In partnership with

Gráfico do Dia   Gráfico do Dia
ED 005

A fila do INSS e os 96 dias que a média esconde

Em junho, o tempo médio de concessão do INSS foi de 48 dias. O Benefício de Prestação Continuada levou 96, e o salário-maternidade, 21.

Gráfico de barras com o tempo médio de concessão do INSS por espécie de benefício, do salário-maternidade ao Benefício de Prestação Continuada, na competência de junho de 2026, com fonte e período escritos dentro da imagem.

Tempo médio de concessão por espécie, junho de 2026

 

Todo pedido de benefício do INSS começa com uma data. Ela aparece no Meu INSS logo depois do protocolo, com três letras na frente, DER, e quer dizer data de entrada do requerimento. É dela que o relógio da espera passa a contar, e é ela que o segurado precisa ter na tela para saber onde está.

Depois do protocolo, o pedido entra numa fila que o segurado não vê. O requerimento é distribuído para uma unidade de análise, um servidor abre o processo, confere o cadastro, cruza o vínculo com o registro de contribuições e pede o documento que falta. Quando o benefício exige, ainda entram a perícia médica e a avaliação social, cada uma com agenda própria.

Em junho de 2026, havia 1,42 milhão de requerimentos aguardando análise, segundo o painel de concessões da Previdência Social. O número é um estoque, e não um total de atendidos: entra pedido todos os dias e sai pedido todos os dias, e o que fica parado no meio das duas pontas é a fila.

O tempo médio de concessão é o outro número. Ele mede quantos dias correm entre a data de entrada do requerimento e o despacho que decide o pedido, deferido ou indeferido, e sai todo mês no Boletim Estatístico da Previdência Social, aberto por espécie de benefício.

Espécie é o nome técnico do tipo de benefício, e cada uma tem código próprio na estatística: 31 para o auxílio por incapacidade temporária, 41 para a aposentadoria por idade, 87 e 88 para o Benefício de Prestação Continuada. O código separa coisas que exigem provas diferentes e prazos diferentes.

A decisão também não é o depósito. Entre o despacho que concede o benefício e o dinheiro na conta existe um segundo intervalo, com regra própria, que a estatística mensal de concessão não cobre.

O gráfico de hoje abre a média em barras, uma por espécie, com fonte, período e unidade escritos dentro da imagem. É a distância entre a barra mais curta e a mais longa que decide quantos meses cada família passa sem a entrada.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Gráfico do Dia

75 dias entre as duas pontas

Seis espécies de benefício na mesma janela de junho.

Em junho de 2026, o tempo médio de concessão do INSS foi de 48 dias no conjunto das espécies. O Benefício de Prestação Continuada à pessoa com deficiência levou 96 dias, e o salário-maternidade, 21. São 75 dias entre a espécie mais lenta e a mais rápida do mesmo mês.

O quadro completo de junho segue a mesma ordem em todas as barras. Salário-maternidade em 21 dias, auxílio por incapacidade temporária em 27, pensão por morte em 39, aposentadoria por idade em 62, aposentadoria por tempo de contribuição em 74 e Benefício de Prestação Continuada em 96.

A média de 48 dias não fica no meio do intervalo. Ela é puxada pelas espécies que recebem mais pedidos, porque cada uma entra na conta com o peso do próprio volume de requerimentos.

Auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade responderam por 45% dos requerimentos protocolados no mês, e são justamente as duas barras mais curtas do quadro.

As duas barras mais longas somaram 18% dos pedidos: o Benefício de Prestação Continuada com 12% e a aposentadoria por tempo de contribuição com 6%.

Quase metade dos pedidos do mês entra pela ponta rápida, e é ela que faz o número nacional caber em 48 dias.

A composição de cada pedido explica o tamanho da barra. O auxílio por incapacidade temporária depende de uma perícia médica, um ato só, com agenda própria e resultado registrado no mesmo dia do exame.

O Benefício de Prestação Continuada exige duas avaliações e uma prova de renda. A perícia médica e a avaliação social correm em agendas separadas, e o cadastro da família no CadÚnico precisa estar atualizado para o cálculo da renda por pessoa do grupo familiar.

