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24,3 adultos com obesidade a cada 100 nas capitais

No Vigitel, a obesidade foi de 11,8% dos adultos das capitais em 2006 a 24,3% em 2023, e o excesso de peso chegou a 61,4%.

Gráfico da proporção de adultos com obesidade nas capitais pelo Vigitel: 2006 11,8%, 2012 17,4%, 2019 20,3%, 2023 24,3%.

Adultos com obesidade nas capitais, % (Vigitel)

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24,3% dos adultos em 2023. Foi a parcela com obesidade nas 27 capitais brasileiras, pelo Vigitel, a pesquisa telefônica anual do Ministério da Saúde.

Vigitel é a sigla de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. A pesquisa liga para casas sorteadas nas 26 capitais e no Distrito Federal e entrevista adultos de 18 anos ou mais.

A entrevista dura poucos minutos. O entrevistador pergunta sobre cigarro, álcool, verdura no prato e exercício e, no meio da lista, quer saber o peso e a altura de quem atende.

Com as duas respostas, a conta sai na hora. O peso em quilos, dividido pela altura em metros ao quadrado, dá o índice de massa corporal, o IMC, a medida que a Organização Mundial da Saúde usa para classificar o peso de adultos.

IMC de 25 ou acima conta como excesso de peso. IMC de 30 ou acima conta como obesidade. Uma pessoa de 1,70 metro entra na faixa da obesidade a partir de 87 quilos.

A primeira rodada foi a campo em 2006. Naquele ano, 11,8% dos adultos das capitais tinham obesidade, pelo relatório do próprio ministério.

Desde então, a pesquisa repete as mesmas perguntas e o mesmo corte de IMC. A série virou um dos poucos registros anuais e comparáveis do peso dos brasileiros adultos.

O peso dito ao telefone tem limite. Quem responde costuma arredondar o peso para baixo e a altura para cima, e o IMC calculado sai um pouco menor que o medido na balança.

Mesmo com esse desconto, a direção da série fica clara. A linha sobe em quase todas as rodadas, e o grupo com excesso de peso deixou de ser minoria entre os adultos das capitais.

A seção I põe quatro rodadas no gráfico e conta quantos adultos a mais, a cada cem, passaram a ter obesidade entre a primeira e a última.

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I  O Gráfico do Dia

De 11,8 para 24,3 a cada cem

Pelo Vigitel, a obesidade atingiu 11,8% dos adultos das capitais em 2006, 17,4% em 2012, 20,3% em 2019 e 24,3% em 2023.

Em adultos a cada cem, a diferença entre a primeira e a última rodada do gráfico é de 12,5. Em 2006, perto de 12 em cada cem adultos das capitais tinham obesidade. Em 2023, perto de 24.

A proporção dobrou em 17 anos. Na média do período, a série ganhou perto de 0,7 adulto com obesidade a cada cem por ano.

O ritmo mudou ao longo do caminho. De 2006 a 2012, a alta foi de 5,6 a cada cem em seis anos, perto de 0,9 por ano.

De 2012 a 2019, a subida perdeu força: 2,9 a cada cem em sete anos, perto de 0,4 por ano. Foi o trecho mais lento da série.

De 2019 a 2023, a alta voltou a acelerar, com 4 a cada cem em quatro anos, perto de 1 por ano. O trecho inclui a pandemia de covid-19, com escolas fechadas, trabalho em casa e menos deslocamento a pé.

O relatório não atribui a aceleração a uma causa única. A pesquisa mede a proporção de adultos acima do corte, e não mede o motivo de cada um ter chegado lá.

O mesmo relatório traz a conta capital por capital, para cada uma das 27 cidades, separada por sexo, faixa de idade e anos de escola. A seção III mostra onde achar a tabela da sua capital.

A amostra de cada capital é menor que a do conjunto, e o valor de uma cidade isolada oscila mais de um ano para o outro. O número das capitais somadas é o mais estável da pesquisa.

A Organização Mundial da Saúde já tratava a alta da obesidade como problema de saúde pública no relatório técnico que publicou sobre o tema em 2000:

“A obesidade é hoje tão comum na população mundial que começa a substituir a desnutrição e as doenças infecciosas como o fator mais importante de problemas de saúde.”

Organização Mundial da Saúde, Obesity: Preventing and Managing the Global Epidemic (Obesidade: prevenir e controlar a epidemia global), 2000

O gráfico mostra a parte mensurável desse alerta nas capitais brasileiras: a fatia de adultos acima do IMC 30, rodada após rodada, desde 2006.

Fonte e método: Ministério da Saúde, Vigitel, relatórios de 2006, 2012, 2019 e 2023, proporção de adultos de 18 anos ou mais com IMC de 30 ou acima, conjunto das 26 capitais e do Distrito Federal, com peso e altura informados pelo entrevistado.

 
 

II  A Conta do Mês

Seis em cada dez acima do peso

A segunda conta põe ao lado a série mais larga. Excesso de peso inclui todo adulto com IMC de 25 ou acima, e a obesidade é a parte de cima desse grupo.

Pelo Vigitel, o excesso de peso atingiu 42,6% dos adultos das capitais em 2006 e 61,4% em 2023: 18,8 adultos a mais a cada cem.

A tabela mostra as duas séries do Ministério da Saúde, em percentual dos adultos, para os mesmos quatro anos do gráfico.

AnoObesidadeExcesso de peso
200611,8%42,6%
201217,4%51%
201920,3%55,4%
202324,3%61,4%

Em 2006, a maioria dos adultos das capitais estava abaixo do IMC 25. A marca dos 50% foi cruzada no começo da década de 2010, e desde então o grupo com excesso de peso é maioria.

A diferença entre as duas séries mostra uma terceira faixa. Excesso de peso menos obesidade dá o sobrepeso, o IMC entre 25 e 29,9. Em 2006, eram 30,8 adultos a cada cem nessa faixa; em 2023, 37,1.

O sobrepeso cresceu 6,3 a cada cem em 17 anos. A obesidade cresceu 12,5 no mesmo período, perto do dobro da faixa do meio.

O movimento é de deslocamento. Adultos saem do peso normal para o sobrepeso e, do sobrepeso, para a obesidade. A faixa do meio recebe gente por baixo e perde gente por cima, e assim cresce devagar.

Dentro do excesso de peso, a composição também mudou. Em 2006, os adultos com obesidade eram pouco acima de um quarto do grupo. Em 2023, chegaram perto de dois quintos.

O Vigitel cobre só as capitais e só quem atende o telefone. A Pesquisa Nacional de Saúde, a PNS, do IBGE com o Ministério da Saúde, pesou e mediu adultos de todo o país em 2019 e encontrou 25,9% com obesidade.

No mesmo ano, o Vigitel registrou 20,3% nas capitais. A diferença entre os dois valores mede, em parte, o desconto do peso dito ao telefone, e em parte a diferença entre as capitais e o país inteiro.

As duas pesquisas apontam para o mesmo lado. Com balança ou com telefone, a obesidade adulta no Brasil passou de um quinto dos adultos antes de 2020.

Na prática, a seção mostra duas linhas que andam juntas e uma faixa do meio que quase para. A alta do excesso de peso, desde 2006, veio principalmente pela faixa de cima.

 

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III  Refaça a Conta

O IMC em 4 passos

Quatro passos refazem a conta do IMC para um adulto e conferem a série do Vigitel para qualquer ano desde 2006.

1. O IMC: divida o peso em quilos pela altura em metros elevada ao quadrado. Com 80 quilos e 1,75 metro, a conta é 80 dividido por 3,06, perto de 26,1.

2. A faixa: abaixo de 18,5 é baixo peso; de 18,5 a 24,9, peso normal; de 25 a 29,9, sobrepeso; de 30 em diante, obesidade. O exemplo do passo 1 cai no sobrepeso.

3. A série: no portal do Ministério da Saúde, busque pelo relatório Vigitel do ano escolhido e abra a tabela de obesidade por capital. Anote o valor do conjunto das capitais e o da sua cidade.

4. A diferença: subtraia o valor de 2006 do valor do ano escolhido. O resultado diz quantos adultos a mais, a cada cem, passaram a ter obesidade desde a primeira rodada.

Um exemplo com números de teste: uma capital com 13% em 2006 e 23% em 2023 ganhou 10 adultos com obesidade a cada cem em 17 anos.

Para ver a fatia do sobrepeso da seção II, subtraia a obesidade do excesso de peso do mesmo ano, sem passar por outra tabela.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata do músculo. O IMC não separa gordura de massa muscular, e um atleta pesado pode cair na faixa de sobrepeso sem excesso de gordura. Para a população inteira, o desvio pesa pouco; para uma pessoa só, pesa bastante.

O segundo trata do telefone. O peso e a altura vêm da memória de quem responde. O Vigitel, então, tende a ficar abaixo de pesquisas com balança, como a PNS de 2019.

O terceiro trata da margem. Cada capital tem amostra própria, e o relatório traz o intervalo de confiança, a faixa provável do valor, ao lado de cada número. Duas capitais com intervalos sobrepostos não têm diferença garantida.

O relatório também separa os valores por sexo, idade e escolaridade. Com a mesma subtração do passo 4, dá para ver em qual grupo a obesidade cresceu mais na sua capital.

Os relatórios ficam no portal do Ministério da Saúde, com acesso livre, em arquivo para baixar. Com os valores de dois anos quaisquer, os quatro passos dão a conta da sua cidade.

24,3 adultos com obesidade a cada cem nas capitais, em 2023. Foi o valor do Vigitel, do Ministério da Saúde.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, qual trecho da série Vigitel teve o ritmo mais lento de alta da obesidade entre os adultos das capitais?

ADe 2006 a 2012, com 5,6 a cada cem em seis anos
BDe 2012 a 2019, com 2,9 a cada cem em sete anos
CDe 2019 a 2023, com 4 a cada cem em quatro anos
DA obesidade ficou estável entre 2006 e 2023

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