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ED 045
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Moradia come 39% do orçamento mais pobre

O IBGE mediu 39,2% das despesas de consumo em habitação nas famílias de até R$ 1.908 e 22,6% nas acima de R$ 23.850.

Gráfico de barras em porcentagem das despesas de consumo da família brasileira na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018: 39,2% em habitação na classe de até R$ 1.908 por mês, 36,6% no total do país e 22,6% na classe acima de R$ 23.850 por mês, com a fonte escrita dentro da imagem.

Habitação nas despesas de consumo, POF 2017 e 2018

 

39,2%. Foi a fatia das despesas de consumo que ficou com habitação nas famílias brasileiras de até R$ 1.908 por mês, na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares, chamada de POF, é o levantamento que o IBGE aplica de tempos em tempos para anotar, item por item, tudo que a família brasileira gasta e tudo que recebe ao longo de um ano inteiro. A coleta usada aqui correu entre julho de 2017 e julho de 2018, em domicílios sorteados nas cinco regiões do país, e o resultado representa 69,0 milhões de famílias.

O indicador desta edição tem nome técnico: despesas de consumo, ou seja, o dinheiro que sai da casa para comprar bens e serviços do dia a dia, sem contar imposto pago, contribuição previdenciária, parcela de empréstimo e aplicação financeira, que a pesquisa arruma num grupo separado.

Dentro do consumo, o grupo habitação vai muito além do aluguel. O IBGE junta ali o aluguel pago, o valor estimado do aluguel da casa própria, condomínio, conta de luz, água, gás e telefone, imposto predial, serviço de manutenção do imóvel, móvel e eletrodoméstico do lar.

A pesquisa também separa as famílias em sete classes de rendimento mensal, da faixa de até R$ 1.908 à faixa acima de R$ 23.850, e publica a composição do orçamento de cada uma delas, grupo por grupo, com a mesma definição de despesa do começo ao fim.

A leitura de manchete costuma parar no número nacional: 36,6% do consumo em habitação. A média junta na mesma linha a casa de dois salários mínimos no subúrbio e o apartamento de rendimento alto na capital, e o resultado descreve mal as duas.

O gráfico de hoje abre essa média em duas pontas, a classe de baixo e a classe de cima, na mesma unidade de participação nas despesas de consumo, com o total do país no meio para o leitor ver de que lado do país o próprio orçamento cai.

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I  O Gráfico do Dia

As duas pontas da mesma tabela

I, As duas pontas da mesma tabela

A POF de 2017 e 2018 do IBGE mediu 39,2% das despesas de consumo em habitação nas famílias com rendimento de até R$ 1.908 por mês e 22,6% nas famílias com rendimento acima de R$ 23.850, contra média nacional de 36,6%.

O gráfico traz três barras numa unidade só, participação percentual dentro das despesas de consumo da própria família. Nenhuma barra mostra valor em reais, porque o objetivo aqui é comparar o peso do teto no orçamento de quem ganha pouco com o peso do teto no orçamento de quem ganha muito.

A primeira barra é a classe de até R$ 1.908 mensais, com 39,2%. São 16,5 milhões de famílias na pesquisa, quase um quarto do total estimado, e para elas quatro de cada dez reais de consumo ficam dentro de casa antes de qualquer escolha.

A barra do meio é o Brasil inteiro, com 36,6%. Habitação foi o maior grupo de despesa do país na pesquisa, acima de transporte, com 18,1%, e de alimentação, com 17,5%, uma ordem que se repete em todas as sete classes de rendimento.

A terceira barra é a classe acima de R$ 23.850 mensais, com 22,6%. São 1,8 milhão de famílias, e nelas o teto ocupa pouco mais de um quinto do consumo, sobrando espaço de orçamento para viagem, educação privada, serviço pessoal e carro.

