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O botijão deixa a refinaria a R$ 37,57 e chega a R$ 106,42
A Petrobras vende o quilo do gás a R$ 2,89 às distribuidoras. Na revenda, o mesmo quilo sai a R$ 8,19, e o ICMS é fixo por quilo.
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Refinaria, distribuição, revenda e ICMS no botijão
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O botijão de 13 kg é o único combustível que entra em casa carregado no ombro. Ele sobe a escada nas costas de alguém, encaixa no registro atrás do fogão e volta a ser lembrado só quando a chama cai no meio do almoço de domingo.
Quem compra não escolhe fornecedor, não compara tabela e quase nunca sabe o preço antes de ligar. A revenda diz o valor no telefone, o entregador confirma na porta, e o pagamento sai sem nota que separe o que é gás e o que é caminho até ali.
A ANP publica toda semana o preço médio do botijão em cada estado, coletado revenda por revenda. A Petrobras publica o preço que cobra das distribuidoras na saída da refinaria, em reais por quilo. As duas séries são públicas e quase nunca aparecem juntas.
Entre uma e outra existe um percurso físico. A base de engarrafamento enche o vasilhame, o caminhão leva a carga até o depósito do bairro, o depósito estoca, e alguém sobe com o botijão até a porta da cozinha.
Cada etapa cobra pelo trabalho que faz, e a cobrança some dentro de um preço só. O consumidor recebe um número redondo no telefone e não tem como saber quanto dele é gás.
Há ainda um imposto que não funciona por percentual. Desde 2023, o ICMS do gás de cozinha é cobrado em valor fixo por quilo, igual em todo o país, e ele não sobe quando o preço da revenda sobe.
O gráfico de hoje põe as duas pontas da série lado a lado, a saída da refinaria e o preço na revenda, e mostra o tamanho de cada pedaço que separa uma da outra.
O resto da edição transforma esses pedaços em gasto mensal de cozinha e devolve a divisão para você fazer com o preço que a revenda da sua rua cobra hoje.
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I O Gráfico do Dia
R$ 2,89 o quilo na refinaria, R$ 8,19 na rua
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Quatro parcelas cabem dentro do preço de um botijão, e só a primeira é gás.
A ANP registrou R$ 106,42 como preço médio do botijão de 13 kg no país na semana de 9 a 15 de agosto de 2026. O levantamento passa por revendas em todas as unidades da federação e anota o valor cobrado do consumidor final.
Na outra ponta da série, a Petrobras vendeu o quilo do gás às distribuidoras a R$ 2,89, sem tributos. Multiplicado pelos 13 quilos do botijão, o gás dentro do vasilhame sai a R$ 37,57.
O preço da rua, dividido pelos mesmos 13 quilos, dá R$ 8,19 por quilo. É a mesma mercadoria, medida na mesma unidade, valendo 2,83 vezes o que valia na saída da refinaria.
A terceira parcela do gráfico é o imposto, e ele não é percentual. O ICMS do gás de cozinha é cobrado em valor fixo por quilo, R$ 1,47, o que dá R$ 19,11 por botijão em qualquer estado.
O PIS e a Cofins não aparecem no gráfico porque estão zerados para o gás residencial em recipiente de até 13 quilos. O botijão da cozinha é o único derivado de petróleo nessa condição.
O que sobra entre a refinaria e a porta de casa é R$ 49,74, repartido em duas etapas. A distribuidora fica com R$ 26,84 e o revendedor com R$ 22,90.
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O gás que queima no fogão responde por 35,3% do preço do botijão. Os outros 64,7% pagam o engarrafamento, o caminhão, o depósito, o imposto fixo e a entrega na porta.
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A parcela da distribuidora cobre o que a revenda não faz. É ela que enche o vasilhame na base de engarrafamento, testa a válvula, requalifica o casco de aço e leva a carga até o depósito do bairro.
A parcela da revenda é a que muda de endereço para endereço. Ela paga o depósito, o caminhão pequeno, o estoque parado e a pessoa que sobe a escada com 27 quilos nas costas.
A distância entre estados mostra o peso do caminho. Na média estadual da semana, São Paulo ficou em R$ 96,18 e o Acre em R$ 139,05, R$ 42,87 de diferença pelo mesmo botijão.
O imposto não explica essa distância, porque ele é o mesmo R$ 19,11 nos dois lugares. O que muda é o frete até a base, a densidade de revendas e o tamanho do mercado que divide o custo fixo.
Fonte e método: preço médio ao consumidor do GLP em botijão de 13 kg no Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP, semana de 9 a 15 de agosto de 2026; preço de venda do gás da Petrobras às distribuidoras, sem tributos, vigente em agosto de 2026; ICMS pela alíquota específica por quilo em vigor; parcelas de distribuição e revenda obtidas por diferença. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
R$ 64,74 por mês para cozinhar
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Uma casa que troca o botijão a cada 50 dias compra 7,3 botijões por ano e gasta R$ 776,87. Dividido por doze, o gás de cozinha custa R$ 64,74 por mês.
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Os 50 dias são a duração usual de um botijão numa casa com três pessoas que cozinham quase todos os dias. Quem usa o forno com frequência troca antes; quem come fora troca depois.
Dentro dos R$ 64,74 do mês, o gás que saiu da refinaria responde por R$ 22,86. O restante, R$ 41,88, é o caminho: engarrafamento, frete, depósito, imposto e entrega.
O imposto sozinho custa R$ 11,63 por mês, ou R$ 139,50 no ano. Ele é cobrado por quilo, então a parcela é a mesma em Rio Branco e em São Paulo.
A média nacional é uma referência, não um preço. Ela mistura a revenda de bairro denso com a que abastece cidade pequena a 400 quilômetros da base de engarrafamento.
O benefício federal do gás toma como referência a média nacional publicada pela ANP, e não o valor cobrado na revenda da sua esquina. Onde o preço local passa da média, a diferença sai do bolso de quem compra.
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"Proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos."
Lei 9.478, artigo 1º, inciso III, promulgada em 6 de agosto de 1997
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A lei que abriu o mercado deixou o preço livre na cadeia inteira. A refinaria escolhe o preço, a distribuidora escolhe o dela, a revenda escolhe a sua, e a ANP registra o resultado sem fixar valor nenhum.
Por causa da liberdade de preço, duas revendas da mesma cidade cobram números diferentes. Na mesma semana, o levantamento encontrou botijão a R$ 82,00 e a R$ 165,00 no país, uma diferença de R$ 83,00 pelo mesmo produto.
Sobre a casa de 7,3 botijões por ano, a distância entre o menor e o maior preço do país vale R$ 605,90 em doze meses. É mais de meio ano de gás para quem compra do lado barato da série.
Em cinco anos, a conta da cozinha muda de ordem de grandeza. A casa média gasta R$ 3.884,35 com botijão pelo preço de hoje, sem contar reajuste nenhum no caminho.
Quem compra pela primeira vez paga uma parcela a mais. O vasilhame de aço não é do consumidor, ele volta para a distribuidora a cada troca, e a primeira aquisição custa entre R$ 90,00 e R$ 150,00 à parte.
O botijão cheio pesa cerca de 27 quilos, e 13 deles são gás. Os outros 14 são o vasilhame que retorna para a base, passa por requalificação e entra de novo na fila do engarrafamento.
A conta do mês não muda de forma quando o preço sobe. As parcelas de distribuição e de revenda são valores em reais, não percentuais, então elas não acompanham a refinaria em cada reajuste.
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