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10,8 anos na fila de patentes do INPI

Pelos indicadores do INPI, a espera entre o depósito e a decisão de uma patente caiu de 10,8 anos em 2016 para 6,9 em 2023.

Gráfico do tempo médio de decisão de patente no INPI: 2016 10,8 anos, 2019 9,6 anos, 2023 6,9 anos.

Anos do depósito à decisão de patente

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149,9 mil pedidos em agosto de 2019. Era o tamanho da fila de patentes à espera de decisão no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI, quando o próprio instituto lançou o Plano de Combate ao Backlog (o estoque de pedidos atrasados).

Patente é o título que dá ao inventor o direito exclusivo de explorar uma invenção por um prazo fixo. No Brasil, quem concede é o INPI, uma autarquia federal (órgão com orçamento e gestão próprios) ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O caminho está escrito na Lei 9.279, de 1996, a Lei da Propriedade Industrial. O inventor deposita o pedido, o pedido fica em sigilo por 18 meses e depois sai publicado na Revista da Propriedade Industrial, o diário oficial do instituto.

Publicar não significa examinar. O depositante tem até 36 meses, contados do depósito, para pedir o exame técnico, e só então o pedido entra na fila de um examinador.

O examinador é um servidor com formação na área da invenção, da engenharia à farmácia. Ele procura documentos anteriores no mundo inteiro e decide se a invenção é nova, se tem atividade inventiva (um passo que um técnico do ramo não daria por óbvio) e se tem aplicação industrial.

Quando os pedidos chegam num ritmo acima do ritmo das decisões, a diferença acumula. Ao longo dos anos 2000 e da década seguinte, o estoque cresceu ano após ano, e o inventor brasileiro passou a contar a espera em anos.

A data pesa por um motivo de calendário. A patente de invenção vale 20 anos contados do depósito, e cada ano parado na fila sai desse prazo.

Por esse motivo a fila tem dois números. O estoque diz quantos pedidos esperam; o tempo diz quantos anos cada um leva do depósito à decisão. O segundo nasce do primeiro, dividido pelo ritmo de trabalho do instituto.

A conta interessa a quem inventa e a quem compra a invenção. Uma empresa que licencia uma tecnologia paga pelo direito de usá-la, e o valor desse direito depende de quantos anos de exclusividade sobram quando a carta patente sai.

A seção I mostra o tempo médio de decisão nos indicadores do INPI e o trecho da série em que ele começou a cair.

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I  O Gráfico do Dia

De 10,8 para 6,9 anos

Pelos indicadores do INPI, o tempo médio entre o depósito e a decisão de uma patente de invenção foi de 10,8 anos em 2016, 9,6 anos em 2019 e 6,9 anos em 2023.

Decisão é o primeiro desfecho técnico do pedido: deferido (aprovado para virar patente) ou indeferido (negado). A carta patente, o documento que o inventor recebe, sai depois do pagamento da taxa de expedição.

O ponto mais alto da série está em 2016. Naquele ano, o balanço do INPI contava perto de 243 mil pedidos de patente pendentes de decisão.

Com a fila desse tamanho, um pedido depositado em 2006 chegava à decisão por volta de 2017. O inventor esperava uma década para saber se a invenção seria dele.

A espera variava por área. Pedidos de fármacos e de telecomunicações ficavam entre os mais lentos, porque pedem exame técnico denso e as divisões dessas áreas tinham poucos examinadores diante da entrada.

A queda começa em agosto de 2019, com o Plano de Combate ao Backlog. A meta oficial do INPI era reduzir em 80% o estoque de pedidos pendentes até 2021.

O plano usou um atalho administrativo. Quando o mesmo pedido já tinha passado por busca em escritórios de outros países, como os dos Estados Unidos, da Europa ou do Japão, o examinador brasileiro partia daquela busca e emitia a exigência (a lista de ajustes pedida ao depositante) em prazo curto.

O pedido sem resposta à exigência no prazo era arquivado. Parte do estoque saiu da fila desse jeito, por desistência do depositante, sem exame de mérito.

Por esse motivo, o tempo médio de 6,9 anos em 2023 junta dois efeitos: exame mais rápido e fila mais curta pela saída dos pedidos abandonados.

De 2016 a 2019, a média caiu 1,2 ano. De 2019 a 2023, caiu 2,7 anos, o dobro em ritmo, já com o plano em andamento.

A ideia de premiar o inventor com tempo de exclusividade tem defensor antigo. Abraham Lincoln, o único presidente americano dono de uma patente, registrada em 1849 para um sistema de boias que erguia barcos encalhados, disse numa palestra:

“O sistema de patentes acrescentou o combustível do interesse ao fogo do gênio.”

Abraham Lincoln, Segunda Palestra sobre Descobertas e Invenções, 1859

Lincoln falava do sistema americano do século 19. No Brasil de 2016, o combustível chegava ao inventor mais de dez anos depois do fogo aceso.

