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Pela ANM, a CFEM arrecadou perto de R$ 0,33 bilhão em 2004, R$ 1,56 bilhão em 2011, R$ 1,84 bilhão em 2017, R$ 10,3 bilhões em 2021 e R$ 7,3 bilhões em 2024.
A compensação nasceu na Constituição de 1988. O artigo 20 garantiu a estados e municípios uma participação no resultado da exploração mineral em seus territórios, e a Lei 7.990, de 1989, criou a cobrança.
Até 2017, quem cuidava da arrecadação era o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). A Lei 13.575, publicada no fim de 2017, transformou o departamento na ANM, que herdou o cadastro e publica a série completa no seu portal de dados.
Nos primeiros anos da série, a cobrança era pequena. Em 2004, o minério de ferro valia pouco no mercado internacional, e a alíquota (o percentual cobrado) do ferro era de 2% sobre o faturamento líquido da venda, depois de descontados impostos e frete.
O primeiro salto veio com a China. A demanda das siderúrgicas chinesas levou o preço do minério ao pico em 2011, e a CFEM daquele ano chegou perto de R$ 1,56 bilhão, quase cinco vezes o valor de 2004.
Depois o preço caiu, e a arrecadação andou de lado até 2017. A mudança seguinte veio de Brasília, e mexeu na fórmula.
A Lei 13.540, de 2017, trocou a base de cálculo: a cobrança passou a incidir sobre a receita bruta da venda, com poucos descontos. A mesma lei subiu a alíquota do minério de ferro para 3,5% e redistribuiu o dinheiro, com 60% para o município produtor, 15% para o estado e 15% para cidades afetadas pela mineração, como as cortadas por ferrovia.
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“É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território.”
Assembleia Nacional Constituinte, Constituição Federal, artigo 20, parágrafo 1, 1988
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O segundo salto juntou a lei nova com outro pico de preço. Em 2021, a tonelada de minério de ferro passou de US$ 200 no mercado chinês, e o dólar alto multiplicou a receita em reais. A CFEM bateu recorde, perto de R$ 10,3 bilhões.
Com o preço mais baixo, a arrecadação recuou para perto de R$ 7 bilhões em 2022 e ficou nessa faixa até 2024.
No mapa, a ordem também mudou. Minas Gerais liderou por décadas, com o Quadrilátero Ferrífero. O Pará ultrapassou os mineiros na segunda metade dos anos 2010, puxado por uma mina nova em Canaã dos Carajás, inaugurada em 2016.
Fonte e método: arrecadação da CFEM por ano, Agência Nacional de Mineração (antigo DNPM), 2004 a 2024; valores nominais, sem correção pela inflação, arredondados.
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