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Água custa R$ 12,40 a mais no Sudeste a cada 10 m³
A tarifa média de água e esgoto vai de R$ 4,62 no Nordeste a R$ 5,86 no Sudeste, diferença de R$ 1,24 por metro cúbico.
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Tarifa de água e esgoto por região, 2023
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Existe uma unidade de medida que aparece na sua conta todo mês e que quase ninguém consegue visualizar: o metro cúbico. É um cubo de um metro de lado, mil litros de água, o suficiente para encher dez banheiras cheias até a borda.
O prestador de saneamento mede o consumo do domicílio em metros cúbicos, aplica uma tarifa sobre cada um deles e soma o resultado. A conta que chega na caixa de correio é o produto de dois números: quanto entrou pelo cano e quanto vale cada mil litros.
O segundo número é uma decisão. Ele não sai de um mercado com compradores e vendedores disputando preço, sai de uma estrutura tarifária aprovada por uma agência reguladora, revisada em ciclos, calculada para cobrir custo de operação, energia elétrica, tratamento, perda na rede e investimento futuro.
Como a decisão é tomada dentro de cada prestador, e o país tem centenas deles entre companhias estaduais, autarquias municipais e concessionárias privadas, o preço do mesmo metro cúbico varia de um ponto do mapa para o outro sem que o produto mude em nada.
O SNIS recolhe essa informação uma vez por ano. Ele pede a cada prestador a receita operacional direta e o volume faturado, divide um pelo outro e devolve a tarifa média efetivamente praticada, que não é a tabela publicada, é o preço médio que saiu do encontro entre tabela, faixas de consumo e categoria do cliente.
Essa tarifa média tem uma virtude e uma limitação. A virtude é comparar prestadores que usam estruturas de cobrança completamente diferentes, com faixas, mínimos e descontos próprios, num único número por metro cúbico. A limitação é que ela é uma média ponderada pelo volume, e portanto descreve o conjunto, não a sua casa.
Agregada por região, essa média vira cinco números. Cinco preços para o mesmo produto entregue pelo mesmo tipo de infraestrutura, medido pela mesma unidade, num país com regulação nacional desde 2007.
O gráfico de hoje coloca as cinco regiões na mesma escala de reais por metro cúbico, da mais barata à mais cara, para mostrar o tamanho real do intervalo entre as pontas.
O resto da edição converte esse intervalo na conta de 10 metros cúbicos, o consumo típico de um domicílio pequeno, e deixa a divisão pronta para você refazer com a sua própria fatura.
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I O Gráfico do Dia
R$ 4,62 no Nordeste, R$ 5,86 no Sudeste
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O mesmo metro cúbico custa 27% a mais na região mais cara do que na mais barata.
A tarifa média de água e esgoto praticada no Nordeste é de R$ 4,62 por metro cúbico. No Sudeste, é de R$ 5,86. A diferença entre as duas pontas é de R$ 1,24 em cada mil litros faturados.
Entre as pontas ficam três regiões. O Sul aparece em R$ 4,97, o Norte em R$ 5,31 e o Centro-Oeste em R$ 5,54, formando uma escada curta em que nenhum degrau chega a um real.
As cinco barras descrevem a mesma divisão feita cinco vezes: receita operacional dividida por volume faturado, dentro do recorte de cada região.
A ordem das barras contraria a intuição mais comum sobre saneamento. A região com maior renda média e maior densidade urbana é a que cobra mais caro pela água, e a região com menor renda média é a que cobra menos.
Densidade deveria puxar o preço para baixo. Quanto mais ligações por quilômetro de rede, mais o custo fixo da tubulação se dilui, e menos cada domicílio precisa pagar pela mesma infraestrutura enterrada na rua.
Uma variável explica boa parte do movimento contrário: a cobertura de esgoto. A tarifa medida aqui soma água e esgoto, e a coleta com tratamento costuma ser cobrada como um percentual do consumo de água, entre 80% e 100% dependendo do contrato.
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Onde a rede de esgoto chega a quase todo mundo, quase toda conta carrega os dois componentes. Onde a coleta atende metade da população, metade das faturas traz só a linha da água, e a média regional cai por composição, não por preço menor.
