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A mensalidade sobe 8,4% e a inflação cheia sobe 4,58%
O reajuste médio das escolas particulares em 2026 ficou 3,82 pontos acima do IPCA cheio e 2,28 pontos acima do IPCA do grupo Educação.
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Mensalidade, IPCA Educação e IPCA cheio em 12 meses
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A carta do reajuste chega antes de o ano letivo terminar, presa na agenda da criança ou publicada no portal da escola. Ela tem parágrafos de agradecimento, planos pedagógicos para o ano seguinte e uma linha só que importa: o novo valor da mensalidade.
Quem lê a carta não negocia percentual. A escola informa, a rematrícula abre poucos dias depois, e trocar de colégio no meio do ciclo custa adaptação, uniforme novo, lista de material diferente e amizade desfeita no meio do caminho.
A lei manda a escola divulgar a planilha de custos que justifica o valor com 45 dias de antecedência da matrícula. Poucas famílias pedem a planilha, e menos ainda comparam o percentual da carta com a inflação que o IBGE mediu no mesmo período.
O IBGE publica duas réguas que servem para essa comparação. O IPCA cheio mede a cesta inteira do consumo urbano, do arroz ao aluguel. Dentro dele, o grupo Educação mede em separado mensalidade, material, curso livre e transporte escolar.
As duas séries saem todo mês, são gratuitas e ficam abertas na internet. Nenhuma delas aparece ao lado do número que a escola escreveu na carta, e a família assina a rematrícula sem régua nenhuma na mão.
Sem a régua, um reajuste vira só um percentual solto. Ele parece grande ou pequeno conforme o humor do mês, e não conforme a distância real entre o que a escola cobrou e o que os preços fizeram.
Quando as três curvas entram no mesmo eixo e no mesmo período, o número solto vira distância medida em pontos percentuais. É essa distância que decide se o boleto subiu junto com a economia ou acima dela.
O gráfico de hoje coloca as três séries lado a lado nos mesmos doze meses: o reajuste médio cobrado pelas escolas particulares, o IPCA cheio e o IPCA do grupo Educação.
O resto da edição transforma a distância entre elas em reais no boleto do ano letivo inteiro e devolve a divisão para você refazer com a carta que a escola do seu filho mandou.
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I O Gráfico do Dia
8,4% na escola, 4,58% no IPCA
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Três percentuais medem o mesmo intervalo de tempo, e eles não terminam no mesmo lugar.
O reajuste médio das mensalidades das escolas particulares para 2026 ficou em 8,4%, contra um IPCA cheio de 4,58% nos doze meses até julho. A distância entre os dois números é de 3,82 pontos percentuais.
A terceira série é a mais desconfortável para a comparação de defesa. O grupo Educação do próprio IPCA subiu 6,12% no mesmo intervalo, e ele já inclui mensalidade, material, curso técnico e transporte escolar.
Ou seja, mesmo comparado com a inflação do próprio setor, o reajuste médio ficou 2,28 pontos acima. A conta não fecha só com a alta de custos que o IBGE mediu nas escolas.
O IPCA do grupo Educação sobe em degrau, não em rampa. Ele carrega o peso de janeiro e fevereiro, quando quase todo colégio aplica o reajuste de uma vez, e fica quase parado no resto do ano.
A folha de pagamento explica parte do 8,4%. Salário de professor é o maior custo de uma escola, responde por algo entre 60% e 70% da planilha, e o piso do magistério foi reajustado acima do IPCA cheio em 2026.
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O que a folha não explica é a diferença de reajuste entre escolas da mesma cidade. Colégios vizinhos, com o mesmo piso e a mesma convenção coletiva, anunciaram percentuais que variaram de 5,9% a 12,5% para o mesmo ano letivo.
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Cada família paga a mensalidade do seu colégio, não a média nacional. A média serve para dizer se o número da sua carta ficou acima ou abaixo do que o mercado inteiro cobrou.
A lei que rege as anuidades escolares não fixa teto de reajuste. Ela exige transparência: planilha de custos aberta, prazo de 45 dias antes da matrícula e proibição de mudar o valor no meio do ano contratado.
Sem teto, o percentual é uma decisão comercial de cada escola. Ele mistura custo real, evasão prevista, fila de espera na porta e o quanto a direção acredita que a família aceita pagar sem sair.
Fonte e método: reajuste médio anunciado pelas escolas particulares para o ano letivo de 2026, levantamento Fenep; IPCA cheio e IPCA do grupo Educação acumulados em doze meses até julho de 2026, IBGE; distância calculada em pontos percentuais simples entre as séries. O eixo do gráfico começa no zero.
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II A Conta do Mês
R$ 1.249,92 a mais no ano letivo
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Uma mensalidade de R$ 1.240,00 em 2025 vira R$ 1.344,16 com o reajuste médio de 8,4%. São R$ 104,16 a mais por mês e R$ 1.249,92 a mais no ano letivo de doze parcelas.
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Se o mesmo boleto tivesse subido só o IPCA cheio, ele fecharia em R$ 1.296,79. A mensalidade real ficou R$ 47,37 acima desse valor, todo mês.
Multiplicado pelas doze parcelas, o pedaço que a inflação geral não explica soma R$ 568,44 no ano. É quase meia mensalidade paga fora da conta de preços do país.
Pela régua mais generosa, a do grupo Educação, o boleto fecharia em R$ 1.315,89. Ainda assim sobram R$ 28,27 por mês, ou R$ 339,24 no ano letivo.
O gasto total muda de patamar. A família que pagou R$ 14.880,00 de mensalidade em 2025 passa a pagar R$ 16.129,92 em 2026, com o mesmo filho, na mesma sala, com a mesma professora.
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"O valor das anuidades ou das semestralidades escolares será contratado, nos termos desta Lei, no ato da matrícula ou da sua renovação, entre o estabelecimento de ensino e o aluno."
Lei 9.870, artigo 1º, promulgada em 23 de novembro de 1999
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O contrato fecha o valor por doze meses, e essa é a proteção real da família. O que a lei não trava é o tamanho do salto de um ano para o outro, e é nele que a distância se acumula.
A mensalidade também não é a conta inteira do ano letivo. A matrícula costuma custar o equivalente a uma parcela, e a lista de material soma de R$ 600,00 a R$ 1.500,00 no ensino fundamental.
Somando matrícula e material a um preço médio de R$ 900,00, o ano de 2026 sai por R$ 18.374,08. O mesmo pacote em 2025 custava R$ 16.950,00 pelas mesmas premissas.
Com dois filhos na escola, os números dobram sem nenhuma economia de escala relevante. O aumento anual passa de R$ 1.249,92 para R$ 2.499,84 só no que veio do reajuste.
O efeito se empilha ano após ano, porque cada reajuste incide sobre a base já reajustada. Um filho que entra no primeiro ano e sai no nono atravessa nove cartas de reajuste, uma sobre a outra.
Se o reajuste médio de 8,4% se repetisse por cinco anos seguidos sobre a mesma base, a mensalidade de R$ 1.240,00 chegaria a R$ 1.855,44. O IPCA cheio de 4,58% levaria o mesmo boleto a R$ 1.550,80.
A diferença entre esses dois cenários é de R$ 304,64 por mês no quinto ano. Em doze parcelas, R$ 3.655,68 a mais, todo ano, só pela distância entre as duas curvas.
Nenhuma família decide o reajuste, mas toda família decide o que fazer depois de ler a carta. A decisão começa por saber o tamanho exato do número que chegou.
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