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IPVA de 4% no Rio e 2% em Santa Catarina, mesmo carro
A mesma tabela Fipe de R$ 60.000 vira R$ 2.400 de imposto em um estado e R$ 1.200 em outro, distância de R$ 100 por mês só pela placa.
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IPVA de passeio em 4 estados, mesmo carro
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Dois hatches prateados do mesmo ano saem da mesma linha de montagem, com o mesmo motor, a mesma quilometragem e o mesmo código na tabela Fipe. Um é emplacado em Niterói e o outro em Joinville.
A partir do emplacamento, os dois carros deixam de ser o mesmo bem para efeito de imposto. O valor de mercado é idêntico, a depreciação é idêntica, e a conta anual que cada dono recebe em janeiro não é.
A diferença não está no veículo. Está no percentual que a lei do estado manda aplicar sobre o valor venal, um número que cada assembleia legislativa define por conta própria e revisa quando quer.
O IPVA é o único imposto grande da vida do brasileiro comum cuja alíquota muda ao cruzar uma divisa. O imposto de renda é federal e vale igual em todo lugar. O ICMS varia, mas vem embutido no preço e ninguém recebe boleto dele.
O IPVA chega com nome, CPF, placa e valor fechado. Ele é visível, anual e comparável, e por ser comparável expõe uma dispersão que nenhum outro tributo de pessoa física expõe com a mesma clareza.
O motivo da dispersão está na Constituição. O texto entrega ao estado a competência de fixar a alíquota e reserva ao Senado apenas o piso, sem teto nacional e sem faixa obrigatória de uniformidade entre as unidades da federação.
O resultado é um mapa com percentuais que vão de 2% a 4% para o mesmo tipo de automóvel de passeio. Entre o extremo de cima e o extremo de baixo cabe o dobro, não uma margem de ajuste fino.
O gráfico de hoje coloca essas alíquotas lado a lado, na mesma escala, para um único perfil de veículo. Sem média nacional, sem ponderação por frota, sem correção por renda estadual.
O resto da edição aplica cada percentual a um carro de R$ 60.000 na Fipe e transforma a distância entre os extremos em reais por ano e por mês, com a divisão pronta para você refazer com o seu próprio documento.
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I O Gráfico do Dia
4,00% no Rio contra 2,00% em Santa Catarina
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O imposto que mais depende de geografia é o que menos depende do bem que ele tributa.
A alíquota de IPVA de automóvel de passeio vai de 4,00% no Rio de Janeiro a 2,00% em Santa Catarina. O intervalo inteiro das 27 unidades da federação cabe em 2 pontos percentuais.
O Paraná fica no meio do caminho, com 3,50%, e a Bahia aparece na metade de baixo, com 2,50%. As quatro séries do gráfico descrevem o mesmo carro tributado por quatro legislações diferentes.
A base de cálculo é a mesma em todos os casos. O estado adota o valor venal do veículo, quase sempre extraído da tabela Fipe ou de pesquisa de mercado equivalente, e aplica o percentual da lei estadual sobre ele.
O que muda de estado para estado é apenas o multiplicador. Nenhuma unidade da federação calcula o imposto sobre potência, consumo, emissão ou tempo de uso, nem sobre o quanto o carro roda no ano.
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A origem jurídica da dispersão é constitucional. O IPVA é imposto estadual, e a assembleia de cada unidade fixa a alíquota por lei ordinária, submetida apenas ao piso que o Senado pode estabelecer.
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Não existe teto nacional. Um estado que decida cobrar acima do vizinho não precisa de autorização federal, de convênio interestadual ou de qualquer instância de coordenação para fazer valer o novo percentual.
A segunda camada de diferença está no combustível. Vários estados escalonam a alíquota por tipo de motorização, com percentual menor para veículo movido a álcool, a gás natural ou elétrico e maior para o veículo a gasolina.
Uma terceira camada mora nas isenções. Idade do veículo, uso profissional como táxi, condição de pessoa com deficiência e categoria de motocicleta zeram ou reduzem a conta em regras que também variam por unidade da federação.
Nenhuma dessas camadas explica o intervalo do gráfico. As quatro séries comparadas descrevem o mesmo perfil, automóvel de passeio a gasolina, sem isenção e dentro da faixa de idade tributável em todos os estados citados.
Vale registrar o que a comparação não mede. Alíquota alta não significa arrecadação alta por habitante, porque o estado com percentual maior pode ter frota menor, veículo mais velho e valor venal médio bem abaixo do vizinho.
Fonte e método: alíquotas de IPVA de automóvel de passeio a gasolina previstas nas leis estaduais vigentes em 2026, aplicadas sobre o valor venal do veículo. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
R$ 100 por mês de diferença no mesmo veículo
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Um carro avaliado em R$ 60.000 na tabela Fipe paga R$ 2.400 de IPVA no Rio de Janeiro e R$ 1.200 em Santa Catarina. A distância é de R$ 1.200 por ano, ou R$ 100 por mês.
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O valor de R$ 60.000 corresponde a um hatch compacto de cinco a sete anos de uso, a faixa mais comum da frota brasileira em circulação com IPVA cheio a pagar.
A conta anual do mesmo veículo tem quatro linhas quando você separa por estado:
| Rio de Janeiro, 4,00% sobre R$ 60.000 | R$ 2.400 |
| Paraná, 3,50% sobre R$ 60.000 | R$ 2.100 |
| Bahia, 2,50% sobre R$ 60.000 | R$ 1.500 |
| Santa Catarina, 2,00% sobre R$ 60.000 | R$ 1.200 |
Nenhuma dessas linhas depende de o carro rodar mais, valer mais ou poluir mais. O bem é o mesmo, a base de cálculo é a mesma e o único elemento variável é a lei que se aplica ao endereço do proprietário.
O efeito acumula rápido em um bem de vida longa. Um carro mantido por cinco anos custa R$ 12.000 de IPVA no estado da alíquota máxima e R$ 6.000 no estado da alíquota mínima, uma diferença de R$ 6.000 ao fim do período.
Convertida em outra unidade, a diferença anual de R$ 1.200 equivale a cerca de vinte tanques de combustível de um carro popular, ou a um seguro de vidros e faróis pago com sobra.
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"Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre propriedade de veículos automotores, que terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal."
Constituição Federal de 1988, artigo 155, com a redação da Emenda Constitucional 42, de 19 de dezembro de 2003
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O calendário adiciona uma segunda variável ao gasto. O estado define o desconto por pagamento em cota única, que costuma ficar entre 3% e 15%, e define também o número de parcelas que a cota fracionada admite.
Sobre a conta do Rio, um desconto de 10% em cota única devolve R$ 240 ao proprietário. Sobre a conta de Santa Catarina, o mesmo percentual devolve R$ 120, porque incide sobre uma base menor.
O desconto não reduz a distância entre os estados, ele a preserva em proporção. Quem paga mais imposto também recebe mais desconto em reais, e a diferença entre as duas contas continua próxima dos R$ 1.200 anuais.
Vale medir o mesmo gasto em proporção do valor do bem. Os R$ 2.400 do estado com alíquota máxima equivalem a 4% do patrimônio representado pelo carro cobrados todo ano, sobre um bem que se desvaloriza no mesmo período.
O IPVA também não distingue uso. O carro parado na garagem por doze meses paga exatamente o mesmo que o carro que roda 40.000 quilômetros no ano, porque o fato gerador é a propriedade e não a circulação.
Nada disso aparece na comparação de preço na hora da compra. A tabela Fipe informa o mesmo valor para os dois veículos, e o custo real de manter cada um deles depende de um número que a concessionária não coloca na proposta.
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