A distância entre as duas pontas é de 16,6 pontos percentuais, medida em participação, não em valor. Em reais a ordem se inverte: a família rica gasta muito mais com moradia, só que o gasto pesa menos no bolo dela.

Um alerta de leitura sobre o aluguel estimado: quem mora em imóvel próprio quitado não paga aluguel a ninguém, mas a POF lança na despesa dessa família o valor que ela pagaria se alugasse a mesma casa, o chamado aluguel imputado. O IBGE explica o procedimento nas notas técnicas da pesquisa, e ele evita que dono e inquilino apareçam com orçamentos incomparáveis.

Vale dizer com todas as letras o que as três barras não mostram. Elas não separam capital de interior, não separam Norte de Sudeste, não dizem quantas pessoas moram em cada casa e não contam quanto do consumo saiu do cartão de crédito.

As barras também não acompanham o que veio depois. A coleta terminou em julho de 2018, antes da alta recente do preço do aluguel e da conta de luz, e o IBGE só corrige a foto quando publica a próxima POF.

Fonte e método: participação de habitação nas despesas de consumo da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, total do país e classes extremas de rendimento mensal familiar, com a distância em pontos percentuais calculada nesta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

Mil trezentos e setenta e sete reais

II, Mil trezentos e setenta e sete reais

A despesa de consumo média mensal da família brasileira foi de R$ 3.764,51 na POF de 2017 e 2018, e os 36,6% de habitação equivalem a R$ 1.377,80 por mês, pela conta desta edição.

O valor médio ajuda a dar corpo ao percentual. Mil trezentos e setenta e sete reais por mês cobrem o aluguel de um imóvel de dois quartos em cidade média do interior, ou apenas a conta de luz somada ao condomínio de um apartamento pequeno em capital do Sudeste.

A despesa total média da família ficou em R$ 4.649,03 por mês na mesma pesquisa. O consumo responde por 81,0% desse total, e o restante são impostos, contribuições, empréstimos e investimento, que a POF classifica fora do consumo justamente porque não compram bem nem serviço.

O peso do teto cai conforme o rendimento sobe por um motivo simples de orçamento doméstico. Uma família precisa de um banheiro, uma cozinha e um ponto de energia qualquer que seja a renda, e esse piso de gasto não encolhe quando o salário encolhe.

Os números do levantamento cabem numa lista curta:

Participação de habitação nas despesas de consumo, Brasil36,6%
Participação na classe de até R$ 1.908 por mês39,2%
Participação na classe acima de R$ 23.850 por mês22,6%
Despesa de consumo média mensal por famíliaR$ 3.764,51
Despesa total média mensal por famíliaR$ 4.649,03
Famílias representadas na pesquisa69,0 milhões

"A chamada escassez de habitação, que desempenha hoje tão grande papel na imprensa, não consiste no fato de a classe trabalhadora viver, de modo geral, em habitações más, superlotadas e insalubres."

Friedrich Engels, A Questão da Habitação, ano de 1873

Alimentação segue o mesmo caminho e num ritmo mais forte: 22,0% do consumo na classe de baixo e 7,6% na classe de cima, pela mesma pesquisa. Somados, teto e comida levaram 61,2% do consumo das famílias de até R$ 1.908, contra 30,2% nas famílias acima de R$ 23.850.

Sobra pouco orçamento livre depois desses dois grupos. Quem fica com menos de quatro reais em dez para dividir entre transporte, saúde, escola, roupa e lazer tem pouca margem para escolher, e qualquer reajuste de aluguel ou de energia entra direto na conta da comida.

O efeito sobre a mobilidade merece atenção do leitor assalariado. Aluguel barato costuma ficar longe do trabalho, e a família que corta moradia acaba pagando a conta em transporte e em horas de deslocamento, trocando um grupo de despesa por outro.

A composição também explica por que a inflação bate diferente em cada casa. Quando energia elétrica e aluguel sobem acima da média dos preços, a classe de até R$ 1.908 perde poder de compra mais rápido que a média nacional, mesmo com o índice oficial igual para todo mundo.

