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I O Gráfico do Dia
Quatro anos e um degrau
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Pela PNAD Contínua, o analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais foi de 6,7% em 2016, 6,6% em 2019, 5,6% em 2022 e 5,3% em 2024.
Os quatro pontos contam duas fases. De 2016 a 2019, a linha andou de lado: perdeu só 0,1 ponto em três anos, dentro da margem de erro de uma pesquisa por amostra.
De 2019 a 2022, o índice caiu um ponto inteiro. Foi o maior degrau da série, e ele aconteceu justamente no intervalo sem coleta.
O IBGE não atribui o degrau a uma campanha de alfabetização. O próprio instituto, na divulgação da PNAD Contínua Educação de 2022, ligou a queda à mudança na composição da população: gerações mais velhas, onde o analfabetismo se concentra, perderam peso no total.
A pandemia acelerou essa troca. A covid levou sobretudo idosos, e o grupo acima de 60 anos é onde mora a maior parte de quem não lê.
Em 2024, pela mesma pesquisa, perto de 15% das pessoas com 60 anos ou mais eram analfabetas. Entre 15 e 19 anos, a parcela ficava abaixo de 1%.
O desenho da série, então, mostra uma escola que já alfabetiza quase todo jovem e um estoque de adultos que aprendeu pouco ou nada décadas atrás. O índice cai quando esse estoque envelhece e sai da conta, mais do que quando alguém novo aprende a ler.
A meta oficial era outra. O Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei nº 13.005, de 2014, fixou a erradicação do analfabetismo até o fim da sua vigência.
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“Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto.”
Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, Plano Nacional de Educação, meta 9
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O primeiro marco foi cumprido: 93,5% de alfabetizados equivalem a 6,5% de analfabetos, e o Brasil passou desse ponto em 2017. O segundo, zerar até 2024, ficou longe, com 9,1 milhões ainda fora da leitura no ano final do plano.
Fonte e método: pessoas de 15 anos ou mais que declararam não saber ler e escrever, IBGE, PNAD Contínua Educação, médias anuais; 2020 e 2021 sem coleta do módulo; valores arredondados.
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II A Conta do Mês
Do Nordeste ao Sul em anos de espera
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No ritmo de 2016 a 2024, o Nordeste zera o analfabetismo antes do Sudeste, mesmo partindo de um índice quase quatro vezes maior.
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A conta desta faixa usa duas divisões. A primeira dá a velocidade: a queda do período, em pontos percentuais, dividida pelos oito anos. A segunda dá a espera: o índice de 2024 dividido pela velocidade.
No Brasil, 1,4 ponto em oito anos dá 0,17 ponto por ano. Os 5,3% de 2024 divididos por 0,17 dão perto de 31 anos de espera.
No Nordeste, a PNAD Contínua registrou perto de 14,8% em 2016 e 11,1% em 2024. A queda de 3,7 pontos, dividida por oito, dá 0,46 ponto por ano. Os 11,1% restantes somem em perto de 24 anos.
O Sudeste partiu de perto de 3,8% e chegou a 2,9%. São 0,9 ponto em oito anos, ou 0,11 por ano. A espera dá perto de 26 anos.
| Nordeste | 11,1%, 24 anos | | Norte | 6,4%, 30 anos | | Brasil | 5,3%, 31 anos | | Sudeste | 2,9%, 26 anos | | Sul | 2,8%, 28 anos |
O resultado parece invertido e não é. Quem tem mais analfabetos idosos tem mais gente saindo da conta a cada ano, e a velocidade em pontos fica maior. O Sul e o Sudeste já gastaram esse efeito: o que sobra lá é um grupo pequeno e difícil de reduzir.
A cor muda o retrato. Em 2024, pela mesma pesquisa, perto de 3% das pessoas brancas de 15 anos ou mais eram analfabetas. Entre pretos e pardos, o índice ficava perto de 7%, mais que o dobro.
A distância caiu em pontos e ficou parada em proporção. Em 2016, eram perto de 4% contra 9%. Os dois grupos desceram, e o índice dos pretos e pardos seguiu entre duas e três vezes o dos brancos ao longo da série.
Pela velocidade de cada grupo, a espera dos brancos fica perto de 24 anos e a dos pretos e pardos, perto de 30. A linha reta põe seis anos de diferença entre as duas datas de chegada.
A idade explica boa parte das duas distâncias. Os analfabetos de hoje nasceram, na maioria, antes de 1965, quando a escola não chegava ao interior do Nordeste nem às famílias negras mais pobres. A desigualdade de seis décadas atrás aparece na PNAD de agora.
O modelo da linha reta tem limite claro: perto do fim, a queda tende a frear, porque o último grupo a alfabetizar costuma ser o mais isolado. As datas desta faixa são, portanto, o cenário mais otimista que a própria série permite.
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