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2,66 litros de petróleo por brasileiro por dia

Pela ANP, a produção saiu de 0,87 milhão de barris por dia em 1997 para 3,4 milhões em 2023, puxada pelo pré-sal.

Gráfico do petróleo produzido em litros por pessoa por dia: 1997 0,87, 2006 1,47, 2010 1,71, 2023 2,66.

Petróleo produzido, litros por pessoa por dia

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0,87 litro por dia. Foi quanto petróleo o Brasil tirou do chão para cada habitante em 1997, pela conta desta edição com a produção registrada pela Agência Nacional do Petróleo e a população estimada pelo IBGE.

O ano tem peso na história do setor. Em agosto de 1997, a Lei 9.478 criou a ANP, a agência que regula petróleo, gás e combustíveis, e abriu a exploração a empresas além da Petrobras, que detinha o monopólio desde 1953.

Naquele ano, o país produzia perto de 869 mil barris por dia, abaixo da marca de 1 milhão. O barril é a unidade do mercado mundial e mede 158,987 litros, perto de um tambor de óleo comum.

A conta da edição troca o barril pelo litro e divide pela gente. São 869 mil barris vezes 159 litros, perto de 138 milhões de litros por dia, repartidos entre perto de 159 milhões de brasileiros.

O resultado cabe numa garrafa de refrigerante pequena e meia. Petróleo cru não vai direto para o tanque: passa pela refinaria, onde vira gasolina, diesel, querosene de avião, asfalto e plástico.

Em 2023, a mesma conta deu 2,66 litros. A produção chegou a perto de 3,4 milhões de barris por dia, o maior volume da série da ANP até aquele ano, e a população contada pelo Censo de 2022 era de 203,1 milhões.

A cota por habitante triplicou em 26 anos, mesmo com 44 milhões de pessoas a mais para dividir. O motor da subida fica a perto de 7 quilômetros abaixo da linha do mar, sob uma camada de sal que chega a 2 quilômetros de espessura.

A Petrobras chama essa faixa de pré-sal (as rochas que ficaram embaixo do sal depositado há mais de 100 milhões de anos). Em 2023, segundo a ANP, perto de três quartos do petróleo nacional vinham de lá.

A seção I põe quatro anos lado a lado, na mesma unidade, litros por pessoa por dia: o começo da série, a autossuficiência, o primeiro ano cheio de produção definitiva no pré-sal e o recorde.

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NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

He’s pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: farming. 

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I  O Gráfico do Dia

Quatro marcos em litros por pessoa

Pela produção da ANP e pela população do IBGE, a cota de petróleo por brasileiro foi de 0,87 litro por dia em 1997, 1,47 em 2006, 1,71 em 2010 e 2,66 em 2023.

O salto de 1997 a 2006 veio da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Ali a Petrobras aprendeu a tirar óleo com plataformas flutuantes ancoradas em lâmina d'água (a profundidade do mar até o fundo) acima de mil metros.

Em abril de 2006, a plataforma P-50 começou a operar no campo de Albacora Leste, e o governo anunciou a autossuficiência. A produção daquele ano, perto de 1,72 milhão de barris por dia, empatou com o consumo nacional de derivados.

Autossuficiência em volume não quer dizer independência. O óleo pesado de Campos não servia bem a todas as refinarias brasileiras, e o país seguiu importando óleo leve, diesel e gasolina enquanto exportava parte da própria produção.

Em novembro de 2007, a Petrobras anunciou o campo de Tupi, na Bacia de Santos, com volume recuperável estimado pela empresa entre 5 e 8 bilhões de barris. Era a primeira grande descoberta abaixo do sal.

“Constituem monopólio da União: a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e outros hidrocarbonetos fluidos e gases raros, existentes no território nacional.”

Lei 2.004, que criou a Petrobras, 1953

O texto de 1953 mostra quanto 1997 mudou. Por 44 anos, só a estatal podia procurar e extrair petróleo no país; a Emenda Constitucional 9, de 1995, e a Lei 9.478 abriram os leilões de blocos.

A descoberta de Tupi mudou a regra outra vez. A Lei 12.351, de 2010, criou o regime de partilha para o pré-sal, em que a União fica com uma fatia do óleo extraído, além dos royalties (a compensação paga ao poder público sobre cada barril).

Em 2010, a plataforma Cidade de Angra dos Reis começou a produção definitiva em Tupi. A cota daquele ano chegou a 1,71 litro por pessoa, com perto de 2,05 milhões de barris por dia e 190,8 milhões de habitantes no Censo.

Entre 2014 e 2016, a curva seguiu de pé mesmo com a Petrobras no centro da Operação Lava Jato, a investigação de corrupção da Polícia Federal. As plataformas do pré-sal contratadas antes da crise entraram em operação uma a uma e somaram vazão ano após ano.

