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Pelos indicadores do INPI, o tempo médio entre o depósito e a decisão de uma patente de invenção foi de 10,8 anos em 2016, 9,6 anos em 2019 e 6,9 anos em 2023.
Decisão é o primeiro desfecho técnico do pedido: deferido (aprovado para virar patente) ou indeferido (negado). A carta patente, o documento que o inventor recebe, sai depois do pagamento da taxa de expedição.
O ponto mais alto da série está em 2016. Naquele ano, o balanço do INPI contava perto de 243 mil pedidos de patente pendentes de decisão.
Com a fila desse tamanho, um pedido depositado em 2006 chegava à decisão por volta de 2017. O inventor esperava uma década para saber se a invenção seria dele.
A espera variava por área. Pedidos de fármacos e de telecomunicações ficavam entre os mais lentos, porque pedem exame técnico denso e as divisões dessas áreas tinham poucos examinadores diante da entrada.
A queda começa em agosto de 2019, com o Plano de Combate ao Backlog. A meta oficial do INPI era reduzir em 80% o estoque de pedidos pendentes até 2021.
O plano usou um atalho administrativo. Quando o mesmo pedido já tinha passado por busca em escritórios de outros países, como os dos Estados Unidos, da Europa ou do Japão, o examinador brasileiro partia daquela busca e emitia a exigência (a lista de ajustes pedida ao depositante) em prazo curto.
O pedido sem resposta à exigência no prazo era arquivado. Parte do estoque saiu da fila desse jeito, por desistência do depositante, sem exame de mérito.
Por esse motivo, o tempo médio de 6,9 anos em 2023 junta dois efeitos: exame mais rápido e fila mais curta pela saída dos pedidos abandonados.
De 2016 a 2019, a média caiu 1,2 ano. De 2019 a 2023, caiu 2,7 anos, o dobro em ritmo, já com o plano em andamento.
A ideia de premiar o inventor com tempo de exclusividade tem defensor antigo. Abraham Lincoln, o único presidente americano dono de uma patente, registrada em 1849 para um sistema de boias que erguia barcos encalhados, disse numa palestra:
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“O sistema de patentes acrescentou o combustível do interesse ao fogo do gênio.”
Abraham Lincoln, Segunda Palestra sobre Descobertas e Invenções, 1859
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Lincoln falava do sistema americano do século 19. No Brasil de 2016, o combustível chegava ao inventor mais de dez anos depois do fogo aceso.
Fonte e método: INPI, indicadores de desempenho de patentes, 2016, 2019 e 2023; INPI, Plano de Combate ao Backlog, agosto de 2019.
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