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A Rouanet capta R$ 15 por paulista e 50 centavos por nortista

Dividida pela população, a captação registrada no Salic de 2010 a 2024 vai de R$ 17,40 por fluminense a menos de R$ 1 no Norte.

Gráfico da captação da Lei Rouanet por habitante, média de 2010 a 2024: RJ R$ 17,40, SP R$ 15,10, Brasil R$ 6,90, MG R$ 6,10, Norte R$ 0,50.

Rouanet captada por habitante, média anual

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R$ 0,50 por habitante por ano. Foi a captação média da Lei Rouanet nos sete estados da Região Norte entre 2010 e 2024, pela conta desta edição com os dados do Salic e a população do Censo 2022 do IBGE.

O Salic é o Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura, mantido pelo Ministério da Cultura. Cada projeto aprovado entra ali com proponente, cidade, valor autorizado e valor captado, mês a mês.

Captado é o dinheiro de fato depositado na conta do projeto por empresas e pessoas. Elas abatem o valor do Imposto de Renda devido, dentro de um teto, e o Tesouro deixa de arrecadar a mesma quantia.

Na prática, a Rouanet é gasto público por renúncia. O governo não escolhe o projeto final: aprova o enquadramento, e quem decide onde o dinheiro cai é o patrocinador.

Cinquenta centavos por ano cabem numa bala. Somados pelos 17 milhões de moradores do Norte, dão perto de R$ 9 milhões por ano para a região inteira, pela mesma estimativa.

No mesmo período, a captação nacional ficou perto de R$ 1,4 bilhão por ano, em valores nominais. Dividida pelos 203 milhões de brasileiros contados pelo IBGE em 2022, a média nacional sai perto de R$ 6,90 por pessoa.

O Norte fica em menos de um décimo da média. O motivo aparece quando a lista do Salic é ordenada por estado: o dinheiro mora onde moram as sedes das grandes empresas.

Patrocinador grande paga muito imposto, e paga onde está a matriz. Bancos, petroleiras, mineradoras e varejistas concentram sede em São Paulo e no Rio, e preferem projetos perto da própria marca.

A ordenação pelo valor absoluto já mostra o eixo Rio e São Paulo no topo. A ordenação por habitante muda a escala da conversa: tira o efeito do tamanho da população e mostra quanto chega a cada morador.

A faixa I mostra os estados lado a lado nessa unidade, em reais por habitante por ano.

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Quem banca a edição de hoje

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I  O Gráfico do Dia

Dois estados, dois terços do dinheiro

Pela conta desta edição com o Salic de 2010 a 2024, o Rio de Janeiro captou perto de R$ 17,40 por habitante por ano, São Paulo R$ 15,10, Minas Gerais R$ 6,10 e o Brasil, na média, R$ 6,90.

A Lei 8.313, de dezembro de 1991, criou o Pronac, o Programa Nacional de Apoio à Cultura. O nome popular veio do secretário de Cultura da época, Sérgio Paulo Rouanet.

O mecanismo mais usado é o incentivo fiscal, chamado de mecenato no texto da lei. Empresa no lucro real pode abater até 4% do Imposto de Renda devido; pessoa física, até 6%.

Pelo artigo 18, parte dos projetos tem abatimento de 100% do valor patrocinado. Nesses casos, o dinheiro sai inteiro do imposto, sem custo para a empresa além da escolha.

“Fica instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I, contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais.”

Congresso Nacional, Lei 8.313, artigo 1º, 1991

A palavra “todos” do artigo 1º encontra o mapa do Salic. São Paulo e Rio somam perto de dois terços do valor captado no período, pela soma desta edição, e abrigam perto de 30% da população do país pelo Censo 2022.

São Paulo lidera em reais absolutos, com perto de R$ 670 milhões por ano. Dividido pelos 44 milhões de paulistas, o valor cai abaixo do fluminense.

O Rio capta menos, perto de R$ 280 milhões por ano, para 16 milhões de moradores. Por habitante, fica no topo do gráfico.

Minas Gerais, terceiro estado em valor, fica abaixo da média nacional por pessoa. O Distrito Federal aparece alto pela sede de estatais e de órgãos federais, com população pequena.

Nos sete estados do Norte, a soma anual não passa de poucos milhões de reais. Em parte dos anos, estados inteiros da região têm menos de 20 projetos com captação registrada.

O proponente também conta. Um festival feito no Pará por produtora sediada em São Paulo pode entrar no Salic com a cidade do proponente, e o mapa por estado subestima a circulação.

Fonte e método: Salic, do Ministério da Cultura, valores captados por UF do proponente de 2010 a 2024, em reais nominais; população do Censo 2022 do IBGE; média anual e arredondamento desta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 103 milhões a mais por ano

Se o Norte captasse a média nacional por habitante, a região receberia perto de R$ 112 milhões por ano, contra os R$ 9 milhões de hoje, pela estimativa desta edição.