A leitura prática para quem recebe salário cabe numa frase: dentro do orçamento doméstico, moradia é o item que mais manda no que sobra, e quase nunca é o item que a família revisa primeiro.

 

Quem banca a edição de hoje

NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

And he's pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: Farming. It’s an industry facing mounting pressure to produce more with less and it’s still massively under-automated. 

DIT AgTech brings AI, nutrition automation, and real-time data to livestock production, helping ranchers boost productivity and get more from every animal. 

And it’s already proven in one of the world's toughest livestock environments: 

  • 500+ units deployed 

  • 370,000 head of livestock on the platform 

  • Up to 55% higher daily weight gain 

Now expanding into the U.S. and Brazil, DIT AgTech is targeting a 300M+ head cattle market. And the biggest barrier to adoption? Gone. Ranchers get the technology for free when they sign up for a three-year nutrition plan. 

DIT AgTech can scale adoption faster, which means more data and more recurring revenue. 

Invest before this early-stage opportunity gets harder to access.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​  ​

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III  Refaça a Conta

Encaixe o seu orçamento

1. O que sai da casa: some tudo que os moradores gastaram no último mês com bens e serviços, sem incluir imposto, parcela de empréstimo e aplicação financeira, porque a pesquisa deixa esses três fora do consumo.

2. O que conta como habitação: junte aluguel pago ou a parcela do financiamento do imóvel, condomínio, imposto predial, luz, água, gás, telefone, internet, reforma, faxina e a compra de móvel e eletrodoméstico do lar.

3. A conta em porcentagem: divida o valor de habitação pelo total de consumo e multiplique por cem. O resultado entra na tabela do IBGE entre os 22,6% da classe de cima e os 39,2% da classe de baixo.

Com o seu número na mão, três verificações mostram o que uma conta de um mês esconde.

A primeira verificação trata do mês atípico. Conserto de telhado, troca de geladeira e pintura caem tudo de uma vez e empurram a fatia de habitação para cima, então repita o cálculo em três meses seguidos e use a média dos três.

A segunda trata do imóvel próprio. Quem já quitou a casa pode somar à conta o aluguel que o imóvel renderia no mercado, como faz a pesquisa, para comparar o próprio orçamento com a tabela sem vantagem artificial.

A terceira trata do tamanho da casa. Dividir a despesa de habitação pelo número de moradores mostra quanto de teto cada pessoa consome, e duas famílias com a mesma fatia percentual podem viver situações bem distintas conforme o número de gente por quarto.

O uso prático aparece na hora de mudar de endereço. Comparar a fatia antiga com a fatia nova, e não o valor do aluguel isolado, revela se a mudança sobrou orçamento para o resto do mês ou apenas trocou o endereço do aperto.

O uso seguinte aparece na leitura de notícia sobre custo de vida. Manchete com preço médio do metro quadrado diz pouco sobre a sua casa; o mesmo dado comparado à sua fatia de habitação diz quanto da sua vida cabe dentro do imóvel.

O uso final aparece no debate público sobre política de moradia. Programa habitacional, desconto na conta de luz e faixa de imposto predial trabalham com peso da moradia no orçamento, e quem chega com a própria porcentagem calculada acompanha a discussão sem depender de percentual solto.

16,6 pontos percentuais. Foi a distância, em participação das despesas de consumo, entre a fatia de habitação da classe de até R$ 1.908 e a da classe acima de R$ 23.850 na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

"Quantos por cento do seu consumo do mês ficam dentro de casa?"

 
 
A Tabela do Juro. Oito linhas, uma por dia, no ebook e no app. Quero o ebook + app.

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Quiz da edição

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 do IBGE citada na edição, qual foi a participação de habitação nas despesas de consumo das famílias com rendimento mensal de até R$ 1.908?

A36,6%
B39,2%
C22,6%
D44,8%

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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