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A dengue chegou a 751 casos por hora em 2024

O Sinan registra a dengue desde 2000. Em 2024, os casos prováveis passaram de 6,5 milhões, quatro vezes o pico anterior.

Gráfico com os casos prováveis de dengue no Brasil pelo Sinan: 0,7 milhão em 2002, 1 milhão em 2010, 1,7 milhão em 2015, 1,5 milhão em 2019 e 6,6 milhões em 2024.

Casos de dengue no Brasil, 2002 a 2024

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6,6 milhões de casos prováveis. Foi o total de dengue que o Sinan registrou no Brasil em 2024, pelo painel de arboviroses do Ministério da Saúde.

O Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o cadastro federal das doenças que o médico tem obrigação de comunicar) recebe uma ficha a cada suspeita atendida num posto, numa UPA ou num hospital. A série nacional de dengue com ficha individual começa em 2000.

Caso provável, no vocabulário do ministério, é toda notificação que não foi descartada por exame ou por avaliação clínica. A conta inclui quem fez teste positivo e quem nunca chegou a fazer teste, mas tinha febre, dor no corpo e morava numa área com transmissão.

Antes de 2024, o recorde da série era de 2015, com perto de 1,7 milhão de casos prováveis. Em 2024, o Brasil passou desse teto antes de abril e terminou com quase quatro vezes aquele total.

O ano teve 366 dias, porque foi bissexto, e 8.784 horas. Dividindo 6,6 milhões por 8.784, sai perto de 751 casos por hora, ou 12 por minuto, sem parar, de janeiro a dezembro.

A curva não foi plana. O Sinan concentra a maior parte das notificações entre fevereiro e maio, quando chuva e calor deixam água parada e o mosquito Aedes aegypti completa o ciclo de ovo a adulto em cerca de uma semana. No pico, a média por hora ficou muito acima de 751.

As mortes confirmadas seguiram a subida. O mesmo painel registrou perto de 6 mil mortes por dengue em 2024, contra 986 em 2015. A cada mil casos prováveis, morreu perto de uma pessoa.

A média nacional, de perto de 32 casos por mil habitantes, esconde estados com o triplo desse número e estados com um décimo dele.

A seção I lê os cinco anos que o gráfico escolhe, a II faz a conta por habitante estado a estado, e a III mostra como refazer a conta para o seu município.

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I  O Gráfico do Dia

Cinco anos, um salto

Pelo Sinan, os casos prováveis de dengue no Brasil foram perto de 700 mil em 2002, 1 milhão em 2010, 1,7 milhão em 2015, 1,5 milhão em 2019 e 6,6 milhões em 2024.

O gráfico escolhe cinco pontos de uma série anual. 2002 marca a primeira grande epidemia da série, puxada pelo Rio de Janeiro. 2010 é o primeiro ano acima de 1 milhão. 2015 e 2019 são os dois picos que o país conhecia até então, e 2024 é o recorde.

Por 22 anos, a dengue oscilou numa faixa entre 200 mil e 1,7 milhão de casos por ano. Os anos de epidemia vinham a cada três ou quatro anos, e os anos calmos derrubavam a média. Em 2024, a série saiu da faixa.

O vírus da dengue tem quatro tipos, chamados sorotipos (variedades do vírus que o sistema de defesa reconhece como diferentes). Quem pega um tipo fica protegido contra ele, mas não contra os outros três.

O tipo 3 ficou quase sumido do país por mais de quinze anos e voltou a circular em 2023 e 2024, segundo a vigilância do Ministério da Saúde. Uma geração inteira nunca tinha encontrado esse tipo e não tinha defesa contra ele.

O clima entrou na conta. 2023 e 2024 foram os anos mais quentes já registrados pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), sob efeito do El Niño, o aquecimento do Pacífico que muda a chuva no Brasil. Calor encurta o ciclo do mosquito e do vírus dentro dele.

A obrigação de notificar vem de uma lei de 1975, que criou o sistema de vigilância das doenças no país.

“São de notificação compulsória às autoridades sanitárias os casos suspeitos ou confirmados de doenças que podem implicar medidas de isolamento ou quarentena.”

Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975, artigo 7º

A dengue entra na lista nacional de notificação obrigatória por portaria do Ministério da Saúde, que o órgão atualiza de tempos em tempos. Cada ficha preenchida vira uma linha no Sinan.

A série tem um limite conhecido. Quem tem dengue leve e não procura atendimento não gera ficha, e a conta oficial fica abaixo do número real de infecções. O tamanho dessa diferença não sai do Sinan: o sistema só enxerga quem passou por um serviço de saúde.

Fonte e método: casos prováveis de dengue por ano de início dos sintomas, Sinan, painel de arboviroses do Ministério da Saúde; valores arredondados.

 
 

II  A Conta do Mês

De 751 por hora a 100 por mil

Em 2024, o Distrito Federal registrou perto de 100 casos prováveis de dengue por mil habitantes, três vezes a média nacional.