A aposentadoria por idade tem outro gargalo. Ela depende da contagem do tempo de contribuição, e vínculo antigo, período rural e recolhimento de autônomo costumam exigir documento que o sistema não encontra sozinho no cadastro.

A carta de exigência é o que trava o relógio de cada processo. Quando falta documento, o INSS emite a exigência dentro do Meu INSS, o segurado tem 30 dias para responder, e a análise fica parada até a resposta chegar.

O prazo da exigência não sai da estatística. Ele entra no tempo médio da espécie, e explica por que os benefícios com mais documentação ficam no fim do quadro.

Fonte e período: tempo médio de concessão por espécie, Boletim Estatístico da Previdência Social do Ministério da Previdência Social, e estoque de requerimentos aguardando análise no painel de concessões, competência de junho de 2026. O eixo do gráfico começa no zero.

 
 

II  A Conta do Mês

Quatro meses até o primeiro depósito

Um Benefício de Prestação Continuada de um salário mínimo concedido em 96 dias, somado ao intervalo até o crédito, chega a 126 dias sem entrada. São 4,2 meses e R$ 6.808,20 fora do caixa da família até o primeiro depósito.

A conta tem dois passos. O tempo de concessão da espécie mais o intervalo até o crédito dá o total de dias, e o total dividido por 30 dá os meses de espera.

O segundo passo converte tempo em dinheiro. Um salário mínimo de R$ 1.621,00 dá perto de R$ 54,00 por dia, e cada dia de fila é um dia dessa entrada que não acontece.

O intervalo até o crédito usado aqui é de 30 dias, o ciclo de pagamento que separa o despacho do primeiro depósito na conta. A lei fixa um teto maior que esse ciclo.

"O primeiro pagamento do benefício será efetuado até 45 (quarenta e cinco) dias após a data da apresentação, pelo segurado, da documentação necessária a sua concessão."

Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, artigo 41-A, parágrafo 5º

Com o teto legal no lugar do ciclo de pagamento, o mesmo Benefício de Prestação Continuada chega a 141 dias, ou 4,7 meses, e R$ 7.618,70 de entrada adiada.

As outras espécies produzem buracos de outro tamanho. O auxílio por incapacidade temporária soma 57 dias, ou 1,9 mês, e deixa R$ 3.079,90 fora do caixa até o primeiro depósito.

A aposentadoria por idade soma 92 dias, pouco mais de três meses, e R$ 4.971,07 num benefício de um salário mínimo.

A média nacional, na mesma conta, dá 78 dias, 2,6 meses e R$ 4.214,60. É o número que aparece nas manchetes de balanço, e ele descreve mal as duas pontas do quadro.

A distância entre as espécies aparece em reais. Do auxílio por incapacidade ao Benefício de Prestação Continuada são 69 dias de diferença, ou 2,3 meses, ou R$ 3.728,30 de entrada adiada num benefício do mesmo valor.

O dinheiro não desaparece no intervalo. O benefício é devido desde a data de entrada do requerimento, e as parcelas do período de análise entram como atrasado no primeiro pagamento ou logo depois dele.

O que muda é o calendário, não o total. Quatro parcelas somadas num depósito só pagam a conta de quatro meses atrás, e não pagam o aluguel do mês em que ele venceu.

A família cobre o intervalo com o que tem à mão. Empréstimo, atraso de conta com multa e mora, ou saque de reserva, e o custo dessas três saídas não volta junto com o atrasado.

O rotativo do cartão é a mais cara delas. A 15,0% ao mês na série do Banco Central, R$ 1.621,00 rolados por três meses viram R$ 2.465,34, com R$ 844,34 de juro pagos para atravessar a espera.

Quem banca a edição de hoje

Smart starts here.

You don't have to read everything — just the right thing. 1440's daily newsletter distills the day's biggest stories from 100+ sources into one quick, 5-minute read. It's the fastest way to stay sharp, sound informed, and actually understand what's happening in the world. Join 4.5 million readers who start their day the smart way.

O clique de apoio mantém a edição gratuita

 
 

III  Refaça a Conta

Cada 30 dias de fila valem uma parcela

1. A sua DER: abra o Meu INSS, entre em Consultar Pedidos e anote a data de entrada do requerimento que aparece no topo, junto com o nome da espécie do benefício.

