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O analfabetismo no Brasil só chega a zero em 2054

A PNAD Contínua mede quem não lê desde 2016. A queda média foi de 0,17 ponto por ano, e o país ainda tem 9,1 milhões fora da leitura.

Gráfico do analfabetismo de 15 anos ou mais pela PNAD Contínua: 6,7% em 2016, 6,6% em 2019, 5,6% em 2022 e 5,3% em 2024.

Analfabetismo no Brasil, 2016 a 2024

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5,3%. Foi a parcela de brasileiros de 15 anos ou mais que não sabia ler nem escrever um bilhete simples em 2024, pela PNAD Contínua do IBGE.

A PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o levantamento em que o IBGE visita casas o ano todo) tem um módulo de educação. Nele, o entrevistador pergunta se cada morador sabe ler e escrever. Quem responde que não é contado como analfabeto.

O critério é declarado, sem prova de leitura. O IBGE não aplica teste: vale a resposta do próprio morador ou de quem atende a porta.

Em número de gente, 5,3% equivalem a perto de 9,1 milhões de pessoas, mais que a população inteira de Pernambuco. Em 2016, primeiro ano do módulo, eram perto de 11,8 milhões.

A série tem um buraco. Em 2020 e 2021, com a pandemia, o IBGE trocou a visita por telefone e suspendeu o módulo de educação. Os anos com dado são 2016 a 2019 e 2022 a 2024.

Entre 2016 e 2024, o índice nacional saiu de 6,7% para 5,3%. A diferença, 1,4 ponto percentual, dividida por oito anos, dá uma queda média de 0,17 ponto por ano.

Mantido esse passo, os 5,3% restantes levariam perto de 30 anos para sumir. O Brasil chegaria a zero em 2054, três décadas depois do prazo de 2024 que a lei tinha marcado.

A projeção é aritmética, uma linha reta puxada da própria série. Ela não prevê o futuro: mostra o tamanho do atraso caso nada mude no ritmo.

A média esconde dois Brasis. No Nordeste, mais de um adulto em cada dez não lê. No Sul e no Sudeste, menos de três em cada cem.

O gráfico de hoje escolhe quatro anos da série nacional e mostra onde a curva quase parou e onde ela desceu.

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I  O Gráfico do Dia

Quatro anos e um degrau

Pela PNAD Contínua, o analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais foi de 6,7% em 2016, 6,6% em 2019, 5,6% em 2022 e 5,3% em 2024.

Os quatro pontos contam duas fases. De 2016 a 2019, a linha andou de lado: perdeu só 0,1 ponto em três anos, dentro da margem de erro de uma pesquisa por amostra.

De 2019 a 2022, o índice caiu um ponto inteiro. Foi o maior degrau da série, e ele aconteceu justamente no intervalo sem coleta.

O IBGE não atribui o degrau a uma campanha de alfabetização. O próprio instituto, na divulgação da PNAD Contínua Educação de 2022, ligou a queda à mudança na composição da população: gerações mais velhas, onde o analfabetismo se concentra, perderam peso no total.

A pandemia acelerou essa troca. A covid levou sobretudo idosos, e o grupo acima de 60 anos é onde mora a maior parte de quem não lê.

Em 2024, pela mesma pesquisa, perto de 15% das pessoas com 60 anos ou mais eram analfabetas. Entre 15 e 19 anos, a parcela ficava abaixo de 1%.

O desenho da série, então, mostra uma escola que já alfabetiza quase todo jovem e um estoque de adultos que aprendeu pouco ou nada décadas atrás. O índice cai quando esse estoque envelhece e sai da conta, mais do que quando alguém novo aprende a ler.

A meta oficial era outra. O Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei nº 13.005, de 2014, fixou a erradicação do analfabetismo até o fim da sua vigência.

“Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto.”

Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, Plano Nacional de Educação, meta 9

O primeiro marco foi cumprido: 93,5% de alfabetizados equivalem a 6,5% de analfabetos, e o Brasil passou desse ponto em 2017. O segundo, zerar até 2024, ficou longe, com 9,1 milhões ainda fora da leitura no ano final do plano.

Fonte e método: pessoas de 15 anos ou mais que declararam não saber ler e escrever, IBGE, PNAD Contínua Educação, médias anuais; 2020 e 2021 sem coleta do módulo; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

Do Nordeste ao Sul em anos de espera

No ritmo de 2016 a 2024, o Nordeste zera o analfabetismo antes do Sudeste, mesmo partindo de um índice quase quatro vezes maior.

A conta desta faixa usa duas divisões. A primeira dá a velocidade: a queda do período, em pontos percentuais, dividida pelos oito anos. A segunda dá a espera: o índice de 2024 dividido pela velocidade.

No Brasil, 1,4 ponto em oito anos dá 0,17 ponto por ano. Os 5,3% de 2024 divididos por 0,17 dão perto de 31 anos de espera.

No Nordeste, a PNAD Contínua registrou perto de 14,8% em 2016 e 11,1% em 2024. A queda de 3,7 pontos, dividida por oito, dá 0,46 ponto por ano. Os 11,1% restantes somem em perto de 24 anos.