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O Sudeste é a região com maior cobertura de coleta e tratamento do país. O Nordeste e o Norte estão nas duas últimas posições dessa mesma medida, e a diferença de cobertura é maior que a diferença de tarifa.
Há um segundo componente do custo que anda junto com a geografia. Água precisa de energia elétrica para ser bombeada, e altura de recalque, distância do manancial e perda na distribuição definem quantos quilowatts-hora cada mil litros consome antes de chegar à torneira.
Vale registrar o que a média regional não separa. Dentro de cada região convivem prestadores estaduais, municipais e privados, com estruturas tarifárias distintas, e a média esconde amplitudes internas maiores que a diferença entre as regiões.
A tarifa social também está dentro do número. Famílias inscritas no cadastro de baixa renda pagam valores reduzidos, e a proporção dessas famílias no total faturado empurra a média regional para baixo onde elas são mais numerosas.
Fonte e método: tarifa média praticada, receita operacional direta dividida pelo volume faturado de água e esgoto, agregada por região, SNIS, dados de 2023. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
R$ 12,40 por mês na conta de 10 metros cúbicos
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Sobre um consumo de 10 metros cúbicos no mês, a diferença de R$ 1,24 por metro cúbico vira R$ 12,40 na fatura. No ano, são R$ 148,80 pagos a mais pelo mesmo volume de água.
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Dez metros cúbicos são dez mil litros, o consumo típico de um domicílio de duas a três pessoas com chuveiro, máquina de lavar e descarga em uso normal. É também a faixa em que a maioria das estruturas tarifárias brasileiras coloca o cliente residencial padrão.
Aplicada a esse consumo, a tarifa média de cada região devolve cinco contas mensais:
| Nordeste, R$ 4,62 por m³ | R$ 46,20 |
| Sul, R$ 4,97 por m³ | R$ 49,70 |
| Norte, R$ 5,31 por m³ | R$ 53,10 |
| Centro-Oeste, R$ 5,54 por m³ | R$ 55,40 |
| Sudeste, R$ 5,86 por m³ | R$ 58,60 |
A distância entre a primeira e a última linha é o que a edição chama de intervalo regional. São R$ 12,40 por mês entre morar na ponta barata e morar na ponta cara, com a mesma torneira aberta pelo mesmo tempo.
Doze meses de intervalo somam R$ 148,80. Sobre uma década de moradia no mesmo endereço, e mantida a diferença atual entre as duas pontas, o total passa de R$ 1.480 antes de qualquer reajuste anual aplicado às tarifas.
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"A tarifa média praticada corresponde à razão entre a receita operacional direta e o volume faturado, e expressa o valor médio efetivamente cobrado por metro cúbico."
Ministério das Cidades, Diagnóstico Temático de Água e Esgoto do SNIS, edição de 2024
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O reajuste é o detalhe que muda a escala do problema no tempo. Contratos de concessão e revisões tarifárias costumam corrigir o preço por índice de inflação, e um percentual aplicado sobre uma base maior produz um aumento nominal maior a cada ciclo.
Existe um efeito adicional que o número mensal não mostra. Como a estrutura tarifária é escalonada por faixa de consumo, quem gasta mais paga um preço unitário maior nas faixas superiores, e o intervalo entre regiões cresce junto com o consumo do domicílio.
Um domicílio de 20 metros cúbicos não paga o dobro da conta de 10 metros cúbicos. Paga mais que o dobro na maioria das tabelas, porque a faixa seguinte é cobrada com valor unitário mais alto, desenhado para desestimular o desperdício.
A conta também carrega uma parte fixa em muitos prestadores. A tarifa mínima cobre um consumo básico mesmo quando o hidrômetro registra menos, e quem consome pouco acaba pagando um preço unitário efetivo bem acima da média regional publicada.
Nada disso aparece na fatura de forma separada. O papel informa o consumo em metros cúbicos e o valor total a pagar, e o preço unitário que liga um número ao outro precisa ser calculado pelo próprio morador.
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