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A poupança rendeu metade da Selic em doze meses
Em doze meses, a caderneta rendeu 8,06% e a Selic acumulou 14,72%. A regra de 0,5% ao mês mais TR fixou um teto que o juro básico já passou.
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Poupança, Selic e IPCA em doze meses
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A caderneta de poupança tem uma data que decide o extrato, e ela não é o dia do depósito. É o aniversário, o dia do mês em que o dinheiro entrou, e é só nele que o rendimento do período aparece creditado na conta.
O crédito segue uma fórmula fixa, escrita em lei desde 2012. Enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o depósito rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, e a meta do Copom não entra na conta em nenhum outro lugar da fórmula.
A TR é o pedaço variável. Ela sai do Banco Central, é calculada a partir das taxas dos títulos prefixados do Tesouro com um redutor aplicado em cima, e costuma rodar perto de um décimo e meio de ponto por mês quando o juro básico está alto.
A parte fixa é a que manda no resultado. Meio por cento ao mês vale igual em janeiro e em dezembro, e vale igual com a Selic em 10% ou em 15%, porque a meta do Copom só muda a fórmula num caso, e é um caso que hoje não está no mapa.
Em julho de 2026, o saldo da caderneta somava R$ 1,03 trilhão, segundo as estatísticas de poupança do Banco Central. É dinheiro de reserva de emergência, de conta aberta na infância, de herança pequena, e a maior parte dele nunca passou por uma comparação.
A caderneta tem duas defesas reais. O rendimento é isento de imposto de renda para pessoa física, e o depósito é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF em cada instituição.
A comparação honesta exige três séries no mesmo período. O rendimento creditado na caderneta, a Selic acumulada e o IPCA, sempre nos mesmos doze meses, porque janela diferente muda o resultado e não deixa comparar coisa nenhuma.
O gráfico de hoje empilha as três séries na mesma janela, com fonte, período e unidade escritos dentro da imagem. A distância entre a linha da caderneta e a linha da Selic é o que o resto da edição converte em reais.
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I O Gráfico do Dia
Metade da Selic em doze meses
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Três séries na mesma janela de doze meses.
Nos doze meses encerrados em julho de 2026, a poupança rendeu 8,06% e a Selic acumulou 14,72%. São 6,66 pontos percentuais de distância entre as duas linhas do mesmo período.
A caderneta ficou com 54,8% do juro básico. Cada real que a Selic pagou no intervalo virou pouco mais de cinquenta centavos dentro da poupança, e o resto ficou de fora do extrato do depositante.
O IPCA fecha o quadro. Com 4,58% de inflação em doze meses, a poupança entregou 3,33% de ganho real e a Selic, 9,70%. As duas ficaram acima da inflação, e a distância entre elas continua inteira.
A regra explica a linha reta. Meio por cento ao mês, capitalizado doze vezes, dá 6,17% ao ano, e a TR acumulada de 1,78% no período completa os 8,06% creditados.
O teto não se move com a Selic. Enquanto a meta estiver acima de 8,5% ao ano, a parte fixa é sempre a mesma, e o Copom pode levar o juro básico a 10%, a 13% ou a 15% sem mudar uma vírgula do crédito que cai no aniversário.
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A Selic sobe, a linha da caderneta segue reta, e a parte fixa da fórmula é a mesma desde 2012.
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O outro lado da regra só vale quando o juro cai fundo. Com a meta da Selic em 8,5% ao ano ou abaixo, a poupança passa a render 70% da meta mais TR, e a fórmula deixa de funcionar como teto.
Nos 8,5% exatos os dois braços quase se encontram. Setenta por cento de 8,5% dão 5,95% ao ano, e a regra fixa dá 6,17%, uma diferença de 0,22 ponto que decide qual braço da lei paga mais.
A comparação com o CDI fecha o retrato do período. O CDI acumulou 14,62% em doze meses, e uma aplicação que paga 100% dele entregou 12,06% já descontado o imposto de renda da faixa de 361 a 720 dias.
Descontado o imposto, a distância continua de pé. São 12,06% líquidos contra os 8,06% isentos da caderneta, quatro pontos percentuais de diferença entre duas aplicações do mesmo período.
Fonte e período: rendimento da caderneta e Taxa Referencial acumulada, estatísticas monetárias do Banco Central do Brasil; Selic e CDI acumulados no mesmo intervalo; IPCA em doze meses, IBGE. Janela de agosto de 2025 a julho de 2026. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
R$ 66,69 por mês em R$ 20 mil
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Uma reserva de R$ 20.000 rendeu R$ 1.612,00 na poupança em doze meses. A mesma reserva numa aplicação de 100% do CDI entregou R$ 2.412,30 já líquidos, R$ 800,30 a mais, ou R$ 66,69 por mês.
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A conta tem três passos. O percentual de cada aplicação no período, o imposto de renda onde ele existe, e a divisão do resultado por doze para chegar ao valor mensal.
O primeiro passo é direto na caderneta. R$ 20.000 a 8,06% em doze meses dão R$ 1.612,00, e nada sai desse valor, porque o rendimento da poupança é isento de imposto de renda para pessoa física.
O segundo passo cobra o imposto do outro lado. R$ 20.000 a 14,62% dão R$ 2.924,00 de rendimento bruto, e a alíquota de 17,5% da faixa de 361 a 720 dias leva R$ 511,70, deixando R$ 2.412,30 na conta.
O terceiro passo é a divisão. R$ 800,30 de diferença em doze meses dão R$ 66,69 por mês, e é esse o valor que sai do orçamento da família sem aparecer em nenhuma linha de despesa.
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"Em cada período de rendimento, os depósitos de poupança serão remunerados, como remuneração adicional, por juros de 0,5% (cinco décimos por cento) ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano, definida pelo Banco Central do Brasil, for superior a 8,5% (oito inteiros e cinco décimos por cento)."
Lei 8.177, de 1º de março de 1991, artigo 12, com a redação da Lei 12.703, de 7 de agosto de 2012
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A escala é linear e cabe na cabeça. Cada R$ 1.000 parados na caderneta produziram R$ 40,02 de diferença no ano, ou R$ 3,33 por mês, dentro da mesma janela de doze meses.
Os saldos comuns de reserva mostram o tamanho do buraco. R$ 5.000 deixaram R$ 200,08 no ano, R$ 10.000 deixaram R$ 400,15 e R$ 50.000 deixaram R$ 2.000,75, sempre já descontado o imposto do outro lado.
O Tesouro Selic chega perto do mesmo número, com uma cobrança a mais. A custódia da B3 é de 0,20% ao ano sobre a parte que passa de R$ 10 mil, e com ela descontada os R$ 20.000 entregaram R$ 2.408,80, ou R$ 66,40 por mês a mais que a caderneta.
O aniversário cobra um preço próprio. O rendimento da poupança só é creditado na data em que o depósito completa o mês, e o saque na véspera zera o período inteiro que já tinha corrido.
Sobre R$ 20.000, o crédito mensal da caderneta foi de R$ 129,58 no período medido. Sacar um dia antes da data devolve o principal e apaga esse valor, e o depósito seguinte recomeça a contagem do zero.
A aplicação de liquidez diária não tem esse corte. O rendimento entra dia a dia, o resgate leva junto o que já rendeu, e a data do saque deixa de ser uma decisão de calendário.
O risco de crédito não separa as duas pontas. A poupança e o CDB de banco são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
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