O Sudeste partiu de perto de 3,8% e chegou a 2,9%. São 0,9 ponto em oito anos, ou 0,11 por ano. A espera dá perto de 26 anos.

Nordeste11,1%, 24 anos
Norte6,4%, 30 anos
Brasil5,3%, 31 anos
Sudeste2,9%, 26 anos
Sul2,8%, 28 anos

O resultado parece invertido e não é. Quem tem mais analfabetos idosos tem mais gente saindo da conta a cada ano, e a velocidade em pontos fica maior. O Sul e o Sudeste já gastaram esse efeito: o que sobra lá é um grupo pequeno e difícil de reduzir.

A cor muda o retrato. Em 2024, pela mesma pesquisa, perto de 3% das pessoas brancas de 15 anos ou mais eram analfabetas. Entre pretos e pardos, o índice ficava perto de 7%, mais que o dobro.

A distância caiu em pontos e ficou parada em proporção. Em 2016, eram perto de 4% contra 9%. Os dois grupos desceram, e o índice dos pretos e pardos seguiu entre duas e três vezes o dos brancos ao longo da série.

Pela velocidade de cada grupo, a espera dos brancos fica perto de 24 anos e a dos pretos e pardos, perto de 30. A linha reta põe seis anos de diferença entre as duas datas de chegada.

A idade explica boa parte das duas distâncias. Os analfabetos de hoje nasceram, na maioria, antes de 1965, quando a escola não chegava ao interior do Nordeste nem às famílias negras mais pobres. A desigualdade de seis décadas atrás aparece na PNAD de agora.

O modelo da linha reta tem limite claro: perto do fim, a queda tende a frear, porque o último grupo a alfabetizar costuma ser o mais isolado. As datas desta faixa são, portanto, o cenário mais otimista que a própria série permite.

 

Quem banca a edição de hoje

The Company America’s Cattle Industry Needs Right Now

The U.S. cattle herd has fallen to 86.2 million head. 

That's the lowest level since 1951. And the problem isn't going away, plus ranchers face rising costs and a tightening labor market. 

Yet America still needs to produce beef. 

The equation is simple: Get more from every animal. 

DIT AgTech helps ranchers produce more with less through AI, nutrition automation and real-time data. Its infrastructure boosts herd performance while reducing labor and costs. 

Proven at scale in Australia: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

  • Up to 80% reduction in supplementation and labor costs 

What drives adoption? Ranchers get the technology free with a three-year nutrition plan. 

Removing the cost barrier allows DIT AgTech to scale adoption faster, generating more data and recurring revenue 

America needs more output from fewer cattle. DIT AgTech has built the infrastructure to make that possible.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

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III  Refaça a Conta

A espera do seu estado em 4 passos

1. O índice inicial: no Sidra, o banco de tabelas do IBGE, abra a PNAD Contínua Educação e escolha a tabela de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais por unidade da federação. Anote o valor de 2016.

2. O índice final: na mesma tabela, anote o valor do ano mais recente.

3. A velocidade: subtraia o final do inicial e divida pelo número de anos entre os dois. O resultado é a queda média, em pontos percentuais por ano.

4. A espera: divida o índice final pela velocidade. O resultado é quantos anos o estado leva para chegar a zero se mantiver o passo.

Com os dados nacionais, o caminho fica assim. 6,7 menos 5,3 dá 1,4. Dividido por oito anos, 0,175. Os 5,3 divididos por 0,175 dão 30,3 anos, e 2024 somado a 30 dá 2054.

O texto usou 0,17 nas faixas anteriores para facilitar a leitura. Com 0,17 cheio, a espera passa a 31 anos e a chegada a 2055. A diferença de um ano mostra o peso do arredondamento numa conta tão longa.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da margem de erro. A PNAD é uma amostra, e num estado pequeno o intervalo de confiança passa de um ponto. Uma queda de 0,3 ponto em Roraima pode ser só variação da amostra. O Sidra publica o coeficiente de variação junto do valor: acima de 15%, trate o número com cautela.

O segundo trata do buraco de 2020 e 2021. Não interpole os anos sem coleta. Use só anos medidos como início e fim.

O terceiro trata da idade. Se o estado tem muitos idosos analfabetos, a velocidade dos próximos anos depende de quanto esse grupo ainda pesa. Para ver o efeito, repita os quatro passos só com a faixa de 15 a 29 anos, que o Sidra também traz. Nela, o índice já fica perto de zero na maior parte do país.

Com a espera do seu estado na mão, você sabe se ele chega antes ou depois de 2054, a data que a linha reta dá ao país inteiro.

“Em que ano o seu estado zera o analfabetismo no passo da própria série?”

30 anos. Foi a espera do Brasil para zerar o analfabetismo no ritmo de 2016 a 2024 (IBGE, PNAD Contínua Educação).

 
 
Quiz da edição

O texto liga o maior degrau de queda do analfabetismo (de 6,6% em 2019 para 5,6% em 2022) a qual causa?

AUma reforma curricular nas escolas públicas em 2020
BUm aumento de verba federal para alfabetização de adultos
CA morte de idosos na pandemia, grupo onde o analfabetismo se concentra
DA troca do método de pesquisa, que passou a testar leitura na prática

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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