância entre o menor e o maior preço do país vale R$ 605,90 em doze meses. É mais de meio ano de gás para quem compra do lado barato da série.

Em cinco anos, a conta da cozinha muda de ordem de grandeza. A casa média gasta R$ 3.884,35 com botijão pelo preço de hoje, sem contar reajuste nenhum no caminho.

Quem compra pela primeira vez paga uma parcela a mais. O vasilhame de aço não é do consumidor, ele volta para a distribuidora a cada troca, e a primeira aquisição custa entre R$ 90,00 e R$ 150,00 à parte.

O botijão cheio pesa cerca de 27 quilos, e 13 deles são gás. Os outros 14 são o vasilhame que retorna para a base, passa por requalificação e entra de novo na fila do engarrafamento.

A conta do mês não muda de forma quando o preço sobe. As parcelas de distribuição e de revenda são valores em reais, não percentuais, então elas não acompanham a refinaria em cada reajuste.

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III  Refaça a Conta

Divida o preço da sua rua por 7,37

1. O preço da sua rua: ligue para a revenda que entrega no seu endereço e anote o valor do botijão de 13 kg já com a entrega incluída, do jeito que você paga na porta.

2. A sua hora: divida o salário bruto do mês por 220 horas. No mínimo de R$ 1.621,00, a hora sai a R$ 7,37.

3. A divisão: divida o preço do botijão pelo valor da sua hora. O resultado é o número de horas de trabalho que a cozinha da sua casa cobra a cada troca.

Na média nacional e no salário mínimo, a divisão fecha em 14,4 horas, ou 14 horas e 27 minutos por botijão. São quase duas jornadas de oito horas para encher o vasilhame uma vez.

Dessas horas, 5 horas e 6 minutos pagam o gás que saiu da refinaria. As outras 9 horas e 21 minutos pagam o caminho dele até a sua porta, e 2 horas e 36 minutos são só de imposto.

O endereço muda o resultado antes do salário. Na média de São Paulo, o botijão custa 13 horas e 3 minutos de trabalho; na média do Acre, 18 horas e 52 minutos, quase seis horas de diferença.

Três avisos antes de refazer a conta em casa. O primeiro é a taxa de entrega cobrada à parte: ela não entra no preço que a ANP registra, e precisa ser somada antes da divisão.

O segundo é o salário. Quem ganha R$ 3.000,00 trabalha 7 horas e 48 minutos pelo mesmo botijão, porque a hora dele vale R$ 13,64.

O terceiro é a frequência da troca. Um botijão a cada 30 dias dobra a conta anual em relação a um botijão a cada 60 dias, com o mesmo preço cobrado na revenda.

Um exemplo fecha o método. A casa de 7,3 botijões por ano paga R$ 776,87 e trabalha 105 horas para cobrir a conta, treze jornadas de oito horas dedicadas só ao gás do fogão.

Se a revenda da sua rua cobra R$ 130,00, a mesma casa paga R$ 949,00 no ano e trabalha 128,8 horas, dezesseis jornadas de oito horas pelo mesmo consumo.

Ligue para a revenda agora e pergunte o preço com entrega. Divida por R$ 7,37 se você ganha o mínimo, ou pela sua própria hora, e o número que sair é o preço do seu fogão medido em tempo de trabalho.

"Quantas horas de trabalho custa o botijão que a revenda entrega na sua rua?"

 
 
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Quanto o botijão de 13 kg ganha em reais entre a saída da refinaria e o preço cobrado na revenda?

AR$ 19,11
BR$ 37,57
CR$ 68,85
DR$ 106,42
Veja o ranking de quem mais acerta →
 
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