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ED 013

A mensalidade sobe 8,4% e a inflação cheia sobe 4,58%

O reajuste médio das escolas particulares em 2026 ficou 3,82 pontos acima do IPCA cheio e 2,28 pontos acima do IPCA do grupo Educação.

Gráfico de barras comparando três séries no mesmo período de doze meses: reajuste médio das mensalidades escolares de 2026 em 8,4%, IPCA do grupo Educação em 6,12% e IPCA cheio em 4,58%, com a fonte escrita dentro da imagem.

Mensalidade, IPCA Educação e IPCA cheio em 12 meses

 

A carta do reajuste chega antes de o ano letivo terminar, presa na agenda da criança ou publicada no portal da escola. Ela tem parágrafos de agradecimento, planos pedagógicos para o ano seguinte e uma linha só que importa: o novo valor da mensalidade.

Quem lê a carta não negocia percentual. A escola informa, a rematrícula abre poucos dias depois, e trocar de colégio no meio do ciclo custa adaptação, uniforme novo, lista de material diferente e amizade desfeita no meio do caminho.

A lei manda a escola divulgar a planilha de custos que justifica o valor com 45 dias de antecedência da matrícula. Poucas famílias pedem a planilha, e menos ainda comparam o percentual da carta com a inflação que o IBGE mediu no mesmo período.

O IBGE publica duas réguas que servem para essa comparação. O IPCA cheio mede a cesta inteira do consumo urbano, do arroz ao aluguel. Dentro dele, o grupo Educação mede em separado mensalidade, material, curso livre e transporte escolar.

As duas séries saem todo mês, são gratuitas e ficam abertas na internet. Nenhuma delas aparece ao lado do número que a escola escreveu na carta, e a família assina a rematrícula sem régua nenhuma na mão.

Sem a régua, um reajuste vira só um percentual solto. Ele parece grande ou pequeno conforme o humor do mês, e não conforme a distância real entre o que a escola cobrou e o que os preços fizeram.

Quando as três curvas entram no mesmo eixo e no mesmo período, o número solto vira distância medida em pontos percentuais. É essa distância que decide se o boleto subiu junto com a economia ou acima dela.

O gráfico de hoje coloca as três séries lado a lado nos mesmos doze meses: o reajuste médio cobrado pelas escolas particulares, o IPCA cheio e o IPCA do grupo Educação.

O resto da edição transforma a distância entre elas em reais no boleto do ano letivo inteiro e devolve a divisão para você refazer com a carta que a escola do seu filho mandou.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Gráfico do Dia

8,4% na escola, 4,58% no IPCA

Três percentuais medem o mesmo intervalo de tempo, e eles não terminam no mesmo lugar.

O reajuste médio das mensalidades das escolas particulares para 2026 ficou em 8,4%, contra um IPCA cheio de 4,58% nos doze meses até julho. A distância entre os dois números é de 3,82 pontos percentuais.

A terceira série é a mais desconfortável para a comparação de defesa. O grupo Educação do próprio IPCA subiu 6,12% no mesmo intervalo, e ele já inclui mensalidade, material, curso técnico e transporte escolar.

Ou seja, mesmo comparado com a inflação do próprio setor, o reajuste médio ficou 2,28 pontos acima. A conta não fecha só com a alta de custos que o IBGE mediu nas escolas.

O IPCA do grupo Educação sobe em degrau, não em rampa. Ele carrega o peso de janeiro e fevereiro, quando quase todo colégio aplica o reajuste de uma vez, e fica quase parado no resto do ano.

A folha de pagamento explica parte do 8,4%. Salário de professor é o maior custo de uma escola, responde por algo entre 60% e 70% da planilha, e o piso do magistério foi reajustado acima do IPCA cheio em 2026.

O que a folha não explica é a diferença de reajuste entre escolas da mesma cidade. Colégios vizinhos, com o mesmo piso e a mesma convenção coletiva, anunciaram percentuais que variaram de 5,9% a 12,5% para o mesmo ano letivo.

Cada família paga a mensalidade do seu colégio, não a média nacional. A média serve para dizer se o número da sua carta ficou acima ou abaixo do que o mercado inteiro cobrou.

A lei que rege as anuidades escolares não fixa teto de reajuste. Ela exige transparência: planilha de custos aberta, prazo de 45 dias antes da matrícula e proibição de mudar o valor no meio do ano contratado.

Sem teto, o percentual é uma decisão comercial de cada escola. Ele mistura custo real, evasão prevista, fila de espera na porta e o quanto a direção acredita que a família aceita pagar sem sair.

Fonte e método: reajuste médio anunciado pelas escolas particulares para o ano letivo de 2026, levantamento Fenep; IPCA cheio e IPCA do grupo Educação acumulados em doze meses até julho de 2026, IBGE; distância calculada em pontos percentuais simples entre as séries. O eixo do gráfico começa no zero.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 1.249,92 a mais no ano letivo

Uma mensalidade de R$ 1.240,00 em 2025 vira R$ 1.344,16 com o reajuste médio de 8,4%. São R$ 104,16 a mais por mês e R$ 1.249,92 a mais no ano letivo de doze parcelas.