A conta por habitante troca a pergunta. Em vez de quanto cada estado levou, ela mostra quanto cada morador recebeu, e a distância entre os extremos aparece inteira.

Pela média anual de 2010 a 2024, a captação por pessoa fica assim:

Rio de JaneiroR$ 17,40
São PauloR$ 15,10
BrasilR$ 6,90
Minas GeraisR$ 6,10
Região NorteR$ 0,50

Um fluminense recebe perto de 35 vezes o valor de um morador do Norte. Em dez anos, a diferença por pessoa passa de R$ 160.

O valor mensal ajuda a medir. R$ 17,40 por ano dão R$ 1,45 por mês por morador do Rio; os 50 centavos do Norte dão 4 centavos por mês.

O dinheiro captado é renúncia fiscal, e a renúncia sai do imposto pago no país inteiro. O Imposto de Renda abatido reduz o caixa da União, e o Norte também perde parte dos repasses federais calculados sobre essa arrecadação.

Pelo Fundo de Participação dos Estados e o dos Municípios, uma fatia do Imposto de Renda volta a estados e prefeituras, com peso maior para os mais pobres. Cada real abatido diminui também essa fatia.

A conta de R$ 103 milhões mede só a distância até a média. Ela não diz quanto a região absorveria em projetos: produtoras, espaços e equipes precisam existir para receber o dinheiro.

O governo federal mexeu nas regras para empurrar o mapa. A instrução normativa de 2023 do Ministério da Cultura elevou tetos para projetos fora do eixo Rio e São Paulo e criou cotas regionais em editais de estatais.

O efeito aparece devagar. Patrocinador privado segue livre para escolher, e a decisão continua no departamento de marketing da empresa.

Estatais pesam nessa conta. Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e BNDES aparecem entre os maiores patrocinadores do Salic no período, e seus editais públicos são o canal mais rápido para levar dinheiro a estados com pouca sede de empresa.

Dividir por habitante também tem limite. Um museu no Rio recebe visitantes do país inteiro, e um festival em São Paulo vende ingresso para fora do estado; o gráfico mede onde o projeto se registra, não quem assiste.

 

Quem banca a edição de hoje

The Mineral Everyone Forgets Until Their Driveway Freezes Over

Most people couldn't tell you what scandium is for, but everyone knows what happens when roads go unsalted. North America keeps running short, and Atlas Salt (TSXV: SALT) is building a shovel-ready mine in Newfoundland, three days by ship from Boston, with C$188 million in projected yearly free cash flow.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Refaça a Conta

A Rouanet do seu estado em 4 passos

1. O valor: no portal VerSalic, do Ministério da Cultura, filtre os projetos por UF do proponente e por ano, e anote o total captado.

2. A população: no site do IBGE, pegue a população do seu estado no Censo 2022 ou a estimativa do ano escolhido.

3. A divisão: divida o total captado pela população. O resultado é a captação por habitante naquele ano.

4. A média: repita para três ou mais anos e tire a média, porque um projeto grande num ano só distorce a série.

Com números redondos, o caminho fica assim. Um estado com R$ 30 milhões captados num ano e 6 milhões de moradores tem R$ 5 por habitante, abaixo da média nacional de R$ 6,90.

Para comparar com o gráfico, use a mesma unidade e o mesmo período. Se usar só um ano, compare com o valor nacional daquele ano, e não com a média de 2010 a 2024.

Cinco cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do aprovado. O Salic mostra o valor autorizado a captar e o valor captado; só o segundo virou dinheiro, e a distância entre os dois costuma ser grande.

O segundo trata do proponente. A UF registrada é a do proponente, não a do lugar onde o espetáculo acontece; turnês e festivais itinerantes ficam no estado da produtora.

O terceiro trata da inflação. Os valores do Salic saem em reais nominais; para comparar 2010 com 2024, corrija pelo IPCA na Calculadora do Cidadão, do Banco Central.

O quarto trata do município. A capital costuma concentrar quase todo o valor do estado; para saber quanto chega ao interior, filtre também pela cidade.

Um quinto cuidado vale para anos atípicos. Em 2020 e 2021, a pandemia fechou teatros e adiou festivais, e a captação caiu em quase todos os estados; inclua esses anos na média, mas olhe a série inteira antes de concluir.

Com os cinco cuidados anotados, o número do seu estado entra no mesmo gráfico: reais captados por habitante por ano, na média do período.

“Quanto a Rouanet captou por morador do seu estado no último ano, e quanto disso ficou fora da capital?”

R$ 17,40 por habitante por ano. Foi a captação média da Lei Rouanet no Rio de Janeiro entre 2010 e 2024 (Salic, Ministério da Cultura; IBGE, Censo 2022).

★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

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Quiz da edição

Pela conta desta edição com dados do Salic de 2010 a 2024, qual foi a captação média da Lei Rouanet por habitante por ano no Rio de Janeiro?

AR$ 6,90, a média nacional
BR$ 17,40, a maior entre os recortes
CR$ 15,10, o valor de São Paulo
DR$ 0,50, o valor da Região Norte

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