2. Os dias corridos: conte da DER até hoje em dias corridos, incluindo fim de semana e feriado. A estatística da Previdência conta assim, e a sua conta precisa usar a mesma régua.

3. A multiplicação: divida os dias por 30 e multiplique pelo valor mensal esperado do benefício. Setenta e cinco dias dão 2,5 meses, e 2,5 vezes R$ 1.621,00 dão R$ 4.052,50.

Existe um atalho para conferir o resultado de cabeça. Cada 30 dias de fila valem uma parcela inteira, e cada dia vale um trinta avos do benefício, perto de R$ 54,00 num salário mínimo.

O atalho responde à distância entre as espécies sem calculadora. São 69 dias entre o auxílio por incapacidade e o Benefício de Prestação Continuada, ou 2,3 meses, e 2,3 vezes R$ 1.621,00 dão os R$ 3.728,30 de entrada adiada.

Duas advertências antes de comparar o seu número com o quadro. A carta de exigência para o relógio prático do pedido, e o prazo de resposta é de 30 dias contados da data em que ela aparece no Meu INSS.

Exigência não respondida encerra a análise. O pedido é decidido com o que existe no sistema, e o indeferimento por falta de documento obriga a um requerimento novo, com DER nova e fila nova.

A segunda advertência é sobre prioridade. A Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, dá tramitação prioritária a quem tem 60 anos ou mais, à pessoa com deficiência e a quem tem doença grave listada em lei.

A prioridade não entra sozinha no processo. Ela é pedida dentro do próprio requerimento ou pelo telefone 135, e fica registrada no andamento do pedido, com a comprovação anexada.

Prazo estourado tem caminho próprio. A reclamação na Ouvidoria da Previdência abre protocolo com prazo de resposta, e o pedido parado além do prazo legal é o que sustenta o mandado de segurança na Justiça Federal.

Um exemplo fecha o método. Requerimento de aposentadoria por idade protocolado em 20 de março, ainda sem decisão em 12 de agosto: são 145 dias corridos, quase cinco meses, e R$ 7.834,83 de entrada adiada num benefício de um salário mínimo.

O mesmo pedido no tempo médio da espécie teria decisão em 62 dias, com despacho em 21 de maio. Os 83 dias de diferença entre o caso real e a média valem R$ 4.484,77 a mais fora do caixa.

Guarde o número de hoje e refaça a conta quando a decisão sair. Se os dias corridos ficarem abaixo do tempo médio da sua espécie, o pedido andou na frente do quadro. Se ficarem acima, a diferença já tem valor em reais.

Num benefício de um salário mínimo, cada 30 dias parados na fila valem R$ 1.621,00 que entram depois. O dia em que eles entram é a única parte da conta que o segurado não escolhe.

"Quantos dias separam a sua DER da data de hoje?"

 
 
Guia Gráfico do Dia · Novo
Capa do guia A Régua do Juro

A Régua do Juro

A tabela que ordena as linhas de crédito do seu banco e mostra qual delas custa o dobro da vizinha.

Quero o guia →
 
Quiz da edição

Em junho, quantos dias o INSS levou, em média, para conceder o Benefício de Prestação Continuada?

A27 dias
B48 dias
C96 dias
D141 dias
Veja o ranking de quem mais acerta →
 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

📈📈📈📈📈  ótima 📈📈📈📈  boa 📈📈📈  ok 📈📈  ruim 📈  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Crime Aberto

Crime Aberto

Toda noite, às 20:20, um caso brasileiro que ficou em aberto. O que os autos dizem, o que os autos silenciam e onde o sistema falhou.

Quero receber 

 
Sua jornada
Nível {{nivel | 0}} · {{rank_nome | Visitante}} {{xp | 0}} XP
 

Faltam {{xp_falta | 5}} XP pro Nível {{nivel_prox | 1}}

Responda o quiz de hoje: +3 XP

{{edicoes_lidas | 1}}
edições lidas
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações

Top {{top_pct | 100}}%: posição {{pos_mes | 0}} na comunidade Gráfico do Dia nesse mês

Quero subir meu nível 

 
 
 

Refaça com o seu número.

Gráfico do Dia

GRÁFICO DO DIA

O número engana. A série mostra

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter