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151 km de trilho por milhão de brasileiros

Pelo IBGE e pela ANTT, a malha ferroviária por habitante caiu de 932 km por milhão em 1920 para 151 em 2022.

Gráfico da malha ferroviária em km por milhão de habitantes: 1920 932, 1960 546, 2000 171, 2022 151.

Malha ferroviária, km por milhão de habitantes

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932 quilômetros de trilho por milhão de habitantes em 1920. Era a conta do Brasil quando o Censo daquele ano achou 30,6 milhões de pessoas e as estatísticas históricas do IBGE registravam perto de 28,5 mil quilômetros de ferrovia em tráfego.

O trilho chegava antes da estrada. O café de São Paulo e de Minas Gerais descia ao porto de Santos em vagão, e cada fazenda grande brigava por um ramal (a linha secundária que sai do tronco principal) até perto da porteira.

A história tinha começado 66 anos antes, com 14,5 quilômetros. Em 30 de abril de 1854, o empresário Irineu Evangelista de Sousa, o futuro Barão de Mauá, inaugurou a primeira ferrovia do país, entre o porto de Estrela, no fundo da Baía de Guanabara, e a Raiz da Serra, a caminho de Petrópolis.

Depois de Mauá vieram a Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1858, mais tarde rebatizada Central do Brasil, e a São Paulo Railway, aberta em 1867 entre Santos e Jundiaí com capital inglês.

Cada companhia escolhia a própria bitola (a distância entre os dois trilhos). Umas ficaram com 1,60 metro, a maioria com 1 metro, e algumas com medidas menores. O vagão de uma linha nem sempre cabia na vizinha, e a carga trocava de trem na divisa.

A malha seguiu crescendo em quilômetros por mais quatro décadas e bateu o teto por volta de 1960, com perto de 38 mil quilômetros. A população, porém, cresceu bem mais rápido que o trilho.

Em 2022, o Censo contou 203,1 milhões de brasileiros, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) listava perto de 30,6 mil quilômetros de malha concedida. Divididos, dão 151 quilômetros por milhão de habitantes, perto de um sexto da cota de 1920.

A seção I põe quatro anos lado a lado, na mesma unidade: o primeiro dado da série, o pico em extensão, o ano 2000 e o Censo mais recente.

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I  O Gráfico do Dia

De 932 a 151 quilômetros por milhão

A resposta de ontem

Em qual campo e plataforma saiu o primeiro óleo do pré-sal?

No campo de Jubarte, na Bacia de Campos, litoral do Espírito Santo. A Petrobras tirou o primeiro óleo do pré-sal em 2 de setembro de 2008 pela plataforma P-34, num teste de longa duração, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a bordo. Tupi, o campo anunciado em 2007, só ganhou plataforma definitiva em 2010.

Pelas séries do IBGE, pelo anuário da ANTT e pelos Censos, a malha ferroviária por brasileiro foi de 932 quilômetros por milhão de habitantes em 1920, 546 em 1960, 171 em 2000 e 151 em 2022.

Entre 1920 e 1960, a malha ganhou perto de 10 mil quilômetros, um aumento de um terço. No mesmo intervalo, a população do Censo passou de 30,6 milhões para 70,1 milhões, mais que o dobro. A cota por habitante caiu mesmo com trilho novo.

Em 1957, a Lei 3.115 criou a Rede Ferroviária Federal S.A., a RFFSA, para juntar numa empresa só 18 ferrovias que a União já controlava, quase todas no vermelho.

A estatal herdou linhas abertas para o café do século 19, com curvas fechadas, rampas fortes e bitolas diferentes. Muitos ramais levavam carga a fazendas que já tinham trocado o café pelo gado ou pela cana.

“Cinquenta anos em cinco.”

Lema da campanha de Juscelino Kubitschek, 1955

O lema de Juscelino Kubitschek mirava a estrada. O Plano de Metas do governo dele, de 1956 a 1961, abriu rodovias como a Belém-Brasília e trouxe as montadoras de caminhão e de carro para o ABC paulista.

Com o caminhão na estrada nova, o governo fechou ao longo dos anos 1960 os ramais de menor movimento. Em 1970, as estatísticas do IBGE já mostravam perto de 32 mil quilômetros, 6 mil a menos que no pico.

A queda parou ali. A malha ficou na casa dos 30 mil quilômetros pelos 50 anos seguintes, enquanto a população mais que dobrou.

Os trechos novos foram poucos e longos. A Estrada de Ferro Carajás, aberta em 1985 pela Companhia Vale do Rio Doce, liga as minas do sul do Pará ao porto de São Luís, no Maranhão, em 892 quilômetros.

Entre 1996 e 1998, o governo leiloou as malhas da RFFSA em concessões de 30 anos (o direito de operar a linha, que segue sendo da União). A estatal foi dissolvida em 1999 e extinta por lei em 2007.

No ano 2000, com perto de 29 mil quilômetros e 169,8 milhões de habitantes no Censo, a cota ficou em 171 quilômetros por milhão. De lá até 2022, o trilho cresceu pouco, e a população somou 33 milhões de pessoas.

