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ED 032
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1,97 vez o preço do imóvel é o que o juro cobra

A taxa média do financiamento imobiliário no Banco Central está em 11,72% ao ano, e em 360 parcelas o juro sozinho supera o preço do imóvel.

Gráfico de colunas com o total pago em juros num contrato de 360 parcelas medido em múltiplos do preço do imóvel: 1,26 a 8% ao ano, 1,97 na taxa média de 11,72% ao ano do Banco Central e 2,42 a 14% ao ano, com a fonte escrita dentro da imagem.

Juro de 30 anos em vezes o preço do imóvel

 

11,72% ao ano. Foi a taxa média cobrada nos financiamentos imobiliários a pessoas físicas na série do Banco Central do Brasil em 2025, juntando as operações com recursos direcionados da poupança e as de recursos livres num percentual único.

O número sai das estatísticas de crédito que o Banco Central publica todo mês. A autoridade monetária recolhe de cada banco a taxa praticada em cada modalidade, pondera pelo volume contratado e devolve uma média nacional por linha, do cheque especial ao financiamento de imóvel.

Nessa lista, o financiamento imobiliário aparece como a linha barata. Ele fica muito abaixo do rotativo do cartão, abaixo do crédito pessoal sem garantia e abaixo até do financiamento de veículo, porque o próprio imóvel serve de garantia e o banco retoma o bem se o contrato parar de ser pago.

A comparação com as outras linhas esconde a variável que decide tudo. Cheque especial se paga em semanas, crédito pessoal em dois ou três anos, financiamento de carro em cinco. O contrato de imóvel corre por trinta anos, e trinta anos são 360 incidências de juro sobre um saldo que começa alto e desce devagar.

Existe uma segunda armadilha na leitura. A taxa é anual, mas a cobrança é mensal, e a conversão de 11,72% ao ano para o mês devolve 0,9278%, um percentual que parece inofensivo na primeira prestação e trabalha contra o comprador durante três décadas seguidas.

Por causa dessas duas distorções, a pergunta útil deixa de ser qual a taxa. A pergunta útil passa a ser quanto o contrato inteiro cobra de juro em reais, e quantas vezes esse total cabe dentro do preço do imóvel que o comprador foi buscar no começo.

O gráfico de hoje faz essa conversão em três cenários de taxa, sobre o mesmo contrato de 360 parcelas, e mede o total de juros em múltiplos do preço do imóvel.

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I  O Gráfico do Dia

O juro paga o imóvel de novo

Trinta anos transformam 11,72% ao ano em quase dois imóveis.

Num imóvel de R$ 400.000,00 com entrada de 20% e financiamento de R$ 320.000,00 em 360 parcelas, a taxa média de 11,72% ao ano do Banco Central cobra R$ 788.747,15 em juros, o equivalente a 1,97 vez o preço do imóvel.

O gráfico tem três colunas, todas na mesma unidade: quantas vezes o total de juros cabe no preço do imóvel. A 8% ao ano a coluna para em 1,26. Na taxa média de 11,72% ao ano ela sobe para 1,97. A 14% ao ano ela chega a 2,42.

A coluna do meio é o retrato do contrato típico. Ela diz que o comprador devolve ao banco, só de juro, quase o dobro do que o imóvel custava na assinatura, e devolve esse valor sem receber nada além do direito de pagar em prestações.

A distância entre a primeira e a terceira coluna também merece atenção. Seis pontos percentuais na taxa anual, de 8% para 14%, quase dobram o custo do dinheiro: são R$ 502.986,47 de juros no cenário barato contra R$ 970.084,26 no caro, uma diferença de R$ 467.097,79 no mesmo imóvel.

A taxa anual engana porque a cabeça humana multiplica em linha reta. O juro composto sobre um saldo devedor de trinta anos não anda em linha reta, e é essa curvatura que transforma 11,72% ao ano num total de juros maior que o preço do bem financiado.

O tamanho do financiamento não muda o múltiplo, muda os reais. Como o cálculo é proporcional, um imóvel de R$ 250.000,00 nas mesmas condições devolve o mesmo 1,97 vez, com juros de R$ 492.966,97 em vez de R$ 788.747,15.

