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ED 038
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40 meses de espera na primeira instância da Justiça Federal

Um processo baixado na primeira instância leva 40 meses na Justiça Federal, 28 na Estadual e 13 na do Trabalho, no Justiça em Números do CNJ.

Gráfico de barras do tempo médio de tramitação na primeira instância: 40 meses na Justiça Federal, 28 na Justiça Estadual e 13 na Justiça do Trabalho, com a fonte escrita dentro da imagem.

Meses até a sentença, por ramo da Justiça

 

83,8 milhões de processos. Era o tamanho do estoque em tramitação na Justiça brasileira ao fim de 2023, pelo Relatório Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça.

O relatório é o censo anual do Judiciário. O Conselho Nacional de Justiça publica a série desde 2004, com dados enviados por cerca de noventa tribunais, e cada edição abre o mesmo conjunto de indicadores por ramo da Justiça, por tribunal e por grau.

Dentro desse censo existe um indicador que o cidadão sente no corpo, e não na planilha: o tempo de tramitação, que mede quantos dias um processo passou dentro do sistema antes de ser encerrado naquela instância.

A primeira instância é onde a espera longa mora. Ela recebe a petição inicial, organiza as provas, ouve as partes e entrega a sentença, e concentra a maior parte do estoque e da demora de toda a cadeia judicial.

O indicador usa um termo de casa que vale traduzir: processo baixado é o processo que saiu daquela instância, por sentença, por acordo homologado ou por remessa a outro juízo. O tempo de tramitação dos baixados mede, portanto, a vida completa do processo naquele grau, do protocolo ao encerramento.

Os três grandes ramos da Justiça comum medem o mesmo indicador e chegam a patamares muito distantes. A Justiça do Trabalho trabalha com prazos legais curtos e audiência obrigatória de conciliação. A Justiça Federal lida com a União, com autarquias e com perícia médica em massa nos processos previdenciários. A Justiça Estadual carrega o volume maior e a variedade maior de matéria.

A diferença entre os ramos não é um detalhe de gestão. Ela define se uma pessoa que entra na fila hoje recebe resposta antes de um ano ou depois de três, com a mesma Constituição, o mesmo Código de Processo Civil e o mesmo direito de petição.

O gráfico de hoje coloca os três ramos na mesma unidade, meses até a sentença na primeira instância, para que a distância entre eles apareça em tempo de vida e não em percentual de congestionamento.

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I  O Gráfico do Dia

40, 28 e 13 meses na primeira instância

A fila da primeira instância tem três velocidades. O Conselho Nacional de Justiça mede cada uma.

Na primeira instância, o tempo médio de tramitação dos processos baixados é de 40 meses na Justiça Federal, 28 meses na Justiça Estadual e 13 meses na Justiça do Trabalho, pelo Relatório Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça, ano-base 2023.

O gráfico tem três barras e uma unidade só, o número de meses entre o protocolo e o encerramento do processo naquela instância. A barra da Justiça Federal marca 40 meses. A da Justiça Estadual marca 28. A da Justiça do Trabalho marca 13, pouco mais de um terço da primeira.

As três barras vêm da mesma apuração. Cada tribunal alimenta o sistema de estatística do Conselho Nacional de Justiça com a data de distribuição e a data de baixa de cada processo, e o relatório consolida a média por ramo e por grau.

A distância entre o extremo mais rápido e o mais lento é de 27 meses. Duas pessoas que protocolam petição no mesmo dia, uma na vara do trabalho e outra na vara federal, recebem sentença em momentos separados por mais de dois anos de calendário.

O motivo da Justiça do Trabalho ser a mais rápida está no desenho do procedimento. A Consolidação das Leis do Trabalho impõe audiência inicial de conciliação, prazos processuais curtos e instrução concentrada, e uma fatia alta dos casos termina em acordo homologado antes da produção completa de provas.

O motivo da Justiça Federal ser a mais lenta está na natureza da parte adversa e da prova. A União e suas autarquias são rés em massa, a matéria previdenciária e tributária depende de prova técnica, e a perícia médica agendada por fila acrescenta meses que não dependem da vara.

A Justiça Estadual fica no meio por carregar o volume e a variedade. Ela responde por cerca de três quartos do estoque nacional e julga divórcio, cobrança, acidente de trânsito, inventário, execução fiscal municipal e matéria criminal dentro da mesma estrutura de varas.

Um indicador vizinho ajuda a ler o tempo: a taxa de congestionamento, a fatia do estoque que entrou no ano e não saiu no ano, fica acima de 70% na primeira instância. Enquanto o que entra supera o que sai, o estoque cresce e a média de meses tende a subir, mesmo com produtividade maior por magistrado.

Vale registrar o que as três barras não mostram. Elas são médias nacionais e escondem a variação enorme entre tribunais do mesmo ramo, não separam o processo simples do complexo, não incluem a fase de execução nem o recurso na segunda instância, e não descrevem o caso específico de nenhum leitor.

Fonte e método: tempo médio de tramitação dos processos baixados na primeira instância, por ramo da Justiça, no Relatório Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça, ano-base 2023, com os valores convertidos de dias para meses cheios.