Fonte e método: INPI, indicadores de desempenho de patentes, 2016, 2019 e 2023; INPI, Plano de Combate ao Backlog, agosto de 2019.

 
 

II  A Conta do Mês

Os 20 anos encolhem na fila

A segunda conta troca a fila pelo relógio do inventor. A patente vale 20 anos a partir do depósito, pelo artigo 40 da Lei da Propriedade Industrial, e o tempo de espera sai desse total.

Com a decisão em 10,8 anos, o inventor de 2016 ficava com perto de 9,2 anos de patente na mão; com a decisão em 6,9 anos, o de 2023 fica com 13,1.

Até 2021, a lei tinha uma trava para a fila longa. O parágrafo único do artigo 40 garantia ao menos 10 anos de vigência contados da concessão, mesmo quando a soma passava de 20 anos.

Em maio de 2021, o Supremo Tribunal Federal julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.529, proposta pela Procuradoria-Geral da República, e derrubou essa garantia. O relator foi o ministro Dias Toffoli.

Desde então, vale só o prazo de 20 anos contados do depósito. A demora do exame passou a sair inteira do tempo do titular.

O STF modulou a decisão (definiu a partir de quando ela vale). As patentes de fármacos e de produtos para a saúde perderam o prazo extra já concedido; as das outras áreas o mantiveram.

A conta dos três pontos da série, em anos de patente depois da decisão:

AnoAnos de patente
20169,2
201910,4
202313,1

A diferença entre 2016 e 2023 chega a 3,9 anos de exclusividade. Para quem licencia uma tecnologia, cada ano a mais é um ano de royalties (o pagamento pelo uso da invenção) dentro do contrato.

Antes da decisão, o pedido já dá alguma proteção. O artigo 44 da mesma lei garante ao titular indenização pela exploração indevida desde a publicação, mas a cobrança só anda depois da concessão.

Na prática, o inventor que espera dez anos negocia com uma promessa. O comprador da licença paga por um direito que ainda pode ser negado no exame.

A conta também mostra o limite da queda. Mesmo com 6,9 anos, um terço do prazo da patente passa na fila, e o inventor recebe a carta com cerca de 13 anos de uso pela frente.

O INPI oferece trilhas de exame prioritário para alguns casos, como depositante com 60 anos ou mais, tecnologia verde e pedido de microempresa. Nessas trilhas, a decisão costuma sair em meses; fora delas, vale a fila comum.

Pela série, a média caiu 3,9 anos em sete anos de indicadores, e cada ano tirado da fila voltou ao inventor como ano de patente.

 

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III  Refaça a Conta

A fila em 3 passos

Três passos refazem a conversão de estoque em anos de espera para qualquer ano da série.

1. O estoque: nos indicadores do INPI, anote quantos pedidos de patente estavam pendentes de decisão no fim do ano.

2. O ritmo: no mesmo relatório, anote quantas decisões (deferimentos somados aos indeferimentos) o instituto emitiu naquele ano.

3. A espera: divida o estoque pelo ritmo. O resultado diz quantos anos a fila leva para andar inteira, se nenhum pedido novo entrasse.

Um exemplo com números de teste: um estoque de 243 mil pedidos e um ritmo de 24 mil decisões por ano dão 10,1 anos de fila. Com 48 mil decisões, a mesma fila anda em 5,1 anos.

Some a esse resultado o tempo que o pedido passa antes de entrar na fila: 18 meses de sigilo e até 36 meses para pedir exame. O pedido que usa os 36 meses inteiros chega ao examinador três anos depois do depósito.

Para converter em anos de patente, subtraia o total de 20. O pedido decidido em 6,9 anos deixa 13,1 anos de exclusividade; o decidido em 10,8 deixa 9,2.

Três cuidados evitam conclusão errada.

O primeiro trata da média. Ela junta áreas rápidas e lentas, e o pedido de um fármaco pode esperar acima da média do instituto.

O segundo trata da saída da fila. Pedido arquivado por falta de resposta encurta o estoque sem exame, e a queda da média reflete também essa limpeza.

O terceiro trata da entrada. A divisão do passo 3 supõe fila parada; se os depósitos crescem, a espera real sai maior do que a conta.

Os indicadores ficam no portal do INPI, na área de estatísticas, com planilhas por tipo de patente e por divisão técnica. Com o estoque e as decisões de um ano qualquer, os três passos dão a espera daquele ano.

6,9 anos em 2023. Foi o tempo médio entre o depósito e a decisão de uma patente de invenção no Brasil, pelos indicadores do INPI.

 
 
Quiz da edição

Em maio de 2021, o STF julgou a ADI 5.529 sobre patentes. O que a decisão derrubou?

AO prazo de sigilo de 18 meses do pedido antes da publicação
BA garantia de vigência mínima de 10 anos de patente contados da concessão
CO prazo de 36 meses para o depositante pedir exame técnico
DAs trilhas de exame prioritário para pedidos de microempresa

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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