Fonte e método: IBGE, Estatísticas do Século XX e Censos de 1920, 1960, 2000 e 2022; ANTT, anuário do setor ferroviário; extensão em quilômetros de linha; arredondamento desta edição.

 
 

II  A Conta do Mês

205 quilos de carga por pessoa no mês

Pelo anuário da ANTT, os trens de carga brasileiros levaram perto de 500 milhões de toneladas úteis em 2023, ou 205 quilos por habitante a cada mês.

A tonelada útil é o peso da mercadoria, sem contar o vagão nem a locomotiva. É a medida que a ANTT usa para somar o que cada concessionária transportou no ano.

Divididos por 12, os 500 milhões de toneladas viram perto de 42 milhões por mês. Repartidos entre os 203,1 milhões de brasileiros do Censo de 2022, dão 205 quilos por pessoa, o peso de quatro sacos de cimento de 50 quilos.

Em outras unidades de tempo, a conta fica assim:

PeríodoCarga por pessoa
Ano2.460 kg
Mês205 kg
Dia6,7 kg
Hora0,28 kg

A carga não se parece com a cesta do mercado. Pelo mesmo anuário, o minério de ferro responde pela maior parte do peso, seguido de soja, milho, farelo, açúcar e combustíveis.

O minério viaja em poucas linhas. A Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas, as duas operadas pela Vale, levam juntas a maior fatia do total nacional.

Dividida pela malha, a conta muda de cara. Os 500 milhões de toneladas sobre perto de 30,6 mil quilômetros dão 16 mil toneladas por quilômetro de trilho no ano, mas a média junta linha lotada com linha parada.

Na soja e no milho, o trem disputa o frete com o caminhão. Do Mato Grosso aos portos de Santos e de Paranaguá, a safra roda centenas de quilômetros de rodovia antes de chegar ao primeiro terminal ferroviário.

Uma parte da malha concedida não recebe trem regular há anos. Ramais herdados da RFFSA no interior de estados como Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul ficaram sem carga que pagasse a manutenção, e o mato tomou o leito.

Passageiro quase sumiu do trilho de longa distância. Os trens regulares entre cidades se resumem a duas linhas da Vale: Cariacica a Belo Horizonte, na Vitória a Minas, e São Luís a Parauapebas, na Carajás.

Os trens metropolitanos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outras capitais carregam milhões de pessoas por dia, mas ficam fora desta conta, porque o anuário da ANTT cobre a malha federal.

Os 205 quilos por mês medem o que passa nos trilhos, não o que chega à casa de cada um. Uma fatia grande do minério segue do porto direto para siderúrgicas na China.

 

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III  Refaça a Conta

Trilho por habitante em 4 passos

1. A extensão: no site da ANTT, abra o anuário do setor ferroviário e anote a extensão da malha, em quilômetros, do ano escolhido.

2. Os anos antigos: para antes de 1990, use as Estatísticas do Século XX do IBGE, que trazem a extensão das linhas em tráfego ano a ano desde o Império.

3. A população: no site do IBGE, pegue a contagem do Censo mais próximo ou a estimativa do mesmo ano e divida por 1 milhão.

4. A cota: divida os quilômetros pela população em milhões. O resultado é a malha por milhão de habitantes.

Com números redondos, o caminho fica assim. 30 mil quilômetros para 200 milhões de pessoas viram 30.000 dividido por 200, ou 150 quilômetros por milhão.

Para trocar a escala, divida a cota por 1.000 e leia em metros por pessoa. Em 2022, cada brasileiro tinha perto de 15 centímetros de trilho, menos que um palmo.

A mesma conta serve para a carga. Troque a extensão pelas toneladas úteis do anuário e divida pela população; para o mês, divida o ano por 12.

Quatro cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da malha. A ANTT separa a malha concedida do trecho com tráfego; a série desta edição usa a concedida, e misturar as duas muda o resultado.

O segundo trata da bitola mista. Num trecho com três trilhos, onde rodam trens de 1 metro e de 1,60 metro, conte a linha uma vez só.

O terceiro trata do trem urbano. Metrô e trem metropolitano têm cadastro próprio nos estados e não entram no anuário da ANTT.

O quarto trata da população. Entre dois Censos, o IBGE publica estimativas e revisa os números depois de cada contagem.

Para comparar duas datas, faça a conta para os dois anos e divida um resultado pelo outro. De 1920 a 2022, 932 dividido por 151 dá perto de 6,2, e o trilho por habitante encolheu seis vezes.

Com os quatro cuidados, a sua conta cai na mesma linha do gráfico, ao lado dos quatro anos desta edição.

151 quilômetros de trilho por milhão de brasileiros em 2022, pela ANTT e pelo Censo do IBGE.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Como se chamava a locomotiva do primeiro trem do Brasil, em 1854, e onde ela está hoje?

 
 
Quiz da edição

Em 1957, a Lei 3.115 criou a RFFSA para reunir numa única empresa quantas ferrovias que a União já controlava?

A12
B18
C24
D30

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