 
 

II  A Conta do Mês

A vida de um processo em meses de calendário

Os 40 meses da Justiça Federal equivalem a 3 anos e 4 meses de espera. Os 28 meses da Justiça Estadual equivalem a 2 anos e 4 meses. Os 13 meses da Justiça do Trabalho equivalem a 1 ano e 1 mês.

A conversão de dias para meses é o que tira o indicador do relatório e coloca na vida de quem espera. Ninguém organiza a própria vida em taxa de congestionamento, e qualquer pessoa entende três anos e quatro meses sem resposta sobre um benefício negado.

Na mesma unidade de calendário, a fila da primeira instância fica assim:

Justiça do Trabalho13 meses, 1 ano e 1 mês
Justiça Estadual28 meses, 2 anos e 4 meses
Justiça Federal40 meses, 3 anos e 4 meses
Diferença entre o mais lento e o mais rápido27 meses
Diferença entre Federal e Estadual12 meses

A escada mostra que a espera não é proporcional ao tamanho do pedido. Uma ação de pequeno valor sobre um benefício previdenciário de um salário mínimo corre no mesmo ramo e no mesmo ritmo de uma causa tributária de milhões.

O efeito acumulado aparece no patrimônio de quem litiga. Quarenta meses de espera por um benefício mensal significam quarenta parcelas não recebidas durante a fila, pagas depois como atrasado corrigido, com a correção entrando numa conta que a pessoa já gastou de outro jeito.

"A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta."

Rui Barbosa, Oração aos Moços, ano de 1920

A frase descreve o custo moral do tempo processual, e o gráfico mostra o custo material do mesmo mecanismo. A demora muda o resultado prático da decisão, porque altera quem ainda está vivo, solvente ou empregado quando a sentença chega.

Duas pessoas com o mesmo direito recebem justiças diferentes. A que litiga numa vara do trabalho fecha o capítulo em pouco mais de um ano e a que litiga numa vara federal atravessa três eleições municipais e estaduais com o caso aberto.

O tempo também muda a disposição de negociar. Quem sabe que a fila tem três anos aceita acordo menor para encerrar antes, e essa disposição desigual transfere valor da parte que tem pressa para a parte que pode esperar, quase sempre o litigante de grande porte.

A média esconde a cauda longa. Processos que dependem de prova pericial, de carta precatória para ouvir testemunha em outra comarca ou de localização de bens em execução passam muito acima dos 40 meses, e cada um deles puxa a média do seu ramo para cima.

A leitura do indicador também muda com o tempo. Mutirão de conciliação, ampliação do juízo digital e núcleos de justiça 4.0 reduzem o tempo de fases inteiras, e a série anual do Conselho Nacional de Justiça é o lugar onde esse ganho aparece ou deixa de aparecer.

 

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III  Refaça a Conta

Meça o tempo do seu próprio processo

1. A data de distribuição: abra a consulta processual do tribunal pelo número único do processo e anote a data de distribuição, que é o dia em que o caso foi registrado na vara, não o dia em que você contratou o advogado.

2. A data de hoje ou da sentença: se o caso ainda corre, conte os meses até hoje. Se já tem sentença na primeira instância, conte os meses até a data da sentença, que é o marco equivalente ao do indicador do relatório.

3. A comparação com o seu ramo: compare o seu número com os 40 meses da Justiça Federal, os 28 da Estadual ou os 13 da Justiça do Trabalho, e veja se o seu caso corre acima ou abaixo da média nacional do ramo em que ele tramita.

Com o resultado na mão, três verificações mostram de onde ele veio.

A primeira verificação é o ramo correto. Ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social corre na Justiça Federal ou em vara estadual com competência delegada, reclamação de vínculo de emprego corre na Justiça do Trabalho, e comparar o seu caso com a média do ramo errado produz um diagnóstico falso.

A segunda é a fase em que o processo está. O indicador de tramitação mede a fase de conhecimento, a etapa em que o juiz analisa as provas e decide, e não mede a execução, a fase posterior de cobrança do valor reconhecido, que costuma durar mais do que a primeira.

A terceira é o que travou a contagem. Suspensão por tema repetitivo no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, espera por perícia e pedido de prazo das próprias partes somam meses que não descrevem a velocidade da vara.

O uso prático da medida aparece na cobrança de andamento. Chegar ao advogado com a contagem feita e a média do ramo publicada transforma uma pergunta vaga sobre demora num pedido específico de peticionamento, de reiteração ou de pedido de prioridade.

O uso seguinte aparece na escolha da via. Causa de até sessenta salários mínimos contra a União cabe no Juizado Especial Federal, e comparar o tempo médio das duas vias dá uma base concreta para a decisão processual que o advogado vai tomar.

O uso final aparece na leitura de qualquer notícia sobre lentidão judicial. A manchete que fala de um Judiciário lento trata três sistemas com ritmos muito distintos, e saber em qual deles o seu caso corre é o que transforma indignação genérica em expectativa calibrada.

27 meses. Foi a distância entre o tempo médio de tramitação na primeira instância da Justiça Federal e o da Justiça do Trabalho, no Relatório Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça, ano-base 2023.

"Quantos meses o seu processo já passou na primeira instância?"

 
 

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Quiz da edição

Segundo o Relatório Justiça em Números do CNJ (ano-base 2023), quantos meses leva em média um processo baixado na primeira instância da Justiça Federal?

A13 meses
B28 meses
C40 meses
D70 meses

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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