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ED 047
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Dez votos paulistas para igualar um de Roraima

O eleitorado do TSE dividido pelas 8 cadeiras de Roraima dá 49.625 eleitores por vaga; pelas 70 cadeiras paulistas, dá 494.286.

Gráfico de barras com eleitores por cadeira de deputado federal em cinco estados brasileiros, segundo o eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral para 2026: 49.625 em Roraima, 76.250 no Amapá, 77.500 no Acre, 311.321 em Minas Gerais e 494.286 no estado de São Paulo, com a fonte escrita dentro da imagem.

Eleitores por cadeira de deputado, TSE 2026

 

49.625 eleitores. Foi quanto coube a cada uma das oito cadeiras de Roraima na Câmara dos Deputados, dividindo o eleitorado que o Tribunal Superior Eleitoral registrou no estado para o pleito de 2026, cerca de 397 mil pessoas aptas a votar, pelas vagas que a bancada roraimense ocupa.

A mesma divisão feita no maior colégio eleitoral do país entrega outro número. São aproximadamente 34,6 milhões de eleitores paulistas registrados pelo TSE para 70 cadeiras, o que dá 494.286 eleitores por vaga, quase dez vezes o resultado roraimense.

A diferença tem origem escrita na lei, e vale conhecer a regra antes de olhar o gráfico. O artigo 45 da Constituição manda distribuir as cadeiras da Câmara proporcionalmente à população dos estados, e deixa a lei complementar fixar os limites dessa proporção.

A Lei Complementar 78, de 1993, é quem crava as duas bordas: nenhuma unidade da federação fica com menos de oito deputados federais, nenhuma passa de setenta. Entre as bordas a proporcionalidade funciona; nas bordas ela para.

Há um detalhe de denominador que muda a leitura. A repartição das cadeiras usa a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que inclui criança, adolescente e quem não tirou título; a conta desta edição usa o eleitorado do TSE, que conta apenas quem pode votar.

As duas bases respondem perguntas diferentes. A população mede quanta gente cada deputado representa; o eleitorado mede quanto pesa cada voto depositado na urna, que é a pergunta de quem sai de casa no domingo de eleição.

O desenho tem defensor e tem crítico, e os dois argumentam com a mesma Constituição. Quem defende lembra que a federação brasileira foi montada para impedir que três ou quatro estados populosos governassem os outros vinte e três; quem critica responde que o piso de oito cadeiras já corrige essa assimetria no Senado, onde cada estado tem exatamente três senadores.

O gráfico de hoje traduz a regra em eleitores por cadeira, unidade que cabe na conversa de quem acabou de digitar um número na urna e quer saber o peso do próprio voto.

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I  O Gráfico do Dia

Cinco estados, cinco pesos

O Tribunal Superior Eleitoral registrou para 2026 cerca de 397 mil eleitores em Roraima, 610 mil no Amapá, 620 mil no Acre, 16,5 milhões em Minas Gerais e 34,6 milhões no território paulista, distribuídos respectivamente por 8, 8, 8, 53 e 70 cadeiras na Câmara dos Deputados.

O gráfico traz cinco barras numa medida só, eleitores por cadeira de deputado federal. Nenhuma barra mostra o tamanho da bancada, porque a pergunta aqui trata do peso de cada voto, não da força de cada estado no plenário.

A primeira barra é Roraima, com 49.625 eleitores por cadeira. O estado tem o menor eleitorado do país e recebe o piso constitucional de oito deputados, o mesmo piso que Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Amazonas, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal também ocupam.

A segunda e a terceira barras são Amapá, com 76.250 eleitores por cadeira, e Acre, com 77.500. Os três estados do piso aparecem juntos na ponta baixa do gráfico porque a mesma regra os tirou da proporcionalidade: nenhum deles tem população para justificar oito cadeiras pela divisão pura.

A quarta barra é Minas Gerais, com 311.321 eleitores por cadeira, resultado de 16,5 milhões de eleitores divididos por 53 deputados. Minas fica dentro da faixa em que a proporcionalidade ainda opera, e por isso sua barra se aproxima da média nacional.

A quinta barra é o estado de São Paulo, com 494.286 eleitores por cadeira. O estado bateu o teto de setenta deputados e ficou nele: pela proporção pura sobre a população, a bancada paulista passaria de cem cadeiras, patamar que a Lei Complementar 78 proíbe.

Um alerta de leitura sobre a barra mais alta: o teto de setenta não penaliza apenas o paulista. Ele redistribui as cadeiras excedentes entre os demais estados, o que empurra para cima o peso do voto em Minas Gerais, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, estados que estão longe do teto e longe do piso.

A diferença entre a primeira e a quinta barra é de 444.661 eleitores por cadeira. Dividindo uma pela outra, o resultado são 9,96 eleitores paulistas para cada eleitor roraimense, a conta desta edição sobre os dados do TSE.

Vale dizer com clareza o que as cinco barras deixam de fora. Elas não medem abstenção, não medem voto nulo, não medem a diferença de votos que cada candidato precisa para se eleger dentro do quociente eleitoral do seu partido e não dizem nada sobre a qualidade do mandato.

As barras também não contam o que acontece no Senado. Lá a desproporção é maior e deliberada: cada estado elege três senadores, o que dá ao eleitor roraimense um peso cerca de oitenta e sete vezes maior que o do eleitor paulista na Casa que aprova indicação de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Fonte e método: estatísticas do eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral para o pleito de 2026, com a distribuição de cadeiras fixada pela Lei Complementar 78 de 1993 e a divisão por estado calculada nesta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

Quase dez para um

A distância entre o peso do voto roraimense e o do voto paulista na Câmara dos Deputados equivale a 9,96 eleitores paulistas por eleitor de Roraima, pela conta desta edição sobre o eleitorado do TSE para 2026.

Em eleitores por cadeira, a cifra ganha tamanho de urna. São necessários quase dez paulistas indo votar para gerar a mesma fração de cadeira que um roraimense gera sozinho, e a proporção independe de partido ou candidato.

A conta por cadeira também muda a leitura do mapa. Os nove estados que ocupam o piso de oito deputados somam 72 cadeiras, cerca de 14% da Câmara, com um eleitorado somado próximo de 11 milhões de pessoas, algo perto de 7% do eleitorado nacional.

A média nacional serve de linha de corte. O país tem cerca de 158 milhões de eleitores para 513 cadeiras, ou 308 mil por vaga, número que passa perto da barra mineira do gráfico.

Comparada à média, Roraima tem voto 6,2 vezes mais pesado e o eleitor paulista tem voto 1,6 vez mais leve. A assimetria, portanto, não é simétrica: a distorção do piso é bem maior que a distorção do teto.

Roraima49.625 eleitores por cadeira
Amapá76.250 eleitores por cadeira
Acre77.500 eleitores por cadeira
Minas Gerais311.321 eleitores por cadeira
Estado de São Paulo494.286 eleitores por cadeira
Média nacionalcerca de 308 mil por cadeira
Razão entre as pontas9,96 para 1

"A democracia representativa repousa sobre a igualdade política dos cidadãos."

Norberto Bobbio, O Futuro da Democracia, ano de 1984

A desproporção tem duas causas visíveis na própria regra. O piso de oito cadeiras foi criado para dar voz parlamentar a estados que a divisão pura deixaria com um ou dois deputados, e o teto de setenta foi criado para impedir que um estado sozinho aprovasse matéria na Câmara.

A população no numerador pesa tanto quanto a cadeira no denominador. Quando um estado cresce em habitantes sem ganhar vaga nova, o peso do voto de cada eleitor dele cai, e esse movimento explica por que a bancada paulista discute revisão de cadeiras a cada censo demográfico do IBGE.

O Supremo Tribunal Federal já foi chamado a decidir sobre o desenho. Em 2014, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.947, a Corte derrubou uma resolução do TSE que redistribuía cadeiras sem lei complementar, mantendo o piso e o teto vigentes desde 1993.

O efeito prático aparece na formação de maioria. Uma emenda constitucional precisa de 308 votos na Câmara, e quem monta essa base costuma somar bancadas inteiras dos estados do piso, mais baratas em campanha e mais fáceis de mobilizar que uma fração equivalente do eleitorado paulista.

A leitura para quem acompanha política cabe numa frase: a Câmara brasileira é proporcional na faixa central e fixa nas duas pontas, e a ponta de baixo distorce quase quatro vezes mais que a ponta de cima.

 

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III  Refaça a Conta

Pese o seu próprio voto

1. O eleitorado do seu estado: procure nas estatísticas do eleitorado publicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral quantos eleitores aptos a sua unidade da federação tem no pleito mais recente, sem somar os eleitores registrados no exterior, que elegem deputado por uma regra própria.

2. As cadeiras da sua bancada: consulte no portal da Câmara dos Deputados quantas vagas o seu estado elege, número que vai de oito a setenta e só muda por lei complementar nova.

3. A divisão: divida o eleitorado pelas cadeiras. O resultado entra na tabela nacional entre os 49.625 de Roraima e os 494.286 do estado paulista, e comparado com os 308 mil da média diz se o seu voto pesa acima ou abaixo do brasileiro médio.

Com o seu número na mão, três verificações mostram o que uma divisão simples esconde.

A primeira trata do quociente eleitoral. Dentro do estado, a cadeira não vai para o candidato mais votado, e sim para a coligação que atinge o quociente, calculado pela divisão dos votos válidos pelo número de vagas. Dois candidatos com a mesma votação em estados diferentes podem ter destinos opostos.

A segunda trata da abstenção. O eleitorado registrado inclui quem não comparece, e o comparecimento varia de estado para estado, então repita a divisão usando os votos válidos apurados pelo TSE na última eleição para obter o peso efetivo, sempre maior que o peso nominal.

A terceira trata do Senado. Some ao cálculo as três cadeiras que cada estado elege e o retrato muda de figura, porque nessa Casa a desproporção não tem teto nem piso: ela é a própria regra, idêntica para Roraima e para o estado de São Paulo.

O uso prático aparece na leitura de votação apertada. Quando uma proposta passa na Câmara por dez votos, conferir de quais estados vieram esses dez mostra se a maioria se formou no eleitorado grande ou na bancada barata.

O uso seguinte aparece na avaliação de campanha. Candidato a deputado federal em estado do piso precisa de bem menos votos para se eleger, o que explica o investimento de partido nacional em nome forte no Norte.

O uso final aparece no debate sobre reforma política. Quem conhece a razão de 9,96 para 1 discute aumento do teto, revisão do piso ou mudança do número de cadeiras sem depender de adjetivo, e sabe que alterar a regra exige lei complementar aprovada pelas bancadas que perderiam vaga.

49.625 eleitores por cadeira em Roraima, contra 494.286 no estado de São Paulo. Foi o peso do voto para a Câmara dos Deputados no pleito de 2026, segundo as estatísticas do eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral.

"Quantos eleitores o seu estado coloca em cada cadeira da Câmara?"

 
 
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Quiz da edição

Qual documento crava o piso de 8 e o teto de 70 cadeiras por estado na Câmara dos Deputados?

AO artigo 45 da Constituição Federal, direto
BA Lei Complementar 78, de 1993
CUma resolução anual do Tribunal Superior Eleitoral
DO Regimento Interno da Câmara dos Deputados

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