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76,4 anos de expectativa de vida ao nascer no Brasil

A expectativa de vida ao nascer caiu de 76,6 para 72,8 anos na pandemia e voltou a 76,4 nas tábuas de mortalidade do IBGE de 2023.

Gráfico de colunas da expectativa de vida ao nascer no Brasil: 70,4 anos em 2000, 76,6 em 2019, 72,8 em 2021 e 76,4 em 2023, com a fonte escrita dentro da imagem.

Expectativa de vida ao nascer, em anos, 2000 a 2023

 

6,0 anos. Foi quanto a expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu entre 2000 e 2023, nas Tábuas Completas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A tábua de mortalidade, a tabela que registra idade por idade a chance de uma pessoa não chegar ao aniversário seguinte, é publicada todo ano pelo instituto e alimenta boa parte do cálculo da aposentadoria brasileira.

O indicador mais lido dessa tabela é a expectativa de vida ao nascer, que soma a experiência de sobrevivência de todas as idades observadas num único ano e resume tudo num número só.

Vale entender o que ele não é. A expectativa de vida ao nascer não é uma profecia sobre a criança que nasceu ontem, porque supõe que ela vai atravessar a vida inteira sob a mortalidade medida num ano específico, e a mortalidade muda.

O que o indicador faz bem é medir o presente. Ele comprime saneamento, vacina, leito de hospital, violência no trânsito, homicídio e acesso a remédio numa unidade que qualquer pessoa entende sem curso de estatística: anos de vida.

A série brasileira subiu quase sem tropeço desde 1940, quando o mesmo instituto marcava 45,5 anos. A subida veio de queda da mortalidade infantil primeiro e de ganho na idade adulta e idosa depois.

Entre 2020 e 2021, a série fez o que quase nunca faz em tempo de paz: andou para trás, e voltou a um patamar que o país já tinha superado uma década antes.

Depois a curva se recompôs. A tábua de 2023 devolveu o indicador ao topo da série histórica, e o desenho do gráfico de hoje ficou com um formato raro de vale entre dois picos.

O que interessa ao seu bolso está na leitura seguinte. A mesma tábua que desenha essa curva entra na conta do fator previdenciário e no cálculo do tempo de contribuição do Regime Geral de Previdência Social, ou seja, define quantos anos de aposentadoria o sistema espera pagar a você.

O gráfico de hoje coloca quatro anos da série na mesma escala, em anos de vida esperados ao nascer, para que a queda e a recuperação apareçam no tamanho real.

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I  O Gráfico do Dia

70,4 em 2000, 72,8 em 2021, 76,4 em 2023

A série brasileira de expectativa de vida andou para trás uma vez. O IBGE registrou o vale e a volta.

A expectativa de vida ao nascer no Brasil era de 70,4 anos em 2000, chegou a 76,6 anos em 2019, recuou para 72,8 anos em 2021 e voltou a 76,4 anos em 2023, nas Tábuas Completas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O gráfico tem quatro colunas e uma unidade só, o número de anos de vida esperados para quem nasce sob a mortalidade daquele ano. A coluna de 2019 marca o pico antigo. A de 2021 desce ao fundo do vale. A de 2023 sobe de novo e passa o pico antigo por pouco.

As quatro colunas vêm da mesma apuração. O instituto cruza os óbitos registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade com a população estimada por idade e monta a tabela completa, ano a ano de idade, do nascimento até os 80 anos e mais.

A distância do pico de 2019 até o fundo de 2021 chega a 3,8 anos de vida. Uma perda desse tamanho na série brasileira só tem paralelo em contexto de guerra ou de fome em outros países, e aqui aconteceu em vinte e quatro meses.

O vale tem causa nomeada na própria publicação do instituto: o excesso de óbitos da pandemia de covid-19, concentrado nas idades adultas e idosas, que empurrou para baixo a probabilidade de sobrevivência em quase todas as faixas da tábua.

A recuperação de 2022 e 2023 tem o mesmo mecanismo ao contrário. Com o excesso de óbitos dissipado, a tábua voltou a refletir a mortalidade de rotina do país, e o indicador retomou a tendência que vinha desde os anos 1940.

O número agregado esconde a distância entre homens e mulheres. Na tábua de 2023, a expectativa de vida ao nascer é de 79,9 anos para as mulheres e de 72,8 anos para os homens, um vão de 7,1 anos que a série mantém há décadas.

A mortalidade masculina por causa externa explica boa parte desse vão. Acidente de trânsito e homicídio concentram-se entre 15 e 39 anos, atingem sobretudo homens e cortam décadas de vida esperada de cada vítima, o que pesa muito na média.

Um alerta de leitura sobre a média nacional: o número de 76,4 anos é a média de um país com Distrito Federal, Santa Catarina e São Paulo acima de 78 anos e estados do Norte e Nordeste abaixo de 73 anos, na mesma publicação do instituto. Nenhum brasileiro vive na média.

Vale registrar o que as quatro colunas não mostram. Elas não separam a qualidade dos anos vividos, não descrevem a expectativa de quem já chegou aos 40 ou aos 60, e não valem como previsão individual para leitor nenhum.

Fonte e método: expectativa de vida ao nascer, ambos os sexos, nas Tábuas Completas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, anos de referência 2000, 2019, 2021 e 2023, publicadas na série anual do instituto.