A conta desta seção usa divisão. O total de casos prováveis do ano, dividido pela população, dá a taxa por habitante. Multiplicada por mil, a taxa vira casos por mil habitantes, a medida que permite comparar um estado pequeno com um grande.

No Brasil, 6,6 milhões de casos divididos por 203 milhões de habitantes, a população do Censo 2022 do IBGE, dão 0,032. Por mil habitantes, perto de 32 casos.

No Distrito Federal, perto de 280 mil casos prováveis para 2,8 milhões de moradores dão perto de 100 por mil. Um em cada dez moradores entrou no Sinan com dengue em 2024.

Distrito Federalperto de 100
Minas Geraisperto de 80
Paranáperto de 55
São Pauloperto de 48
Brasilperto de 32

Minas Gerais teve o maior total absoluto do país depois de São Paulo, com perto de 1,7 milhão de casos para 20,5 milhões de moradores. São Paulo somou perto de 2,1 milhões, mas com 44 milhões de habitantes a taxa ficou abaixo da mineira.

A ordem muda conforme a medida. Pelo total, São Paulo lidera. Por habitante, o Distrito Federal fica na frente com folga. As duas listas respondem perguntas diferentes: a primeira mede o tamanho da carga nos hospitais, a segunda mede a chance de um morador pegar a doença.

O Norte e boa parte do Nordeste ficaram abaixo da média nacional em 2024. Em estados como Roraima e Sergipe, a taxa não chegou a 5 casos por mil, pelo mesmo painel.

As mortes pedem outra divisão. Perto de 6 mil mortes confirmadas sobre 6,6 milhões de casos prováveis dão perto de 0,9 morte a cada mil casos. Em 2015, a conta deu perto de 0,6 a cada mil.

A letalidade (a parcela de doentes que morre) subiu pouco. O que multiplicou as mortes foi o número de doentes: com quatro vezes mais casos, a mesma letalidade já entregaria quatro vezes mais mortes.

A vacina Qdenga, do laboratório Takeda, entrou no SUS em fevereiro de 2024, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios selecionados. Com duas doses e três meses entre elas, o efeito sobre a série de 2024 foi pequeno.

O Instituto Butantan desenvolve uma vacina de dose única contra os quatro tipos do vírus. A Anvisa aprovou o registro em 2025, e a ampliação da vacinação aparece só nos anos seguintes da série.

 

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III  Refaça a Conta

A taxa do seu município em 4 passos

1. O total de casos: abra o painel de arboviroses do Ministério da Saúde, escolha dengue, o ano e o seu município. Anote o número de casos prováveis.

2. A população: no portal do IBGE, anote a população do município pelo Censo 2022 ou pela estimativa mais recente do ano escolhido.

3. A taxa: divida os casos pela população e multiplique por mil. O resultado é o número de casos prováveis por mil habitantes.

4. A comparação: repita a conta para o estado e para o Brasil no mesmo ano. A distância entre os três números mostra se o seu município ficou acima ou abaixo da média.

Com os dados nacionais de 2024, a conta fica assim. 6,6 milhões divididos por 203 milhões dão 0,0325. Vezes mil, 32,5 casos por mil habitantes, que o texto arredondou para 32.

Para a conta por hora, divida o total de casos do ano por 8.760 horas, ou por 8.784 em ano bissexto. Num município com 3.650 casos, sai perto de 0,4 caso por hora, ou 10 por dia.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do ano. O painel organiza os casos pela semana de início dos sintomas, e o ano epidemiológico começa e termina em domingos que nem sempre caem em 1º de janeiro. O total pode variar um pouco conforme o filtro.

O segundo trata da revisão. O Sinan continua recebendo e corrigindo fichas por meses, e o número de um ano recente sobe ou desce até a base fechar. Anote a data em que você consultou o painel.

O terceiro trata do município pequeno. Numa cidade de 5 mil moradores, 50 casos já dão 10 por mil. Taxa alta com número absoluto baixo pede comparar dois ou três anos antes de concluir.

Para as mortes, o painel traz os óbitos confirmados por município. Divida pelo total de casos prováveis e multiplique por mil para ter a letalidade local por mil casos.

Com a taxa na mão, você sabe se a sua cidade viveu 2024 perto da média do país ou perto do Distrito Federal.

“Quantos casos de dengue por mil habitantes a sua cidade registrou em 2024?”

751 casos por hora. Foi o ritmo da dengue no Brasil em 2024, o ano do recorde (Sinan, painel de arboviroses do Ministério da Saúde).

 
 
Quiz da edição

Antes do salto de 2024, qual era o recorde da série do Sinan para casos prováveis de dengue, e em que ano ocorreu?

A2019, com 1,5 milhão de casos
B2015, com 1,7 milhão de casos
C2010, com 1 milhão de casos
D2002, com 700 mil casos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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O número engana. A série mostra

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