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ED 019

Água custa R$ 12,40 a mais no Sudeste a cada 10 m³

A tarifa média de água e esgoto vai de R$ 4,62 no Nordeste a R$ 5,86 no Sudeste, diferença de R$ 1,24 por metro cúbico.

Gráfico de barras comparando a tarifa média de água e esgoto por metro cúbico nas cinco regiões: Nordeste em R$ 4,62, Sul em R$ 4,97, Norte em R$ 5,31, Centro-Oeste em R$ 5,54 e Sudeste em R$ 5,86, com a fonte escrita dentro da imagem.

Tarifa de água e esgoto por região, 2023

 

Existe uma unidade de medida que aparece na sua conta todo mês e que quase ninguém consegue visualizar: o metro cúbico. É um cubo de um metro de lado, mil litros de água, o suficiente para encher dez banheiras cheias até a borda.

O prestador de saneamento mede o consumo do domicílio em metros cúbicos, aplica uma tarifa sobre cada um deles e soma o resultado. A conta que chega na caixa de correio é o produto de dois números: quanto entrou pelo cano e quanto vale cada mil litros.

O segundo número é uma decisão. Ele não sai de um mercado com compradores e vendedores disputando preço, sai de uma estrutura tarifária aprovada por uma agência reguladora, revisada em ciclos, calculada para cobrir custo de operação, energia elétrica, tratamento, perda na rede e investimento futuro.

Como a decisão é tomada dentro de cada prestador, e o país tem centenas deles entre companhias estaduais, autarquias municipais e concessionárias privadas, o preço do mesmo metro cúbico varia de um ponto do mapa para o outro sem que o produto mude em nada.

O SNIS recolhe essa informação uma vez por ano. Ele pede a cada prestador a receita operacional direta e o volume faturado, divide um pelo outro e devolve a tarifa média efetivamente praticada, que não é a tabela publicada, é o preço médio que saiu do encontro entre tabela, faixas de consumo e categoria do cliente.

Essa tarifa média tem uma virtude e uma limitação. A virtude é comparar prestadores que usam estruturas de cobrança completamente diferentes, com faixas, mínimos e descontos próprios, num único número por metro cúbico. A limitação é que ela é uma média ponderada pelo volume, e portanto descreve o conjunto, não a sua casa.

Agregada por região, essa média vira cinco números. Cinco preços para o mesmo produto entregue pelo mesmo tipo de infraestrutura, medido pela mesma unidade, num país com regulação nacional desde 2007.

O gráfico de hoje coloca as cinco regiões na mesma escala de reais por metro cúbico, da mais barata à mais cara, para mostrar o tamanho real do intervalo entre as pontas.

O resto da edição converte esse intervalo na conta de 10 metros cúbicos, o consumo típico de um domicílio pequeno, e deixa a divisão pronta para você refazer com a sua própria fatura.

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I  O Gráfico do Dia

R$ 4,62 no Nordeste, R$ 5,86 no Sudeste

O mesmo metro cúbico custa 27% a mais na região mais cara do que na mais barata.

A tarifa média de água e esgoto praticada no Nordeste é de R$ 4,62 por metro cúbico. No Sudeste, é de R$ 5,86. A diferença entre as duas pontas é de R$ 1,24 em cada mil litros faturados.

Entre as pontas ficam três regiões. O Sul aparece em R$ 4,97, o Norte em R$ 5,31 e o Centro-Oeste em R$ 5,54, formando uma escada curta em que nenhum degrau chega a um real.

As cinco barras descrevem a mesma divisão feita cinco vezes: receita operacional dividida por volume faturado, dentro do recorte de cada região.

A ordem das barras contraria a intuição mais comum sobre saneamento. A região com maior renda média e maior densidade urbana é a que cobra mais caro pela água, e a região com menor renda média é a que cobra menos.

Densidade deveria puxar o preço para baixo. Quanto mais ligações por quilômetro de rede, mais o custo fixo da tubulação se dilui, e menos cada domicílio precisa pagar pela mesma infraestrutura enterrada na rua.

Uma variável explica boa parte do movimento contrário: a cobertura de esgoto. A tarifa medida aqui soma água e esgoto, e a coleta com tratamento costuma ser cobrada como um percentual do consumo de água, entre 80% e 100% dependendo do contrato.

Onde a rede de esgoto chega a quase todo mundo, quase toda conta carrega os dois componentes. Onde a coleta atende metade da população, metade das faturas traz só a linha da água, e a média regional cai por composição, não por preço menor.

O Sudeste é a região com maior cobertura de coleta e tratamento do país. O Nordeste e o Norte estão nas duas últimas posições dessa mesma medida, e a diferença de cobertura é maior que a diferença de tarifa.

Há um segundo componente do custo que anda junto com a geografia. Água precisa de energia elétrica para ser bombeada, e altura de recalque, distância do manancial e perda na distribuição definem quantos quilowatts-hora cada mil litros consome antes de chegar à torneira.

Vale registrar o que a média regional não separa. Dentro de cada região convivem prestadores estaduais, municipais e privados, com estruturas tarifárias distintas, e a média esconde amplitudes internas maiores que a diferença entre as regiões.

A tarifa social também está dentro do número. Famílias inscritas no cadastro de baixa renda pagam valores reduzidos, e a proporção dessas famílias no total faturado empurra a média regional para baixo onde elas são mais numerosas.