 
 

II  A Conta do Mês

Quantos anos de aposentadoria a tábua promete

Quem chega aos 65 anos sob a tábua de 2023 tem cerca de 18 anos de sobrevida esperada, pelas Tábuas Completas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A aposentadoria deixa de ser uma data no calendário e vira um orçamento de quase duas décadas.

A expectativa ao nascer vira manchete, e a sobrevida por idade muda a sua conta. Quem já atravessou a infância e a juventude carrega uma expectativa maior do que a de um recém-nascido, porque escapou dos riscos que derrubam a média.

Na tábua de 2023, o percurso esperado fica assim:

Expectativa ao nascer, ambos os sexos76,4 anos
Expectativa ao nascer, mulheres79,9 anos
Expectativa ao nascer, homens72,8 anos
Fundo do vale da pandemia, 202172,8 anos
Perda entre 2019 e 20213,8 anos
Ganho acumulado entre 2000 e 20236,0 anos

A tábua não fica só no relatório. A Lei 9.876, de 1999, mandou o fator previdenciário usar a expectativa de sobrevida publicada pelo instituto, e a Emenda Constitucional 103, de 2019, manteve o indicador dentro das regras de transição do Regime Geral de Previdência Social.

O efeito prático é direto. Quando a expectativa de sobrevida sobe, o sistema passa a esperar pagar benefício por mais tempo, e quem se aposenta pelo fator previdenciário recebe uma parcela mensal menor para o mesmo tempo de contribuição.

"A fome é a expressão biológica de males sociológicos."

Josué de Castro, Geografia da Fome, ano de 1946

A frase descreve o motor por trás de qualquer tábua de mortalidade. O número que sai da tabela é biológico, e as causas que o movem estão em renda, saneamento, escolaridade e violência, que variam entre bairros da mesma cidade.

O vale de 2021 mostrou a mesma lógica em velocidade acelerada. A mortalidade adulta subiu, a tábua registrou, e o indicador que levava uma década para ganhar dois anos perdeu quase quatro em dois anos de calendário.

A recuperação até 76,4 anos não devolve as vidas perdidas. Ela informa apenas que a mortalidade de 2023 voltou ao normal do país, enquanto o efeito sobre famílias, pensões e planejamento de aposentadoria continua na vida real de quem ficou.

Para quem planeja dinheiro, a lição prática é sobre o horizonte da reserva. Um plano que acaba aos 80 anos ignora que boa parte de quem chega aos 65 passa dessa idade, e a fatia de quem chega aos 90 cresce em toda a série do instituto.

O planejamento ganha precisão com a tábua aberta na frente. Idade atual, sexo e a sobrevida esperada naquela linha da tabela dão o número de anos que a sua reserva precisa cobrir, e o resto é conta de matemática financeira.

 

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III  Refaça a Conta

Calcule os seus anos de aposentadoria

1. A sua idade de saída: escreva a idade em que você pretende parar de trabalhar, e não a idade mínima da regra, porque a conta precisa do seu plano real e não do mínimo legal.

2. A sua sobrevida na tábua: abra a Tábua Completa de Mortalidade mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, procure a linha da sua idade na coluna do seu sexo e anote a expectativa de sobrevida em anos.

3. O orçamento de anos: some a sobrevida à idade de saída para achar a idade esperada de chegada, e use o total de anos entre as duas como o prazo que a sua reserva e o seu benefício precisam cobrir.

Com o resultado na mão, três verificações mostram o tamanho do erro que ele pode carregar.

A primeira verificação é a coluna certa. A tábua traz colunas separadas para homens, mulheres e ambos os sexos, e usar a média geral quando existe um vão de 7,1 anos entre os sexos produz um prazo curto demais ou longo demais.

A segunda é a margem de cauda. A sobrevida da tábua é uma média, metade das pessoas daquela idade passa dela, e um planejamento honesto acrescenta cinco a dez anos de folga sobre o número lido na tabela.

A terceira é o efeito da tendência. A tábua descreve a mortalidade de um ano passado, a série sobe desde 1940, e quem tem 40 anos hoje deve envelhecer sob uma mortalidade menor do que a medida em 2023.

O uso prático aparece na escolha da regra de aposentadoria. Quem compara regra de transição com fator previdenciário precisa saber quantos anos de benefício espera receber, porque uma parcela menor por mais tempo pode superar uma parcela maior por menos tempo.

O uso seguinte aparece na reserva privada. O prazo em anos define a taxa de retirada sustentável da carteira, e trocar vinte anos por trinta anos de horizonte muda o valor que pode sair da reserva todo mês.

O uso final aparece na leitura de qualquer manchete sobre envelhecimento do Brasil. A frase sobre um país que envelhece descreve duas curvas ao mesmo tempo, a queda da fecundidade e o ganho de vida da tábua, e saber qual delas o texto está tratando evita conclusão errada sobre a previdência.

3,8 anos. Foi quanto a expectativa de vida ao nascer no Brasil recuou entre 2019 e 2021, nas Tábuas Completas de Mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

"Quantos anos a tábua do IBGE promete para a sua aposentadoria?"

 
 

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Na tábua de mortalidade de 2023 do IBGE, qual é a diferença entre a expectativa de vida das mulheres e dos homens no Brasil?

A3,8 anos
B6,0 anos
C4,5 anos
D7,1 anos

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