De 2010 a 2023, a produção subiu perto de 66%, e a população, perto de 6%. A diferença entre as duas curvas responde pela maior parte da subida da cota por habitante.

Fonte e método: ANP, produção de petróleo, médias anuais de 1997, 2006, 2010 e 2023; IBGE, estimativas de população e Censos de 2010 e 2022; 1 barril = 158,987 litros; arredondamento desta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

80 litros por pessoa no mês

Pela conta desta edição, o Brasil produziu em 2023 perto de 102 milhões de barris de petróleo por mês, ou 80 litros por habitante.

A conta parte da média diária de 3,4 milhões de barris. Vezes 30 dias, dá perto de 102 milhões de barris no mês; vezes 159 litros, perto de 16,2 bilhões de litros.

Divididos pelos 203,1 milhões de brasileiros do Censo de 2022, os 16,2 bilhões viram perto de 80 litros por pessoa, o volume de um tanque e meio de carro popular.

Para dar escala, uma piscina olímpica guarda perto de 2,5 milhões de litros. Os 16,2 bilhões de litros do mês encheriam perto de 6.500 delas, ou mais de 200 por dia.

Em unidades de tempo, a conta fica assim:

PeríodoLitros por pessoa
Ano971
Mês80
Dia2,66
Hora0,11

A mesma conta em 1997 dava perto de 26 litros por pessoa no mês. Em 26 anos, a cota mensal ganhou 54 litros, o equivalente a um tanque cheio a mais por habitante.

O mês médio esconde a oscilação. Plataforma nova leva meses para chegar à vazão máxima, e as paradas para manutenção derrubam a produção de um campo inteiro por semanas.

Por esse vaivém, o boletim mensal da ANP mostra recordes em meses isolados que a média anual não alcança. Para comparar anos, a média anual é a medida mais estável.

O volume também não se distribui pelo país. A produção se concentra no mar do Rio de Janeiro e de São Paulo, nas bacias de Santos e Campos, e os estados produtores e seus municípios recebem a maior parte dos royalties.

O dono do óleo também muda a leitura. A Petrobras segue como a maior operadora, mas empresas como Shell, TotalEnergies e a chinesa CNOOC são sócias dos consórcios do pré-sal e levam a parte delas da produção.

Uma parte grande do petróleo cru deixa o Brasil em navio, sobretudo para a China. O país exporta óleo e importa diesel e gasolina, porque as refinarias nacionais não processam todo o óleo que sai dos poços.

Os 80 litros por mês medem o que sai do subsolo, não o que chega ao posto. Entre o poço e o tanque estão a refinaria, o porto e o comércio exterior.

 

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III  Refaça a Conta

A sua conta em 4 passos

1. A produção: no site da ANP, abra o Painel Dinâmico de Produção de Petróleo e Gás Natural e anote a média de barris de petróleo por dia do ano escolhido.

2. O litro: multiplique os barris por 158,987. O resultado é a produção diária do país em litros.

3. A população: no site do IBGE, pegue a estimativa de população do mesmo ano, ou a contagem do Censo mais próximo.

4. A cota: divida os litros pela população. O resultado é a produção de petróleo por habitante, em litros por dia.

Com números redondos, o caminho fica assim. Uma produção de 3 milhões de barris por dia vira 477 milhões de litros; divididos por 200 milhões de pessoas, dão perto de 2,38 litros.

Para levar ao mês, multiplique a cota diária por 30. Para o ano, por 365.

A mesma conta serve para o gás natural. Troque a linha do petróleo pela do gás, em metros cúbicos por dia, e divida pela mesma população do IBGE.

Quatro cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da unidade. A ANP publica parte dos dados em metros cúbicos; 1 metro cúbico tem 1.000 litros, perto de 6,29 barris.

O segundo trata do gás. O painel também mostra o barril de óleo equivalente, que soma petróleo e gás natural numa unidade só; para a conta desta edição, use só a linha do petróleo.

O terceiro trata do mês. Um mês de recorde no boletim mensal fica acima da média do ano; compare média anual com média anual.

O quarto trata da população. Entre dois Censos, o IBGE trabalha com estimativas, e a revisão depois de cada contagem muda o número do ano.

Com os quatro cuidados, a sua conta entra no mesmo gráfico, ao lado dos quatro marcos desta edição.

2,66 litros de petróleo por brasileiro por dia em 2023, pela ANP e pelo IBGE.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Em qual campo e em qual plataforma saiu o primeiro óleo do pré-sal, em 2008?

 
 
Quiz da edição

Em abril de 2006, qual plataforma começou a operar no campo de Albacora Leste, no ano em que o governo anunciou a autossuficiência em petróleo?

AP-34
BP-50
CCidade de Angra dos Reis
DP-51

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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