Fonte e método: tarifa média praticada, receita operacional direta dividida pelo volume faturado de água e esgoto, agregada por região, SNIS, dados de 2023. O eixo do gráfico começa no zero.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 12,40 por mês na conta de 10 metros cúbicos

Sobre um consumo de 10 metros cúbicos no mês, a diferença de R$ 1,24 por metro cúbico vira R$ 12,40 na fatura. No ano, são R$ 148,80 pagos a mais pelo mesmo volume de água.

Dez metros cúbicos são dez mil litros, o consumo típico de um domicílio de duas a três pessoas com chuveiro, máquina de lavar e descarga em uso normal. É também a faixa em que a maioria das estruturas tarifárias brasileiras coloca o cliente residencial padrão.

Aplicada a esse consumo, a tarifa média de cada região devolve cinco contas mensais:

Nordeste, R$ 4,62 por m³R$ 46,20
Sul, R$ 4,97 por m³R$ 49,70
Norte, R$ 5,31 por m³R$ 53,10
Centro-Oeste, R$ 5,54 por m³R$ 55,40
Sudeste, R$ 5,86 por m³R$ 58,60

A distância entre a primeira e a última linha é o que a edição chama de intervalo regional. São R$ 12,40 por mês entre morar na ponta barata e morar na ponta cara, com a mesma torneira aberta pelo mesmo tempo.

Doze meses de intervalo somam R$ 148,80. Sobre uma década de moradia no mesmo endereço, e mantida a diferença atual entre as duas pontas, o total passa de R$ 1.480 antes de qualquer reajuste anual aplicado às tarifas.

"A tarifa média praticada corresponde à razão entre a receita operacional direta e o volume faturado, e expressa o valor médio efetivamente cobrado por metro cúbico."

Ministério das Cidades, Diagnóstico Temático de Água e Esgoto do SNIS, edição de 2024

O reajuste é o detalhe que muda a escala do problema no tempo. Contratos de concessão e revisões tarifárias costumam corrigir o preço por índice de inflação, e um percentual aplicado sobre uma base maior produz um aumento nominal maior a cada ciclo.

Existe um efeito adicional que o número mensal não mostra. Como a estrutura tarifária é escalonada por faixa de consumo, quem gasta mais paga um preço unitário maior nas faixas superiores, e o intervalo entre regiões cresce junto com o consumo do domicílio.

Um domicílio de 20 metros cúbicos não paga o dobro da conta de 10 metros cúbicos. Paga mais que o dobro na maioria das tabelas, porque a faixa seguinte é cobrada com valor unitário mais alto, desenhado para desestimular o desperdício.

A conta também carrega uma parte fixa em muitos prestadores. A tarifa mínima cobre um consumo básico mesmo quando o hidrômetro registra menos, e quem consome pouco acaba pagando um preço unitário efetivo bem acima da média regional publicada.

Nada disso aparece na fatura de forma separada. O papel informa o consumo em metros cúbicos e o valor total a pagar, e o preço unitário que liga um número ao outro precisa ser calculado pelo próprio morador.

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III  Refaça a Conta

Divida a sua conta pelo consumo do mês

1. O seu volume: localize na fatura o consumo do mês em metros cúbicos. Ele aparece perto da leitura do hidrômetro, geralmente como a diferença entre a leitura atual e a anterior.

2. O seu valor: use o total da fatura sem juros, sem multa e sem parcelamento de débito antigo. Se houver taxa de lixo cobrada junto, retire, porque ela não é serviço de saneamento.

3. A conta: divida o valor pelo volume. O resultado é a sua tarifa média praticada por metro cúbico, exatamente a mesma medida que o SNIS calcula para cada prestador do país.

A régua funciona com qualquer fatura, desde que os dois números venham do mesmo período de leitura. Comparar o valor de um mês com o consumo de outro produz um preço unitário que não existe.

Três avisos antes de comparar o seu resultado com o gráfico. O primeiro é a cobertura de esgoto: se a sua rua não tem coleta, a sua fatura traz só a linha da água, e a tarifa que sai da divisão vai ficar naturalmente abaixo da média regional.

O segundo é a tarifa mínima. Domicílio com consumo baixo paga o piso do prestador, e a divisão devolve um preço unitário inflado que descreve o piso, não o preço da água.

O terceiro é a categoria do imóvel. Residencial, comercial, industrial e público pagam tabelas diferentes pelo mesmo metro cúbico, e comparar categorias distintas mede política tarifária em vez de custo do serviço.

Feita a divisão, ela responde a uma pergunta prática. Quanto do que você paga corresponde ao volume que você consome e quanto corresponde à estrutura que o seu prestador precisa manter em pé.

No exemplo da edição, a resposta é direta. Sobre 10 metros cúbicos, R$ 12,40 é a parte da conta que depende apenas da região em que o hidrômetro está instalado.

Para quem quer reduzir o número, o caminho passa pelo volume, não pela tarifa. Cada metro cúbico economizado vale entre R$ 4,62 e R$ 5,86 dependendo do endereço, e a única variável sob controle do morador é a quantidade que entra pelo cano.

Pegue a fatura mais recente agora e faça a divisão. O resultado diz, em um número só, quanto custa cada mil litros que passam pela sua casa e onde você está dentro da escada de cinco degraus do gráfico.

"Quanto custa cada mil litros que entram na sua casa?"

 
 
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Sobre um consumo de 10 m³ por mês, qual é a diferença ACUMULADA NO ANO entre pagar a tarifa média do Sudeste e a do Nordeste?

AR$ 12,40
BR$ 148,80
CR$ 124,00
DR$ 1.480,00

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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