Se o mesmo boleto tivesse subido só o IPCA cheio, ele fecharia em R$ 1.296,79. A mensalidade real ficou R$ 47,37 acima desse valor, todo mês.

Multiplicado pelas doze parcelas, o pedaço que a inflação geral não explica soma R$ 568,44 no ano. É quase meia mensalidade paga fora da conta de preços do país.

Pela régua mais generosa, a do grupo Educação, o boleto fecharia em R$ 1.315,89. Ainda assim sobram R$ 28,27 por mês, ou R$ 339,24 no ano letivo.

O gasto total muda de patamar. A família que pagou R$ 14.880,00 de mensalidade em 2025 passa a pagar R$ 16.129,92 em 2026, com o mesmo filho, na mesma sala, com a mesma professora.

"O valor das anuidades ou das semestralidades escolares será contratado, nos termos desta Lei, no ato da matrícula ou da sua renovação, entre o estabelecimento de ensino e o aluno."

Lei 9.870, artigo 1º, promulgada em 23 de novembro de 1999

O contrato fecha o valor por doze meses, e essa é a proteção real da família. O que a lei não trava é o tamanho do salto de um ano para o outro, e é nele que a distância se acumula.

A mensalidade também não é a conta inteira do ano letivo. A matrícula costuma custar o equivalente a uma parcela, e a lista de material soma de R$ 600,00 a R$ 1.500,00 no ensino fundamental.

Somando matrícula e material a um preço médio de R$ 900,00, o ano de 2026 sai por R$ 18.374,08. O mesmo pacote em 2025 custava R$ 16.950,00 pelas mesmas premissas.

Com dois filhos na escola, os números dobram sem nenhuma economia de escala relevante. O aumento anual passa de R$ 1.249,92 para R$ 2.499,84 só no que veio do reajuste.

O efeito se empilha ano após ano, porque cada reajuste incide sobre a base já reajustada. Um filho que entra no primeiro ano e sai no nono atravessa nove cartas de reajuste, uma sobre a outra.

Se o reajuste médio de 8,4% se repetisse por cinco anos seguidos sobre a mesma base, a mensalidade de R$ 1.240,00 chegaria a R$ 1.855,44. O IPCA cheio de 4,58% levaria o mesmo boleto a R$ 1.550,80.

A diferença entre esses dois cenários é de R$ 304,64 por mês no quinto ano. Em doze parcelas, R$ 3.655,68 a mais, todo ano, só pela distância entre as duas curvas.

Nenhuma família decide o reajuste, mas toda família decide o que fazer depois de ler a carta. A decisão começa por saber o tamanho exato do número que chegou.

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III  Refaça a Conta

Divida a nova mensalidade pela antiga

1. Os dois valores: pegue a mensalidade que você pagou em 2025 e a que a carta da escola anunciou para 2026, as duas sem desconto de pontualidade, para comparar a mesma base.

2. O seu reajuste: divida o valor novo pelo antigo, subtraia 1 e multiplique por 100. O resultado é o percentual real que a sua escola aplicou, e não o que ela escreveu na carta.

3. A distância: subtraia 4,58 do seu percentual. O que sobra são os pontos percentuais que a inflação cheia do país não explica no seu boleto.

Na mensalidade média do exemplo, a divisão fecha em 8,4%, e a distância para o IPCA cheio é de 3,82 pontos. Sobre R$ 1.240,00, cada ponto percentual vale R$ 12,40 por mês.

Multiplique a sua distância em pontos pelo valor de um ponto na sua mensalidade e você tem, em reais, o pedaço mensal do reajuste que a inflação geral não cobre.

Três avisos antes de refazer a conta em casa. O primeiro é o desconto: se você paga com abatimento de pontualidade nos dois anos, use os dois valores com desconto, nunca um de cada jeito.

O segundo é a mudança de série. Escola que cobra mais caro do sexto ano em diante embute um salto de tabela dentro do reajuste, e ele precisa ser separado antes da divisão.

O terceiro é o número de parcelas. Colégio que cobra treze parcelas, contando a matrícula, tem um custo anual maior do que outro com mensalidade mais alta em doze cobranças.

Um exemplo fecha o método. Uma carta que anuncia 11% sobre R$ 1.240,00 leva o boleto a R$ 1.376,40, com distância de 6,42 pontos para o IPCA cheio e R$ 79,61 por mês fora da inflação geral.

Vale medir também em tempo de trabalho. No salário mínimo de R$ 1.621,00, a hora sai a R$ 7,37, e os R$ 104,16 de aumento mensal equivalem a 14 horas e 8 minutos de serviço por mês.

Com o número na mão, o pedido à escola muda de tom. Você pode solicitar a planilha de custos, que a lei garante, e perguntar qual linha dela justifica a parte do reajuste que passou dos 4,58%.

Pegue a carta da escola agora e faça a divisão. O percentual que sair dela, menos 4,58, é o tamanho exato do aumento que os preços do país não explicam.

"Quantos pontos do reajuste da escola do seu filho a inflação não explica?"

 
 
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