O prazo, sim, muda o múltiplo, e muda muito. O mesmo saldo de R$ 320.000,00 a 11,72% ao ano em 180 parcelas cobra R$ 339.530,68 de juros, o que derruba o múltiplo de 1,97 para 0,85 vez o preço do imóvel, com prestação de R$ 3.664,06.

Vale registrar o que as colunas não mostram. Elas usam a Tabela Price com prestação fixa, não incluem o seguro prestamista nem o seguro de danos físicos ao imóvel, não incluem a taxa mensal de administração do contrato e não corrigem o saldo pela Taxa Referencial.

Também não entram no desenho o Fundo de Garantia usado como abatimento, as amortizações extraordinárias e a portabilidade do financiamento para outro banco, três movimentos que reduzem o múltiplo na vida real de quem já assinou.

Fonte e método: taxa média de juros das operações de financiamento imobiliário para pessoas físicas nas estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central do Brasil, 2025, aplicada a um contrato de 360 parcelas pela Tabela Price sobre R$ 320.000,00, com a taxa efetiva convertida de ano para mês.

 
 

II  A Conta do Mês

R$ 3.079,85 por 360 meses

A prestação de R$ 3.079,85 sai do saldo de R$ 320.000,00 a 11,72% ao ano em 360 parcelas. Na primeira delas, R$ 2.969,04 são juros e R$ 110,82 amortizam a dívida: 96,4% do que o comprador paga no primeiro mês não reduz o saldo devedor.

O contrato tem 360 pagamentos iguais. Multiplicados pela prestação, somam R$ 1.108.747,15, dos quais R$ 320.000,00 devolvem o principal e R$ 788.747,15 são o preço do dinheiro emprestado.

Somada a entrada de R$ 80.000,00, o desembolso pelo imóvel de R$ 400.000,00 fica assim:

Entrada de 20%R$ 80.000,00
Principal financiadoR$ 320.000,00
Juros em 360 parcelasR$ 788.747,15
Desembolso totalR$ 1.188.747,15

O desembolso total equivale a 2,97 vezes o preço de tabela do imóvel. O comprador paga um imóvel na assinatura e mais dois ao longo das três décadas, sem que o segundo e o terceiro existam em lugar nenhum.

A curva de amortização explica por que a dívida parece não andar. Ao fim do primeiro ano, depois de R$ 36.958,20 desembolsados em doze prestações, o saldo devedor caiu de R$ 320.000,00 para R$ 318.600,21. Doze pagamentos reduziram R$ 1.399,79 da dívida.

No meio do contrato o quadro ainda incomoda. Depois de 180 prestações pagas, metade do prazo vencida, o saldo devedor está em R$ 268.978,46, ou seja, 84% da dívida original continua de pé.

"O contrato de dívida é rígido por natureza: ele fixa o pagamento do devedor e concentra sobre ele todo o risco de o valor do bem cair."

Atif Mian e Amir Sufi, House of Debt, ano de 2014

O ponto de virada demora. A amortização só passa a ser maior que o juro na prestação 286, quase 24 anos depois da assinatura. Até lá, a maior parte de cada pagamento mensal serve para remunerar o banco, e não para reduzir o que se deve.

A Tabela SAC muda o desenho do começo. Nela a amortização é constante e a prestação inicial é mais alta, R$ 3.857,93 no mesmo contrato, mas cai todo mês, e o total de juros fica em R$ 535.911,22 porque o saldo desce mais rápido desde a primeira cobrança.

A escolha entre as duas tabelas costuma ser apresentada como preferência de fluxo de caixa. Ela é, na prática, uma escolha de custo total: a diferença de juros entre Price e SAC no mesmo contrato chega a R$ 252.835,93, mais da metade do preço do imóvel.

A média nacional também esconde dispersão. Contratos dentro do Sistema Financeiro de Habitação, com recursos da poupança, saem abaixo dela, enquanto contratos com recursos livres, usados quando o imóvel passa do teto do sistema ou o comprador não se enquadra nas regras, saem acima.

Cada ponto percentual pesa em reais. Um ponto a menos na taxa anual, de 11,72% para 10,72%, derruba a prestação para R$ 2.862,00 e corta R$ 78.427,93 do total de juros, o que equivale a quase um quinto do preço do imóvel devolvido ao bolso do comprador.

 

Quem banca a edição de hoje

The Physical AI Boom Reaches The Farm

Most AI lives on a screen. This kind drives itself through a soybean field at 2 a.m. and cuts weeds to the centimeter, with no herbicide. Greenfield Robotics has 82 machines running across 16 states. This year's fleet sold out, and every robot was delivered. 

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Greenfield Robotics is Testing The Waters under tier 2 of Regulation A. No money or other consideration is being solicited, and if sent in response will not be accepted. No offer to buy the securities can be accepted and no part of the purchase price can be received until the offering statement filed by the company with the SEC has been qualified by the SEC. Any such offer may be withdrawn or revoked, without obligation or commitment of any kind, at any time before notice of acceptance given after the date of qualification. An indication of interest involves no obligation or commitment of any kind. “Reserving” shares is simply an indication of interest. There is no binding commitment for investors that reserve shares in this manner to ultimately invest and purchase the shares reserved of the company, or to purchase any shares of the company whatsoever.

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III  Refaça a Conta

Descubra o seu múltiplo

1. O seu saldo e a sua taxa: pegue o contrato ou o extrato do financiamento e anote o saldo devedor atual, a taxa efetiva anual e quantas prestações faltam. A taxa que vale para a conta é a efetiva do Custo Efetivo Total, não a nominal do anúncio da vitrine.

2. A conversão para o mês: eleve 1 mais a taxa anual em decimal à potência de um doze avos e subtraia 1. Com 11,72% ao ano, a conta devolve 0,9278% ao mês, e é esse percentual que incide sobre o saldo devedor a cada cobrança.

3. O seu múltiplo: multiplique a prestação pelo número de parcelas que faltam, subtraia o saldo devedor atual e divida o resultado pelo preço do imóvel. O número que sobrar diz quantas vezes o imóvel você ainda vai pagar só em juro.

Feita a conta, teste as três alavancas que mexem no resultado, sempre com o mesmo saldo devedor na mesa.

A primeira alavanca é o prazo. Encurtar o contrato de 360 para 240 parcelas no mesmo saldo e na mesma taxa eleva a prestação de R$ 3.079,85 para R$ 3.332,21, um acréscimo de R$ 252,36 por mês, e corta R$ 309.016,62 do total de juros.

A segunda é a amortização extraordinária com o Fundo de Garantia, permitida a cada dois anos nos contratos do Sistema Financeiro de Habitação. Aplicada para reduzir prazo, e não prestação, ela retira juros futuros do contrato inteiro.

A terceira é a portabilidade. O mutuário pode levar a dívida para outro banco que ofereça taxa menor, e o banco atual recebe a proposta e pode cobrir a oferta, o que transforma a taxa contratada em algo negociável a qualquer momento das três décadas.

O uso prático dessa conta aparece na hora de escolher entre alugar e comprar. Com o múltiplo na mão, o comprador compara o custo do juro em trinta anos com o custo do aluguel no mesmo período e resolve a dúvida com dois números na mesa, em vez de intuição.

O uso seguinte aparece na renegociação. Quem já tem contrato aberto mede em reais quanto uma taxa um ponto menor devolve ao bolso, e leva esse número para a conversa com o gerente em vez de aceitar a primeira resposta.

O uso final aparece na entrada. Cada real a mais dado na assinatura sai do saldo que roda por 360 meses, e por isso R$ 20.000,00 de entrada extra hoje valem muito mais que R$ 20.000,00 amortizados no vigésimo ano do contrato.

1,97 vez o preço do imóvel. É o que um contrato de 360 parcelas cobra em juros à taxa média de 11,72% ao ano das operações de financiamento imobiliário para pessoas físicas na série do Banco Central do Brasil, 2025.

"Quantas vezes o seu imóvel você ainda vai pagar em juro?"

 
 

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Quiz da edição

Sobre o financiamento de R$ 320.000,00 em 360 parcelas, quantas vezes o preço do imóvel o total de juros representa na taxa média do Banco Central, 11,72% ao ano?

A1,26 vez o preço do imóvel
B2,97 vezes o preço do imóvel
C1,97 vez o preço do imóvel
D2,42 vezes o preço do imóvel

Resultado da última edição: 0% acertaram.

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